Encontro Marcado - Lu Cavalcante




Encontro marcado

Contato :lukavalkante@bol.com.br






Olá garotas!

Encontro marcado é o primeiro conto que publico na internet.

Conta a estória de duas mulheres que de repente tem as vidas ligadas por um encontro virtual.

Uma delas acredita que irá encontrar um grande amor em um site de relacionamentos a outra nem tanto, mas qual das duas estará com a razão?

Em Encontro Marcado faço uma pequena homenagem a Fernando Sabino que escreveu “O Encontro Marcado”, o primeiro livro que li na adolescência, mas esse conto não tem nada a ver com o livro de Sabino.

Espero que gostem.

Lu Cavalcante.

Contatos: lukavalkante@bol.com.br



Captilulo 01

[09/04/12]



> Você é bonita?

> Claro, sou linda!

> Se descreva.

> Alta, morena, magra, olhos claros, bem educada, culta, inteligente e charmosa.

> Não acredito.

> Por quê?

> Não tem defeitos?

> Milhões.

> Diga-me três

> TPM.

> Três.

> Olha garota, a este se somam pelo menos dez.

> Me diga...

> Está bem, lá vai. Luxúria, gula e preguiça.

> São pecados e não defeitos.

> Ok doutora. Não vou ficar fazendo propaganda contraria a minha pessoa. Se quiser descubra.

> Porque você me chamou de doutora?

> Vc ta parecendo psicóloga.

> Ah, sei... Sou médica, acertou e você em que trabalha?

> Não trabalho.

> Como?

> To brincando.

> Trabalho em um hospital e sou técnica de enfermagem.

> Acho melhor falar a verdade.

> Minha cara, não estou mentindo. Mas deixa eu te falar, já está tarde e se não se importa eu vou parar por aqui. Estou cansada.

>Você se ofendeu.

> Não. Eu e você sabemos o que os médicos pensam sobre nós auxiliares e técnicos de enfermagem. Acho melhor não prolongarmos este encontro.

>Você sabe o que eu penso? Claro que não. Você se ofendeu, mas tudo bem está tarde e eu não vou mais me prolongar. Mas amanhã entro novamente em contato às 21:00h certo?

> Quem sabe...

>Se você não me atender eu vou ficar insistindo.

> Porque todo este interesse?

>Nunca conheci ninguém por esta via e me interessei por este tipo de contato. Acho que eu sou o único ser vivente que nunca usou a web para entrar em contato com alguém.

>...

>Oi? Você está ai?

> Certo, amanhã então.

>Ok durma bem.

>Obrigada doutora, durma bem também.

*****************************************************************************

¬ ¬- Então, me saí bem?

- Muitíssimo minha cara, será que ela é realmente técnica de enfermagem?

- Sei lá e nem estou interessada, isto é apenas uma aposta e eu não vou perdê-la. Como eu falei, vou encontrá-la e vocês dois vão estar por perto para que nada me aconteça.

- Sei, mas se Deus existe ela há de ser uma diva das sapatas.

- Meu caro Carlos Alberto, você como sempre um otimista.

- Quando encontrei meu lindo Pedro, ele disse que jamais se interessaria por mim e cá estamos, não é meu amor?

- Como você imagina que ela seja minha irmã?

- Deve ser feia, desinteressante, pouco atraente e cultiva um certo tipo de psicopatia social, destas que incapacitam o ser humano a ir ao encontro de alguém por vias mais clássicas.

- Será?

- Claro que não. Ela deve ser tímida.

- Claro que não ela deve ser um ser problemático e agora se os senhores me derem licença vou para o meu quarto. Boa noite.

- Boa noite maninha.

- Boa noite cunhada.

- Começamos mal. Esta sapa não poderia ser outra coisa que não técnica de enfermagem?

- Ah deixa pra lá. Já estou vendo meu bolso pagando o champanhe do ano novo. Droga!

- Seja otimista, vamos ter fé. Aposto que esta sapa é interessante.

- Quanto custa uma caixa de Veuve Clicquot?

- Caro muito caro.

- Você paga.

- Eu não a idéia de jerico foi sua meu caro.

- Ai minha calça Diesel dançou.

- Não seja dramático e vamos dormir tá?

- Certo, amanhã as nove, outra sessão e mais uma rodada. Façam suas apostas.

- Cacá vamos?

- Já vou amor.







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Capitulo 2

[11/04/12]

>Oi? Tudo bem?

>Oi doutora, tudo bem e vc?

>Porque você se tornou vc?

>Sei Lá? Mas não estou aqui para discorrer sobre a gramática na web. Acho que a língua é viva e dinâmica, mas vamos falar nosso velho e bom português. Como você está se sentindo hoje doutora, o dia transcorreu sem nenhum atropelo?

>Sem nenhum e pra seu governo a língua é viva, mas a sua destruição não. Eu li a alguns dias atrás uma mensagem da minha sobrinha, parecia códigos de guerra.

>E são. São códigos secretos contra bisbilhoteiras. (risos).

>Ok, um ponto pra você. Você tem filhos?

>Não. Por quê?

>As defesas aos códigos me pareceram maternais.

>Eu terei um filho, não tive até agora por pura preguiça.

