Este conto é maravilhoso e sei pq tantas ficam doidas para terminarem de ler.
Eu postei o final aqui, só que como o Blog estava com problemas de postagem eu não consegui colocar no mesmo local do conto.
então lá vai o caminho das pedras e de novo, desculpa!!
CONTO III - FINAL -----------------------
(por Cacau , adicionado em 19 de Fevereiro de 2006)
A
discussão acabou mal. Mas Cristina, que saiu decepcionada com seu pai,
estava orgulhosa de si. “Como fui idiota. Perdi Helena por acreditar que
poderia ter o apoio de meus pais”. Ela caminhou por um tempo. Precisava
pensar em como agir dali em diante. Afinal, ela abriu o jogo com sua
família, sentia-se bem, apesar da decepção. Sempre gostou de dizer a
verdade. Não sabia mentir. Agora sabia que poderia tentar reconquistar
Helena de cabeça erguida. Mas o que fazer “pra derreter o coração
daquela cabeça dura”? Ligou para Marcos. “Ele saberá como me ajudar”.
- Bom dia, Marcos. Tudo bem?
Marcos atendeu meio sonolento.
- Tudo, Cris. Aconteceu algo grave pra me ligar às 10h da manhã?!
- Desculpe, Má. Preciso de sua ajuda, de uma luz. Não sei mais o que fazer pra Helena me perdoar ou pelo menos me ouvir.
-
Eu devia saber. O problema de sempre. Amiga, a coisa esta feia. Tentei
falar, mas ela nem me deu bola, não quis ouvir uma única palavra. E o
pior: ainda por cima me chamou para irmos a uma boate. Disse que um amor
se cura com outro. E que vai voltar a pegar geral....
Cristina arrepiou-se.
-
Que droga! Ela tem razão para estar brava, mas não pra procurar outra. É
uma galinha mesmo e a boba aqui sofrendo. Melhor esquecer mesmo.
Marcelo tentou adotar um tom mais conciliador:
-
Amiga, nada de desânimo. Helena está se fazendo de durona. Sei o quanto
ela está sofrendo, mas não consegue admitir nem sob ameaça de morte.
-
Depois da festa de amigo secreto não a verei mais. Portanto, só tenho
que agüentar esses últimos dias. Depois vou tentar esquecê-la de vez.
-
Pare de ser derrotista, Cris. Lute pelo menos uma vez! – tentou animar,
mas depois ficou pensando alto: - Humm, festa de amigo secreto? Onde e
quando será essa festa?
- Nem fique interessado. Será
só para funcionários, mas vai acontecer no dia 22, na empresa mesmo.
Será minha última chance de vê-la, pois ela tem me evitado. Depois só a
verei em reuniões.
-Cris, essa é a sua chance amiga. Não pode deixar passar essa oportunidade.
- Como assim, Má? Qual oportunidade? O que você está planejando?
- Amiga, me ouça. Vou dizer o que você tem que fazer. Duvido que depois disso ela não volte a ficar de quatro por você.
Marcos falou sobre seu mirabolante plano e Cris gostou da idéia.
Helena
evitou Cristina de todas as formas imagináveis. Se por acaso Cris
entrava no elevador e ela já estava, saía e ia pelas escadas. Se Cris já
estava no elevador, ela não entrava e esperava o próximo. Quando estava
no escritório trancava a porta e dava ordens expressas a Vera para não
marcar reuniões com Cristina. Devolvia flores, presentes e bombons que
Cristina enviava, acompanhado por um cartão desaforado: “Cristina, agora
quem não pode aceitar sou eu. Me esqueça”.
Finalmente o
dia 22 de dezembro chegou. O escritório estava em festa. Último dia de
trabalho. Após o almoço não houve expediente e a tarde foi reservada
para confraternização entre os funcionários. Como de costume Helena
agradeceu a todos pelo desempenho durante o ano, deu apertos de mão,
distribui gratificações e presentes para os funcionários que mais se
destacaram. Foi montado um palco para que cada um apresentasse seu amigo
secreto da forma mais criativa possível. Cristina demorou a aparecer.
Helena conversava com Kely, mas a todo minuto procurava com olhos
instintivamente por Cristina. Finalmente chegou a vez de Helena revelar
quem era o seu amigo secreto.