>Ah! A preguiça, realmente é um defeito e um pecado. O que mais você não fez por preguiça?

>Tanta coisa e não me arrependo de nada, nem do que fiz e muito menos do que eu não fiz. Arrependimentos causam amargura que causam estresses que causam rugas e no seu ponto máximo solidão e depressão. Portanto sou uma preguiçosa convicta e feliz até onde se pode ser feliz.

>É você tem razão à amargura nos leva a caminhos desastrosos.

>Quais são os seus defeitos doutora?

>Perfeccionismo, arrogância, autoritarismo e uma enorme dose de egocentrismo.

>Meu Deus estou falando com uma Generala de cinco estrelas!

>Não você está falando com uma médica (risos).

>Esqueci desta parte. Medicina e direito, duas carreiras e milhões de egos.

>Claro somos nós os donos da verdade. (risos).

>Tenho certeza que sim.

>O que? Não tem contraditório?

>Não. Concordo com a importância dos juízes e dos médicos. Os médicos decifram códigos genéticos e os juízes decifram os códigos da sociedade. Realmente tem de ser carreiras de grande pompa e egos elevados, mas eu prefiro as artes, estas revelam a alma humana.

>É tem razão.

>Sempre tenho. (risos). Brincadeira!

>Você hoje está mais leve.

>Impressão sua. O dia foi pesado, mas não quero falar dele.

>Será que tenho alguma participação neste peso?

>Não, claro que não. Ontem foi só uma pequena rusga em nosso relacionamento virtual.

>E o que foi o peso do dia?

>Morte, velório é sempre muito pesado.

>Quem faleceu?

>Um primo. Mas não quero falar disto agora com você.

>Sinto muito.

>Eu também.

>Nós temos um relacionamento?

>Só para tornar a conversa mais próxima doutora.

>Eu quero realmente ficar mais próxima de você. Hoje pensei como seria o seu rosto.

>E como você me imagina?

>Como a descrição que você me ofereceu.

>Ah... Então tudo bem pode estar certa que eu não menti.

>Você é alta, morena, olhos claros?

>Eu tenho 1,70 de altura tenho cabelos castanhos escuros e olhos castanhos claros, então, alta, morena, olhos claros e o resto só qualidades.

>Os cabelos são longos ou curtos?

>Curtos.

>Quantos anos você tem?

>33. E você?

>40.

>7 anos a mais? Olha que número!

>O que representa o número 7?

>Segundo a bíblia a perfeição. Dia do descanso divino após a criação. Olha que importante!

>Qual o seu peso?

>60k, mas esta semana perdi uns dois eu acho. Mas pretendo recuperá-los comendo bravamente este fim de semana.

>Vai a algum evento?

>Casamento na roça.

>Olha, pretendia te convidar para jantar em restaurante japonês para que você não perdesse a linha, mas pelo que vejo terei que esperar.

>Doutora está tarde e tenho que ir.

>Levei um fora?

>Não. Se quiser me encontrar, marcaremos então um encontro a semana que vem. O que Acha?

>Que dia? Pode ser na quarta?

>Na quarta faço um curso em um shopping. Se você quiser ver-me estarei às dezoito horas em frente à Vintage vinhos. Irei vestida com uma blusa vermelha e certamente estarei sentada em frente à loja conversando com um algum outro aluno ou aluna do curso. Se quiser se aproxime, se não, depois você me diz se gostou ou não do visual. (risos).

>Prefiro te esperar. Quinta feira?

>Claro, quinta feira é um dia bom para mim. Aonde você quer que nos encontremos?

>Em um restaurante? Quer jantar comigo técnica de enfermagem?

>Aceito, um restaurante italiano?

>Por quê?

>Cabe no meu bolso.

>Eu convidei, eu pago.

>Sem essa doutora. Encontros, encontros, contas à parte.

>Ok sugira a cantina.

>No primo canto?

>Lugar pequeno.

>Aconchegante.

>Certo. Às nove?

>Estarei lá.

>Como te reconhecerei?

>Estarei de gravata.

>Jura?

>Prefere um sapato vermelho com bolinhas amarelas?

>Mas porque a gravata?

>Sei lá, resolvi agora.

>Que seja então até quinta e divirta-se no baile.

>Com certeza doutora.

***************************************************************************

- Gravata? Ela é sapatão.

- Tomara e que seja gorda e feia e com a pele cheia de acnes.

- Credo Andréia que destino cruel. Ninguém é assim tão monstruosa.

- Está bem, ela é magra, usa óculos com fundo de garrafa, suga o macarrão fazendo barulho e lambe os lábios repetidas vezes enquanto come.

- Certo farei as reservas e veremos quem paga o champanhe.





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Capitulo 3

[13/04/12]

- Oi doutora?

- Oi Pedro!

- E aí ansiosa para o grande encontro?

- Na verdade só pensei nele agora. O dia foi incrivelmente agitado aqui.

- Você ainda vai ter que vir aqui maninha. Os representantes dos equipamentos de radiologia estão me oferecendo milhões de marcas e tamanhos e coisas que eu não sei resolver.

- Pedro, marca pra amanhã a tarde, hoje realmente não tem jeito.

- Andréia, você não vai resolver tudo sozinha. Arranja uma assessora, sei lá, uma secretária que não tenha 800 anos de idade. Dona Gilda é legal e tal, mas ela tá velhinha e não agüenta seu ritmo.

- Eu sei. Ela irá se aposentar no mês que vem e este é outro problema que terei que resolver. Vou selecionar alguns currículos para contratar uma assessora.

- Tudo bem. Marcarei a reunião para amanhã as três e arranje uma brecha nesta sua agenda ok?

- Certo Pedro. Arranjarei.

- Ah! Sábado é o aniversário do papai, não esqueça.

- Mamãe não me deixa esquecer um só dia. Está preparando uma festança e quer que eu leve alguém, que pode ser até uma “amiga”. Pode?

- Ela quer te ver casadinha.

- Só se for com a UNESCO.

- Hoje a sorte estará lançada.

- Você só pode estar brincando. Vamos supor que ela seja incrível, não levaria uma estranha para a casa dos meus pais.

- Porque não? Pessoa mais estranha que mamãe não existe.

- Pedro vá trabalhar. Beijos.

- Beijos. Estaremos lá.

- Espero que sim.

Parei o carro em uma ruela onde encontrei um estacionamento para chegar enfim àquela cantina minúscula em um bairro bem afastado do meu. Tinha uma sensação estranha em relação a este encontro. Parecia que eu estava indo dar meu primeiro beijo ou para a primeira noite de sexo.

Estava com uma sensação de estar cometendo uma infração ou uma contravenção, alguma coisa furtiva e ilegal. Claro que iria revelar a minha “amiga” virtual o motivo da minha decisão em querer encontrá-la. Talvez pudesse feri-la, mas não estava preocupada com este fato. Diria que fora apenas uma aposta em uma roda de amigos num encontro de final de semana.

As pessoas naquela noite me afirmaram que os encontros num futuro bem próximo teriam como principal palco a virtualidade. Incrível, virtual se tornou verbo e os encontros amorosos feitos através de sites de encontros, e-mails e sites de conversação. Eu logicamente discordei e me posicionei radicalmente contra. A discussão resultou numa aposta onde eu teria que encontrar alguém na web e se ela fosse interessante teria que confessar a todos e me render à teoria ali elaborada. Se ao contrário a pessoa fosse completamente desinteressante, feia ou pouco atrativa, cada um que apostara seria responsável por prover uma caixa de champanhe que seria doada para o nosso ano novo. Na minha conta são no total de seis caixas de champanhe e uma de uísque. Se eu perdesse seria a patrocinadora da parte etílica toda. Não sei conseguirão beber tanto, mais sempre se bebe muito.

Finalmente cheguei até a porta da cantina. Meu irmão e o namorado já estavam em uma mesa um pouco mais à frente da mulher vestida de preto. Cacá me apontou a moça.

Ela estava sentada de costas para porta de entrada. Acho que ela o fez de propósito, para que não a visualizasse de pronto quando chegasse. Fiquei parada na porta. Um senhor que me parecia o metre veio me recepcionar, me informando que a cantina estava cheia e se eu não me importaria em esperar. Eu lhe informei que iria encontrar uma amiga e apontei a moça de preto. Ele então gentilmente me deu passagem e me conduziu até a mesa onde a moça se encontrava. O metre afastou a cadeira para que eu me sentasse. Ela me olhou, abriu um sorriso, eu fiquei de pé a observando. O metre ficou segurando a cadeira, então sentei.

- Algo para beber senhora?

- Uma água, por favor.

- Com gás?

- Sem gás, obrigada.

- Doutora?

- Sim.

- Prazer doutora, bem vinda ao seu encontro real.

- O prazer é todo meu. Como devo te chamar?

- Luciana.

- Prazer Luciana, Andréia.

- Prazer doutora Andréia.

- Pode deixar o título de lado. Prefiro ser chamada apenas pelo nome de batismo.

- Claro.

- Você não mentiu. Tem mesmo as características que você descreveu. Você é bonita Luciana.

- Nunca minto. Obrigada pelo elogio Andréia.

- Como você me imaginava?

- De uniforme do exército. Brincadeira. Imaginava-a uma mulher atraente.

- Como é uma mulher atraente?

- Alta, cabelos ruivos e ondulados caídos nos ombros, vestida com sobriedade. Olhos escuros e a pele clara. Você é bonita Andréia.

- Acha mesmo?

- Sim. Nunca minto.

- Pedimos as bebidas?

- Sim claro, um Chianti para combinar com a cantina?

- Você é conhecedora de vinhos Luciana?

- Sou uma curiosa da bebida dos deuses. Você aprecia vinhos?

- Muito, minha família é italiana, então, o amor pelo vinho é cultivado desde cedo. Às vezes se dilui o vinho e se dá para as crianças beberem. Claro que hoje esta prática já está quase extinta, mas, ainda peguei um pouco desta prática questionável. Meu avô, após a missa de domingo, nos fazia provar os vinhos com vendas nos olhos. Imagina se hoje seria possível tal prática.

- Que interessante, eu adoraria ter sido educada assim, com primores enólogos. Então estou diante de uma especialista. Peça o vinho.