- Gente, gostei da
criatividade de todos para revelar o seu amigo secreto. Mas a forma que
encontrei para dizer quem é o meu amigo foi fazendo uma homenagem. A
pessoa a qual me refiro trabalha comigo há anos, sabe tudo sobre mim e
me conhece mais do que eu mesma. Ela tem uma paciência infindável, um
amor e uma grande competência no trabalho e essa qualidade vi em poucas
pessoas. Alguns dizem que ela puxa meu saco, mas, na verdade, sei que
ela tem um carinho enorme por mim. Só tenho a agradecer e dizer que a
amo. Peço desculpas pelas minhas grosserias desse ano, mas já adianto
que ano que vem vou repeti-las. Portanto, Vera vá se preparando.
Os outros funcionários, na empolgação do discurso, gritavam: “marmelada, marmelada”...
Vera
não se cabia em contentamento. Acabou chorando com as palavras de
Helena e, encabulada, subiu para abraçá-la e receber seu presente.
-
Vera, esse ano você vai ganhar um presente especial. Sei que você é
louca pra conhecer a Itália, Veneza. Portanto, comprei duas passagens e
reservei um hotel por vinte dias. Pode levar quem você quiser, até o
chato do seu marido – ela foi dizendo, sorrindo, num tom mais baixo, com
o microfone abafado pela mão - Nesse envelope tem fotos de 25 garotos
de programa pra você escolher o que mais gostar. Pode escolher qualquer
um que eu também pago. Quero ver um sorriso no seu rosto o ano todo,
Vera.
A secretária ficou com o rosto vermelho de vergonha.
-Helena, você acha que eu sairia com um garoto de programa?
-
Não sai porque é boba, mas tudo bem. Se quiser, é só escolher –
respondeu Helena, piscando o olho – Vera, agora pode entregar o meu
presente. Esse ano não precisa de discurso e fingir suspense.
- Quem disse que você é a minha amiga secreta?
Helena sorriu sem entender a reação da secretária:
-
Vera, há 6 anos sou sua amiga secreta. Todo mundo sabe disso. Não sei
se você rouba ou se ninguém quer ser meu amigo... Só sei que você sempre
fica com a grata função.
Helena insistiu, ainda em tom de brincadeira:
- Vai, Vera: tô ansiosa. Passa meu presente.
A secretária continuou negando:
- Helena, já disse que não é você.
Helena desce do palco com a cara emburrada. Vera tentou se justificar pelo microfone:
-
Gente, vocês não acreditam, mas nos seis anos anteriores foi pura
coincidência eu ter a Helena como minha amiga secreta. Mas Deus esse ano
ouviu minhas preces e me deu outra amiga.
Helena respondeu lá de baixo:
- Vera, já estou me arrependendo de ter te elogiado tanto.
Todos riram.
-
Á principio tive minhas divergências com ela, não gostei do seu jeito
senhora de si, mas com o tempo vi qualidades enormes. Ela é muito gentil
e educada ao tratar as pessoas, tem uma competência fora do comum. E se
um dia a Helena enjoar de mim quero ser a secretária dela.
Helena interfere mais uma vez:
- É assim que ela me agradece pela viagem? Pode devolver o presente, disse Helena irritada.
Vera sorri.
-
Helena, pare de sentir ciúmes. Você é única e sabe disso – e olhando
para a pequena platéia, revelou – Bom, a minha querida amiga é a
Cristina.
Todos assoviaram. Os rapazes gritaram em coro: “gostosa, gostosa”.
Cristina
subiu sem jeito ao palco. Estava visivelmente encabulada. Deu um abraço
forte em Vera e recebeu um lindo colar de presente.
-
Não sei nem o que dizer. Aproveito o momento para agradecer a todos,
pois me receberam de braços abertos. Deram-me toda ajuda e o apoio
necessário para que eu pudesse desenvolver meu trabalho de uma forma
tranqüila – ela começou dizendo - Todos sabem que trabalhar ao lado de
dona Maria Helena não é fácil. Ela é exigente, sistemática, tem horários
britânicos, mas todas essas qualidades, que uns podem achar que são
defeitos, me ajudaram a desenvolver um excelente trabalho nesses últimos
meses. Aprendi muito com ela e estou muito feliz em trabalhar na
S&TI. Realizei um sonho e ser promovida foi à prova que meu
trabalho e esforço foram reconhecidos.
Helena ouvia o discurso de Cristina e pensava: “Nossa, ela acha que sou chata assim?”. Cristina continuou a falar:
-
Tive a oportunidade de tirar como amiga secreta à pessoa mais
importante na empresa e na minha vida. Essa pessoa me mata de raiva
algumas vezes, mas por todos os momentos me enche de alegria. Estar ao
seu lado é viver intensamente: é ser criança e mulher ao mesmo tempo.