- Senhor, por favor, um Brunello di Montalcino!

- Ei doutora, este custa todo o meu salário!

- Certo, então um Colli Senesi, está bem assim?

- Melhorou muito e meu bolso agradece.

- Eu te disse que pagaria o jantar e isto inclui a bebida também Luciana.

- Certo, quem sabe um dia dividiremos uma garrafa de Montalcino. Vinhos especiais para ocasiões especiais...

- Não é uma ocasião especial? É meu primeiro encontro via internet em 40 anos de vida.

- Certo isso a torna uma ocasião pouco comum, mas, não especial Andréia.

- Você é comprometida Luciana?

- Fui até um ano atrás, não sou mais.

- Por isso a inscrição em um site de relacionamentos virtual?

- Talvez, acho que tudo é válido quando se busca alguém, uma companhia, uma amizade, um relacionamento que se quer para si.

- Foi um casamento?

- Sim. Durou 7 anos. Não sobrevivemos a maldição dos 7 anos.

- O 7 não era a perfeição?

- Para os bíblicos de plantão. O tempo pode ser um aliado ou um inimigo depende da ótica. E você porque a inscrição?

- Uma aposta.

- Como?

- Uma aposta entre amigos. Apostei que as pessoas que se colocavam disponíveis na internet tinham algum tipo de bloqueio social. Incentivaram-me a testar minha teoria e aqui estou eu.

- Entendo. Sou o objeto de sua teoria. Como estou me saindo? Já identificou o tal bloqueio?

- Luciana, como você eu não minto. Vim para este encontro para comprovar a minha teoria, e tenha certeza que você é uma grata surpresa e eu acho que perdi a aposta. Mas vivendo e aprendendo a não ter pré-conceitos a respeito de qualquer assunto, principalmente os que desconhecemos.

- Cedo demais doutora para conclusões. Quem sabe sou uma psicopata doida para atacar doutoras que estréiam na rede. (sorri).

- O que você está buscando?

- Nem eu sei. Mas como você, não acredito em encontros marcados. Já tive alguns encontros pela internet e não foram lá muito produtivos. Você está certa no ponto que afirma que a pessoa que se expõe na internet tem dificuldades sociais, mas seus amigos devem ter lhe afirmado que os relacionamentos em muito pouco tempo serão efetivados em redes sociais, sites de relacionamento, sites de traição, sites de sexo, enfim o mundo encolheu e a internet é a nossa Ágora.

- Luciana, não sou dada a relacionamentos digamos duradouros. Se for esta sua expectativa, não posso correspondê-la.

- Vamos pedir?

- Sim.

Eu olhava para Andréia e sentia-lhe uma forte atração. Uma mulher linda, atraente, mas com a determinação em não se envolver, pelo menos comigo. Era quase imprescindível pensar que alguma coisa muito séria tinha lhe causado um grande mal a respeito de relacionamentos. Talvez por isso os amigos tenham a incentivado em procurar um site de relacionamentos. Seu olhar além de lindo me transmitia uma forte desconfiança ou uma dúvida, não só para comigo, seu primeiro encontro virtual, mas acho que para todas as pessoas que pretendessem se envolver consigo. E lá estava eu jantando em silêncio total com uma deusa de Botticelli, e pensando na conta, era final de mês e já estava praticamente dura e com a certeza que aquela linda mulher só pretendia isto mesmo: jantar se despedir e nunca mais. Droga! Que merda de vida! Quanto será o total desta maldita conta. Nunca mais, nunca mais dona Lu chegará perto de um computador para entrar em salas de bate papos, sites de relacionamentos e de qualquer coisa que te apontará rumo a uma desconhecida. Será? Mas se eu entrar novamente em contato com alguém convido só para um chopinho e pronto. Droga, mil vezes droga. Eu uma experiência, droga!

- Muito calada Luciana.

- Ham?

- Em que você está pensando?

- No dia de amanhã. Estava me programando.

- Fazendo planos?

- Para as primeiras 24h. Gostou da pasta signorina?

- Gostei, mas faço uma melhor. Quer provar?

- Quem Sabe um dia...

- Outro fora. Quantos você pretende me conceder?

- Achei que não quisesse mais me ver.

- Por quê?

- Convidar-me para um jantar em sua casa, creio que esteja pretendendo prolongar este nosso relacionamento? (disse esta frase sorrindo).

- É, este nosso relacionamento está me interessando.

- Em que ele te interessa?

- Achei que você fosse uma pessoa com um perfil um tanto, diferente. Achei nosso encontro agradável e porque não continuarmos a nos encontrar? Uma pasta preparada por mim e uno Buono vino que acha?

- Por mim vou adorar ter esta experiência enogastronômica. Estou adorando a sua companhia Andréia, essa noite se fez realmente muito agradável. Vamos pedir a conta? Já está um pouco tarde e amanhã a semana continua.

- Eu pago. Insisto.

- Andréia, não...

- Luciana, da próxima vez deixo que você pague, mas eu escolho o lugar que acha?

- Acho melhor eu pagar essa conta, levando em conta o vinho que a senhorita ia pedir acho muito arriscado fazer este pacto.

“Andréia sorriu lindamente.”

- É pegar ou largar.

- Certo doutora, amanhã providenciarei as horas extras.

Rimos as duas.

Luciana era realmente interessante. Uma linda morena. Seu sorriso era franco. Luciana era transparente. Estava quase estampado na sua linda face que ela estava à procura de um relacionamento ou de um provável namoro ou até de um casamento. Eu? Agora queria sexo. Claro já estava tudo armado em minha mente. Um jantar tranqüilo no meu apartamento, um vinho e depois uma boa noite de sexo. Depois disso a vida voltaria ao normal, pelo menos para mim. Mas acho que para Luciana não. Certamente depois de nossa noite de sexo ela me procuraria e tentaria manter um relacionamento mais sólido. Um risco a correr, pois fiquei deveras interessada em comer cada pedacinho daquele corpo que me parecia atraente e apetitoso.

-Vamos Andréia?

- Sim claro.

- Você está de carro?

- Não, não tenho carro. Vim de taxi.

- Eu te levo até sua casa então.

- Não precisa doutora eu moro aqui perto e...

- Então se é perto, eu te levarei. Vamos?

O carro da doutora era desses carros importados, lindos e sofisticados em cada detalhe. Fizemos o percurso quase em silêncio, eu ia guiando a doutora até meu endereço. Morava a cerca de três quarteirões de distância do restaurante. Chegamos ao meu endereço que ficava em um prédio de quatro andares que abrigava apartamentos pequenos de quarto e sala. O meu era aconchegante, mas a vizinhança não muito. O lugar era meio suspeito, talvez até perigoso.

- É aqui Luciana?

- Sim. Quer subir Andréia?

- Quero, posso?

A aceitação tão imediata do meu convite pela doutora surpreendeu-me. Claro que devo ter demonstrado minha surpresa e dado à maior bandeira.

- Claro, faça o seguinte: coloque seu carro na garagem do prédio, pois aqui a esta hora não é lá muito seguro.

- Certo.

Chegamos ao meu apartamento, Andréia sentou-se no sofá e ficou olhando cada detalhe da minha peculiar decoração.

- Você reproduziu nesta coluna um Mondrian, gosta dele?

- Gosto muito. Lembro-me de minha mãe passando roupas quando observei entre os vestidos pendurados nos cabides e prontos para serem entregues um tubinho que reproduzia um Mondrian, na época, claro, eu não sabia que se tratava de uma reprodução de Mondrian eu era bem pequena e me lembro deste vestido, acho engraçado isto, da gente querer resgatar sempre alguma coisa que passou ou que ficou em algum lugar preferido, sei lá...

- O passado é sempre um motor, um combustível. O passado é o nosso patrimônio Luciana.

- Andréia, aceita um café, um chá, alguma bebida?

Me deu vontade de responder, aceito você nua embaixo de mim, ou por cima, no meu colo totalmente entregue.

- Aceito uma água, por favor.

Fui pegar a água e tentava raciocinar sobre aquela mulher. Ficava cada vez mais claro que se ela não queria só um encontro, então queria sexo, já que não queria compromisso com ninguém. Enfim, encontros marcados pela internet são pra isso mesmo: sexo, sexo e sexo. Pelo menos seria com alguém interessante, inteligente e linda, só faltava ser boa de cama, mas isso com certeza eu iria comprovar.

- Sua água.

- Aconchegante seu apartamento.

- Obrigada Andréia, sei que não deve estar habituada a estes ambientes minúsculos em locais não muito confiáveis, mas, gosto daqui fica próximo do meu trabalho e dos meus velhinhos.

- Velhinhos? Não entendi.

- Cuido de idosos para complementar minha renda.

- Você trabalha em hospital público?

- Sim e você.

- Trabalho na UNESCO e breve em minha fundação.

- Nossa, uma autoridade internacional! Sou boa mesmo neste negócio de teclar.

Falei essa frase sorrindo e sentando ao seu lado no sofá. Ela quase que imediatamente ficou séria e pela primeira vez me olhou diretamente, confesso fiquei com medo.

- Estou só brincando doutora e...

Luciana ficou desconcertada com meu olhar e eu a fitei mais séria que pude.

- Acha que sou uma autoridade ou autoritária?

- Acho que... Você... É... As duas coisas?

- Acertou.

Levei a mão até rosto de Luciana, toquei seu queixo e me aproximei. Com o polegar, toquei seus lábios e a beijei. Naquele beijo percebi que ela era completamente passiva, gostava que tomassem a iniciativa por ela. Minha língua dançava na sua boca e ela se abria totalmente para deixar que eu a explorasse completamente. Minhas mãos saíram do rosto, desceram pelo pescoço e começaram a descer pelo colo, depois pelos seios com mamilos já duros. Desabotoei sua camisa, deixando a gravata meio de lado. Seus seios eram médios e bem torneados lindos, macios e apetitosos. Parei de beijá-la e fui descendo meus lábios até alcançarem seus seios. Chupei os mamilos. Luciana, hora tentava me empurrar e hora deixava minha exploração continuar. O meu celular tocou.

- Andréia... Seu celular.