Ela me faz sentir que sou capaz, me dá forças, me encoraja mesmo que
seja a fazer burrada. Ela me faz ver o mundo com seus olhos e esse é um
mundo mais colorido, mais simples de ser vivido.
Cristina faz uma pausa e recomeça, com um tom emocionado:
-
Desde que comecei a trabalhar na S&TI, ela esteve ao meu lado
em todos os momentos e no momento mais difícil da minha vida pessoal,
ela estava lá em pensamento, mas estava lá. Lembrei de suas palavras:
“Cris, as coisas que realmente conquistamos ninguém nos tira”. Foi
acreditando nessas palavras que consegui meu espaço na S&TI e
sei que estou dentro do coração da mulher mais turrona, mais cabeça
dura, mas que eu amo muito, amo mesmo.
Ela disse isso e encheu os pulmões de ar antes de falar:
- Minha amiga e amor secreto é Helena.
Fez-se
um silêncio geral. Ninguém acreditava no que estava ouvindo. Helena
bebeu todo o whisky do copo de uma vez. Não mexia um só músculo.
Cristina, não satisfeita com o discurso que parou a festa, tirou um pequeno papel do bolso e leu o poema:
“Amo amar você / Amo amar você / porque exatamente não sei dizer/
são
tantos os benefícios que me trazes / tantos malefícios que também me
fazes/ mas amo amar você mesmo assim.../ Amo amar você / às vezes com
este teu jeito moleque / que muito me diverte
outras vezes jeito de velho ranzinza / mas amo amar você mesmo assim... / Amo amar você / que uma hora me abraça com carinho
outras me diz palavras em desalinho / me deixando sem saber o que fazer / mas amo amar você mesmo assim.../ Amo amar você /
quando se põe dengosa querendo colo / quando nem quer ouvir minha voz / aprendi a compreender você, então / amo amar você...”
Helena
sentiu o mundo parar nesse momento, suas pernas tremiam, suas mãos
suavam frio. Ficou pálida. Não sabia se ficava alegre, se corria pra
abraçar Cris ou se fugia dali. De repente sentiu uma cotovelada de Vera
em suas costelas.
- Helena, ela está fazendo uma declaração de amor pra você. Deixa de ser turrona e vá até lá agora!
Todos
estavam ansiosos para ver a reação de Helena. E sentindo o chão fugir
dos pés, caminhou até o palco, pegou o presente da mão de Cris, deu-lhe
um abraço apertado e um beijo no rosto. Afastou-se sem dizer uma só
palavra. Caminhou para o seu escritório lentamente. O que tinha
acontecido? Estava acostumada a surpreender as pessoas e não a ser
surpreendida. Ouvir e ver Cristina revelar que a amava na frente de
todos do escritório deixou sua cabeça em parafuso. Imaginava o esforço e
a coragem que Cristina teve. Encheu-se de carinho, os olhos encheram-se
de lágrimas, sentou-se em sua cadeira de costas para a porta. Abriu seu
presente. Era um quadro com o desenho do Homem Aranha que, com uma mão
segurava-se na teia e, segurando seu pescoço estava Helena.
Ela
não segurou-se e riu da montagem feita. Prestou mais atenção e percebeu
algo estranho. Viu que a cor dos olhos do Homem Aranha eram negros. E a
boca parecia muito familiar. Olhou fixamente e percebeu que eram de
Cristina. Ficou passando os dedos sobre os lábios daquele desenho.
Parecia anestesiada. De repente sente algo frio encostar-se em sua
nunca. Ouviu uma voz masculina dizer:
- Não se mexa, não faça nenhum movimento brusco. Assim não machuco você.
- O que você quer? – ela perguntou abismada, sem entender o que estava acontecendo.
- Fique quieta e faça tudo que eu mandar.
Helena levantou as mãos e disse, temerosa:
- É só dizer o que quer que eu dou: dinheiro, jóia.
- Só quero que cale a boca.
O
homem colocou um capuz sobre a cabeça de Helena e a algemou na cadeira.
Helena ficou calada. Achou estranho toda a movimentação na sala. Ouvia
passos de mais de uma pessoa e a voz masculina não lhe era estranha.
“Ahhh, quando sair daqui saberei quem é o sacana. Ele não sabe que está sendo filmado”.
Continuava ouvindo passos, sussurros, barulho da mesa sendo arrastada.
“O
que será que eles estão fazendo?”. Começou a sentir medo. O medo fez
com que Helena visse toda sua vida em um rápido flashback. Lembrou das
brincadeiras com seu irmão e com Esther, lembrou do cheiro do bolo de
cenoura com cobertura de chocolate que Zefinha fazia todas as tardes de
sábado, lembrou da primeira vez que foi ao escritório com seu pai e do
orgulho que sentiu quando ele disse que aquela cadeira um dia seria
dela, lembrou do dia que acordou toda arrebentada no hospital devido à
queda de uma moto e quando abriu os olhos sua mãe estava segurando sua
mão, lembrou do nascimento dos sobrinhos um a um, lembrou do dia em que
viu Cristina pela primeira vez, sentiu vontade de chorar tinha medo de
morrer e não poder dizer a Cristina o quanto a amava, “como fui idiota
porque não disse a ela tudo o que sinto há cinco minutos atrás”. De
repente, ouviu a música “Kiss”, do Prince.
- O que está acontecendooooo? - perguntou brava.
Seu capuz foi retirado e viu Cristina vestida de Mulher Gato dançando sensualmente pra ela.
Helena
não conseguiu esconder a cara de espanto, mas no segundo seguinte,
colocou o seu melhor sorriso sacana no rosto. Sentiu um alivio. “
Obrigada Deus por me dar mais uma chance “.
Cristina
dançava e tirava a roupa fazendo um striptease maravilhoso para o
deleite de Helena. Ao término da musica, Cristina estava só de salto e
meias pretas e máscara. Caminhou até Helena sentou-se em seu colo e
beijou sua boca. Ofegante, Helena tentou abraçá-la, mas estava algemada.
- Porra, Cris! De novo não!
Cristina pousou o dedo indicador em seus lábios fazendo que se calasse.
Beijou
novamente Helena. Um beijo longo, ardente, com desejo. Ao final, mordeu
o lábio inferior de Helena. Percorreu com o dedo os seios de Helena
sobre a blusa e de súbito abriu sua camisa arrancando todos os botões,
deixando os seios à mostra sob o sutiã. Cristina beijava seu colo e
colocava uma de suas mãos por dentro do sutiã, acariciando o seio rijo e
excitado. Com a outra mão ergueu a saia de Helena e pode sentir como
ela estava excitada.
- Cris, me solte, por favor. Quero te tocar, preciso estar dentro de você.
Helena sussurrava entre os beijos dados no pescoço de Cris.
- Não Lê, quero você assim. Quero ter você pra mim.
Cris
levantou-se do colo de Helena e foi até o aparelho de som. Colocou
outra música: “Nothing Compares 2U” (Sinead O´Connor) e depois retirou
de uma bolsa um pênis duplo. Encaixou em seu corpo e o fez de forma que
Helena apreciasse a cena. Helena sabia que estava apaixonada por
Cristina desde aquela manhã em seu apartamento onde foi possuída por
ela. Sabia que se acontecesse novamente não teria mais coragem para
fugir...
- Cris, meu amor, deixa que eu uso esse brinquedo em você.
Cristina
não respondeu. Sabia que era sua última chance de ter Helena de uma vez
só pra ela. Caminhou devagar, queria torturar sua mulher. Passou pela
mesa e pegou uma tesoura. Agachou-se em frente a Helena e cortou sua
calcinha. Introduziu um dedo e sentiu o calor do corpo de Helena, que
parecia estar pegando fogo. Helena gemeu, começou a mexer os quadris.
“Resistir pra quê, Helena?!”.
Cris
sentiu que o gozo estava próximo e sugou Helena com todo o desejo do
mundo. Helena debatia-se na cadeira, sentia muito prazer, gozou rápido,
um gozo intenso. Cristina levantou e ficou entre suas pernas. Beijou sua
boca novamente e compartilhou o gosto. Cris puxou os quadris de Helena
para frente e abriu bem suas pernas, introduzindo o brinquedo de uma só
vez. Começou a fazer movimentos lentos, mas gradualmente foi aumentando o
ritmo. Helena cruzou as pernas sobre suas costas, mordia seu ombro cada
vez mais a medida que outro orgasmo chegava. Gozaram dessa vez juntas,
um gozo único e intenso. Os espasmos não paravam. Seguiam-se outros. A
respiração ofegante. As pernas de Cris fraquejaram e ela sentou-se no
colo de Helena, abraçada ao seu pescoço. O mundo, que tinha parado para
as duas, voltou a girar. Aos poucos a respiração foi voltando ao estado
normal e então, Helena falou ofegante:
- Meu anjo, por favor, solte minhas mãos.