Droga, quem seria numa hora tão imprópria. Afastei-me com certa dificuldade, e levantei-me para pegar o celular sem tirar os olhos de Luciana, que desconcertada, fechava sua blusa.

- Pedro?

- Andréia? Onde você está mulher, estamos preocupados.

- Certo Pedro estou indo pra casa, amanhã nos falamos.

- Você está com ela pegadora?

- Sim, amanhã Pedro.

- Desculpe Luciana, mas tenho que ir.

Andréia...eu...

Luciana estava de pé na minha frente e eu não resisti peguei em sua cintura, a trouxe novamente para mim e a beijei com toda calma e explorando sua deliciosa boca com já havia feito.

- Você tem celular Luciana?

- Sim...

- Qual é o número?

Ela me deu o número e avisei que ligaria, fui caminhado até a porta saí do apartamento com certa pena por não ter completado uma noite de sexo, mas amanhã eu providenciaria o adiamento da reunião com os representantes para dar passagem a minha noite de sexo com Luciana. Uma troca perfeita



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Capitulo 4

[16/04/12]

Andréia foi embora e eu fiquei meio desconcertada ainda tentando arrumar minha roupa, mas, os botões teimavam em não se alinharem. Pensei em tudo o que a vida me proporcionara até então. Meus pensamentos estavam confusos e desconexos. Tentei pensar em outras coisas do tipo “para com isso mulher”, “é só uma noite”, “é só um caso”, mas, o pensamento leva a gente a lugares pouco habitados e totalmente desconhecidos.

Minha confusão e sentimentos em relação àquela mulher eram inaceitáveis. Como uma desconhecida podia me fazer temer alguma coisa que eu não sabia o que era? A sensação de medo nunca me proporcionou prazer, mas sim desconforto. Eu tinha medo que ela me procurasse e que não me procurasse. Eu era uma adolescente diante do primeiro beijo e da sensação de ter perdido a infância definitivamente, o porquê eu não sabia, mas saberia no futuro. Fui tomar um banho, não frio, pois detesto banhos frios, mas um banho quente e aconchegante na esperança de relaxar e dormir. Não dormi facilmente, fiquei pagando contas, resolvendo conflitos, beijando Andréia e finalmente exausta adormeci.

Meu telefone tocou, era Pedro.

- Querida irmã como está?

- Bem doutor Pedro e o senhor?

- Bem... E a moça?

- Deliciosa.

- Meu Deus já?

- Se não fosse a interferência despropositada de certo irmão, teria consumado o ato.

- Andréia você não toma jeito.

- Eu? Por quê?

- Como você se expõe assim a uma completa desconhecida, não tem medo Doutora?

- Tenho vários, mas de sexo não.

- Certo e aí?

- Desmarque a reunião com os representantes, marque para segunda feira porque o final de semana será de Luciana.

- Luciana? É este o nome da rapariga ó pá?

- Sim, sim, como não? (risos largos)

- Ela é bonita. É inteligente?

- Muito. Culta, sensata e completamente passiva e isso que me importa.

- Credo Andréia! Deixa de ser grossa.

- Eu grossa? Não meu irmão, prática.

- Não vou interferir, mas se ela é isso tudo, porque você não tenta namorar?

- Não.

- Tá já fui. Em nome do bom humor de minha irmã preferida tirarei meu time de campo, mas cuidado as coisas nem sempre são como imaginamos.

- É uma praga?

- Um aviso. Desmarco a reunião e amanhã nos falamos e você não vai escapar de passar por aqui tudo bem?

- Sim senhor, beijos.

- Beijos.

O dia foi pesado, mas só fiquei no trabalho até o meio do dia. Passei em um supermercado, comprei meus ingredientes, vinho e flores para Luciana. Cheguei em casa às três da tarde e a primeira coisa que fiz foi ligar para a minha bela.

- Luciana?

- Sim?

- Andréia, tudo bem?

- Oi Andréia, tudo e você?

- Fico melhor agora. Quero que venha jantar hoje comigo o que acha?

- Hoje?

- Sim tem algum compromisso?

- Não, mas...

- Ótimo então estou te esperando, anota meu endereço...

- Andréia sobre ontem, eu...

- Luciana, quando você chegar conversaremos com calma, venha e estou te esperando às 8:30h esta bem?

- Sim, estarei aí.

- Beijos.

- Beijos.

O ônibus atrasou e eu peguei um taxi até em casa. O dia todo foi confuso e eu nem sei por que aceitei o convite de Andréia. Minha firme decisão até o seu telefonema foi o de não ir mais ao encontro dela. O que aconteceu depois que cheguei em casa foi o de descer todo meu guarda roupas, tomar um banho às pressas e pegar outro taxi até a casa de Andréia que ficava em um bairro elegante, em um prédio sofisticado e eu completamente desconcertada, me aproximei do porteiro e pedi que me anunciasse em seu apartamento provavelmente sofisticado também.

- Oi Luciana que bom que veio.

Seu sorriso me absorveu completamente. Sorri meio desconcertada, ela pegou minha mão e me puxou ao seu encontro. Ficamos segundos nos olhando e ela me beijou despudoradamente eu, sem reação correspondi.

- Venha fique a vontade.