Cris
pegou a chave das algemas que estava presa em seu sapato e soltou os
pulsos de Helena, marcados após o esforço feito. Cristina beijou
carinhosamente cada um dos pulsos.
- Desculpe, meu amor. Não queria te machucar.
Helena sorriu, maliciosa:
- Não tem problema. Quero que me machuque assim todos os dias.
Cristina fixou seus olhos nos de Helena:
- Lê, me perdoa? Fica comigo? Eu te amo muito. Não sei viver mais sem você, sabia?
- Claro que sei. Quem prova de Maria Helena nunca mais esquece.
Cristina abraçou-se a ela e disse, com o rosto enterrado em seu peito:
-
Sua convencida. Mas amo esse seu convencimento, amo seu sorriso, amo
seu jeito de fazer amor comigo, amo cada pedacinho de você.
Cristina beijou-a novamente e pediu:
- Lê, fica comigo pra sempre?
Helena abraçou-a com força e com carinho.
- Cris, obrigada por não ter desistido de mim. Ficarei com você pra sempre sim ou até você enjoar de mim.
- Enjoar de você, como? Como vou enjoar da mulher que amo e que a cada dia me surpreende? Só se eu fosse maluca.
Ficaram
abraçadas por um tempo trocando beijos e juras de amor eterno. Fez-se
silêncio por uns instantes, cada uma envolta em seus pensamentos. Foi
quando Cristina quebrou o silêncio e disse:
- Lê, quero te pedir uma coisa.
- Tudo o que você quiser.
- Quero meus presentes que estão no cofre. A maioria nem sei o que é. Passei todo esse tempo morta de curiosidade.
Helena soltou uma gargalhada.
-
Bem feito, sua orgulhosa. Se tivesse ao menos aberto antes de
devolver... eu disse que um dia você aceitaria todos os meus presentes.
Se tivesse sido paciente, pelo menos já saberia o que era.
- Ahh, vá pegar, por favor – disse Cristina, fazendo bico.
Helena
carregou Cristina no colo até o sofá. Abriu o cofre e voltou com os
braços carregados de pacotes. Cristina abria todos os pacotes feito uma
criança. Á medida que abria e via os presentes, seus olhos brilhavam de
felicidade. Helena colocava nela os brincos, o colar, a pulseira, vestiu
a lingerie preta. Helena deixou por último uma pequena caixa.
- Esse aqui era pra ser entregue no dia que fiz a declaração de amor a você, mas depois de tudo, desisti de entregar.
- Por que? Abre, quero ver.
Helena abriu e retirou duas alianças de brilhante. Não precisou dizer o motivo por não ter entregue. Helena pigarreou e disse:
-
Cristina Isabel, aceita ser minha companheira na saúde e na doença, na
alegria e na tristeza ou até que uma pilantra nos separe? – ela disse e
sorriu. Mas voltou a ficar séria:- Prometo que, se aceitar lhe darei
muito amor, carinho. Prometo que cantarei todos os dias para você
acordar, prometo ser mais tolerante, menos chata. Prometo que ouvirei
sua músicas bregas sem reclamar e serei a mais fiel possível por toda a
minha vida.
- Aceito – disse Cristina entre gargalhadas.
Depois, disse séria, olhando dentro dos olhos de Helena:
-
Se uma pilantra aparecer entre nós, prometo furar os olhos dela ou os
seus. Aceito muitas coisas, menos traição, portanto, se quiser ficar
comigo, será só comigo porque serei só sua, entendeu?
- Tá bom, tá bom, pode confiar.
Trocaram
as alianças, colocando-as no dedo. Cristina não se cabia em
contentamento. Depois de um certo tempo contemplando a aliança no dedo
anelar, Cris comentou:
- Lê, não vi a roupa do Homem Aranha que você me deu.
-
Você recusou, peguei pra mim! – ela disse, sorrindo e abraçando
Cristina - Sabia que aquela roupa é a original do primeiro filme? Gastei
uma fortuna nela. Pena, porque ficou pequena em mim.
- Quero de volta minha roupa. Você me deu. Não pode pegar pra você.
- Cris, você devolveu, portanto me pertence. Não vou dar novamente. Peça outra coisa.
- Helena, quero a roupa de volta ou nosso casamento está acabado agora.
- Cristina, não apela. A roupa está lá em casa. Você pode ver de vez em quando. Eu deixo.
- Lêêê..........quero minha roupa de volta.
- Não vou dar....
A discussão boba prossegue.
Passou-se
uma semana. Dia 31 de Dezembro. A família de Helena toda reunida na
casa de Esther para o reveillon. Helena está um pouco pensativa. Há
muito tempo não comemorava o Ano Novo e seu aniversário com sua família.
Estava sempre em festas com amigos e com mulheres que, no dia seguinte,
nem lembrava o nome. Estava feliz por estar ali com Cristina, com
Esther e com as crianças. Nem brigou com sua mãe como de costume. Estava
muito feliz para deixar que algo ou alguém estragasse esse momento.
Percebeu
que começava a contagem regressiva e arrastou Cristina para a
biblioteca. Queria ficar a sós com ela na passagem daquele ano. Entre os
beijos ouvem as pessoas contando 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1! Os
fogos anunciam a chegada do Ano Novo.
- Feliz Ano Novo e Feliz Aniversário, Helena – diz Cristina.
-
Obrigada, meu amor. Esse é o aniversário mais feliz da minha vida. Ter
você comigo é o melhor presente que eu podia ter – ela diz, emocionada -
Feliz Ano Novo pra você também.
- Helena, você só poderia ter nascido mesmo no dia 1 de janeiro. Não imagino outro dia ideal.
- Por que?
-
Porque no dia primeiro desejamos mudança em nossa vida e na dos outros.
Desejamos felicidades, desejamos tudo de bom e você é tudo isso:
mudança contínua, alegria e é tudo de bom na minha vida.
Helena abraçou e beijou carinhosamente Cristina, e disse baixinho em sue ouvido.
-
Cris, já disse que não quero que soltem fogos no meu aniversário mas
todos os anos é a mesma coisa, ai é duro ser famosa!!! Ganhou um pequeno
beliscão. – Convencida. Cristina a levou para a sala para comemorarem o
ano novo com todos.
"Quem teve a idéia de cortar o
tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial:
industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro
número e outra vontade de acreditar, que daqui para diante vai ser
diferente.” (Carlos Drummond de Andrade).
FIM
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Gostaria
de pedir desculpas às leitoras pelo atraso no envio dos capítulos e
agradecer pela paciência e pelo carinho que me foi dado.
Quero
fazer um agradecimento em especial a quatro pessoas que foram
essenciais que me ajudaram muito no início e no término do conto.
A
primeira pessoa é a Lea, se não fosse por seu apoio e incentivo não
teria voltado a escrever, e teria largado algo que me dá muito prazer.
A
segunda pessoa é Hanna-K, me ajudou com a revisão dos capítulos, teve
paciência comigo, foi amiga em todas as horas, depois que eu a conheci
voltei a acreditar nas pessoas, voltei a acreditar que ainda existem
pessoas que ajudam as outras apenas pelo prazer de ajudar sem nada
esperar em troca.
A terceira pessoa é a Sara G, minha
primeira fã e que por coincidência parece fisicamente com a Maria
Helena, às vezes quando a imagem de Helena fugiu da minha cabeça eu
olhava pra foto da Sara e continuava escrevendo. Uma garota linda,
meiga, inteligente.
E por último minha amiga Mascote.
Sem ela com certeza não teria terminado o conto, ohhh mulher insistente,
brigava comigo porque demorava pra escrever me dava cada bronca, ta ai
amiga terminei..ris.
Obrigada a todas que enviaram
e-mail com criticas, sugestões e elogios. Essas palavras foram
importantes, é imprescindível para um autor saber se o que escreve esta
atingindo as pessoas da forma que esperava. Acredito que o meu objetivo
tenha sido atingido se em apenas um momento tirei um sorriso de vocês.
Escrever
Quem é essa mulher me proporcionou muito prazer, e o maior prazer que
me deu foi aumentar meu circulo de amigos entre eles: Bia, Dada,Rose,
Carla, Karol e a minha amada Verônica.
Vou escrever a
continuação desse conto, Helena e Cristina tem muita coisa pra contar
ainda, mas essa idéia ainda esta nascendo mas quando estiver pronta
compartilharei com o vocês. Obrigada e um grande beijo no coração de
todas