Ela me conduziu até um sofá enorme no seu enorme apartamento. Eu não dizia nada e tentava olhar para algum lugar.

- Muito calada Luciana.

- Não, é que não sei o que dizer Andréia.

Ela novamente me beijou.

- Adoro você assim, tímida.

- Não piore as coisas doutora.

- Não apenas as melhoro. Venha vamos beber algo. Finalmente um Brunello o que acha?

- Perfeito.

- Enfim uma ocasião especial. Venha até a cozinha.

- O que você está preparando?

- Uma receita de minha avó. Pasta a La provinciana. Conhece?

- Não.

- Certo, me ajuda?

- Claro.

- Como foi o dia?

- Bom e o seu?

- Pensando na noite, em você, em nosso encontro. Diga que não pensou em nossa noite mais que agradável?

- Pensei claro, mas fiquei um pouco confusa.

- Por quê?

- Pensei na sua aposta, o quanto eu fui...

- Luciana somos adultas e temos desejos. Não me diga que você é religiosa e cheia de culpas e de questões puritanas?

- Claro que não!

- Ótimo vamos jantar?

- Sim, mas...

- Mas vamos tornar a noite agradável certo?

- Certo.

O jantar estava delicioso. Andréia era muito boa com as massas. Ela me deixou muito à vontade, falou de sua família e quanto a admirava, falou de seus planos com a sua fundação para mulheres, falou, falou, e eu a ouvi fascinada. Terminamos o jantar.

- Venha, vamos até a sala é mais confortável.

- Claro.

- Vou colocar uma música, gosta de jazz?

- Muito.

- O que prefere?

- Não sei, coloque o que gosta mais.

- John Contraine?

- Pode ser.

- Ok.

Como uma Auxiliar de enfermagem conhecia jazz? Não sei e nem estava muito interessada. Coloquei o cd e fui sentar ao seu lado. Luciana parecia tensa desde o momento que chegou. Parecia um ratinho preste a ser abocanhado pela serpente e ela estava certa.

- Você está confortável?

- Ela disse isso se aproximando e tirando a taça das minhas mãos.

- Sim estou.

- Venha cá.

Ela disse isso me puxando até ela e já beijando meu pescoço.

- Adoro seu cheiro.

Eu coloquei minhas mãos em seu peito e tentei empurrá-la. Ela me beijou.

- Você é muito gostosa Lucina, linda, apetitosa, deixa ver como você está para mim.

Ela disse isso descendo a mão até minha calça desabotoando-a toda e enfiando a mão até minha buceta completamente molhada. Eu gemi.

- Molhada e deliciosa. Ah... Geme pra mim Luciana.

Ela foi tirando minha roupa e em segundos eu estava completamente nua em seu sofá.

- Abre as pernas pra mim, abre Luciana, deixa eu te tocar?

Eu obedeci.

Ela enfiou dois dedos em minha vagina e começou o vai e vem em movimentos lentos e eu gemia, apenas gemia.

- Gosta assim? Quer que eu te coma? Deixa eu te sentir melhor, vem cá.

Ela me puxou, levantou minhas pernas e enfiou mais um dedo na minha vagina e eu gritei.

- Tá doendo?

Fiz negativo com a cabeça e ela continuou os movimentos hora rápidos hora lentos.

- Diz que está gostoso diz?

- Está ... muito....

Ela ergueu mais as minhas pernas para facilitar a penetração.

- Isso fica assim pra mim. Você é gostosa é minha só minha, vai rebola.

Eu rebolava, ela tinha razão eu era dela e ouvir isso me excitava e eu ia à loucura. Ela me beijava, sugando minha língua, me mordia o pescoço e apertava um dos meus mamilos.

Descia a mão que estava livre e me apalpava toda até a bunda. Ela tirou os dedos da minha vagina e começou uma penetração anal. Eu gelei. Tentei sair, mas ela me segurou e continuou apalpando e forçando a entrada com o dedo médio.

- Deixa, vai, deixa, relaxa.

Neste momento, ela passou o dedo em minha vagina que estava molhada, cuspiu no dedo e me penetrou, agora por trás. Não sei se gostava ou me contraia de vergonha ou sentia um grande prazer, acho que tudo se misturava.

- Rebola, vai rebola, deixa eu te comer toda, toda, adoro seu cheiro de fêmea. Há!

- Ai Andréia!

Andréia, com uma mão me penetrava por trás e com a outra, colocava dois dedos na minha buceta. Eu gemia e me entregava e não raciocinava. Era só dela, sua puta, o que ela quisesse. Gozei, finalmente gozei muito.

Queria tudo àquela noite já que não pretendia formar laços e nem encontrar Luciana novamente. Comecei comendo sua boceta absolutamente molhada, após um beijo de língua prolongado. Retirei toda a sua roupa e a beijei toda, seu corpo era de enlouquecer. Não era perfeito, mas era belo. Lambi seu pescoço, desci alcançando os mamilos, beijei a barriga, umbigo e as coxas, introduzi meus dedos na sua vagina quente e molhada. Estava louca de tesão, comi Luciana penetrando-a na vagina e no anus. Luciana gemia e urrava de prazer, eu adorava cada instante daquele sexo fácil. Luciana gozou. Eu me posicionei com as pernas abertas na altura do seu rosto e dei o comando para que ela me chupasse e ela o fez. Eu rebolava em seu rosto freneticamente. Queria o meu gozo. Luciana quis me penetrar eu não deixei.

- Me chupa Luciana, apenas me chupa...Ah...

Tirei minha buceta do seu rosto molhado pela minha excitação, coloquei o dedo médio em sua boca e pedi para que sugasse. Ela obedeceu. Fiquei louca, desci o corpo de Luciana a sentei no tapete e fiquei acocorada em seu rosto. Luciana me chupava, passava a língua de cima para baixo até pousar sob o clitóris e mamá-lo. Gozei muito, gozei na boca de Luciana. Puxei-a para cima e a beijei, sugando sua língua forte e intensamente até acalmar o orgasmo.

Andréia me sugava a língua forte e urgentemente, eu deixava e adorava até que ela parou se afastou encostando-se mais no sofá, tentando uma posição confortável. Eu realmente não sabia o que fazer, ainda estava entre as pernas de Andréia, mas não sabia se saía ou ficava ou me levantava e começava a me vestir. Fiquei com a terceira opção.

Levantei querendo continuar entre suas pernas, mas me levantei e comecei a catar as peças de roupa pelo chão. Andréia me olhava e não dizia nada. Do momento em que me levantei até começar apanhar minhas vestes foram segundos, mas o silêncio que se fez naquele momento parecia horas. Fui vestindo a roupa e Andréia me observando, então resolvi falar.

- Muito calada doutora.

- Às vezes as palavras são desnecessárias Luciana.

- Você está certa.

- De novo sem contraditório?

- Não há o que contradizer, é tudo muito claro.

- Como assim?

- A noite foi maravilhosa doutora, agora me vou.

- Você está bem?

- Sorri para minha musa.

- Estou ótima Andréia. Onde fica o lavabo?

- Não quer tomar um banho?

- Posso?

- Luciana, não faça isso.

- O quê?

- Achando que eu fui ou sou cafajeste.

- Nunca pensaria tal coisa.

- Venha vou te levar ao banheiro.

O apartamento da doutora Andréia era imenso, quando cheguei nem reparei as escadas que davam para um andar de cima. Ela pegou minha mão e me conduziu até um quarto, que eu supus ser um quarto de hóspede. Ela me mostrou o banheiro e disse que no armário havia toalhas limpas e saiu.

Liguei a ducha bem forte e me senti relaxada e um pouco triste. Tinha feito sexo com uma pessoa praticamente desconhecida, sem contar que quase dei pra ela no primeiro encontro. É eu estava bem saidinha e completamente carente.

Senti-me uma personagem de um conto que eu li do Caio Fernando de Abreu. Senti-me uma mulher fácil e disponível e tenho certeza que a doutora estava pensando o mesmo, o que era bem normal para ela já que sua vida sexual deveria se resumir a episódios como o desta noite. Andréia não se relacionava seriamente com ninguém, pelo menos era o que eu imaginava e achava ainda que no seu passado ela tivera uma desilusão e resolvera não se relacionar a sério com mais ninguém. Fiquei curiosa e com uma enorme vontade de desvendar o passado da doutora Andréia, mas não teria tempo para isso e ela certamente não me contaria tal fato. Desliguei o chuveiro e me pus a vestir minhas roupas. Queria sair dali o mais rápido possível.

Deixei Luciana no quarto de hóspede e fui para o meu tomar também um banho, estava suada e cheia de secreções do sexo delicioso com Luciana. Poderia ter continuado a trepar com Luciana, mas achei perigoso. Acho que se continuasse, se eu a conduzisse para mais uma sessão de prazer, talvez ela confundisse com paixão e eu não queria isso.

Luciana estava à busca de um relacionamento e eu não. Não iria lhe criar expectativas, ela não merecia isso, mas eu não podia me furtar em provar seu corpo incrível que me dava muito tesão. Luciana seria um bom final de semana se ela levasse a vida de forma mais leve e eu há muito decidi não me envolver mais, depois do meu relacionamento desastroso com Ingrid nunca mais me envolveria com ninguém.

Foi muito doloroso tudo o que acontecera com ela. Uma pessoa completamente desequilibrada que no começo era doce e meiga. As pessoas são assim, vão se revelando aos poucos e quando percebemos estamos mais que envolvidos em complicações que não deveriam ser nossas, mas que adquirimos em nome de um amor que pensamos existir, de uma teimosia em resolver hábitos alheios, principalmente das pessoas em que pensamos estar apaixonados.

Saí do banho e me apressei em colocar um jeans e uma regata. A noite estava quente em todos os sentidos e eu pretendia levar Luciana para casa e talvez ela já estivesse a minha espera.

Procurei Luciana quando desci não a encontrei na sala ou na cozinha, nem no escritório, subi novamente e a encontrei, na varanda do quarto olhando a cidade. O cheiro que vinha do seu corpo era quase irresistível, cheiro de banho fresco, os cabelos molhados e recém lavados, quase começaria tudo novamente: a sedução e o sexo, mas me mantive firme e resisti.

- Procurando por mim doutora?

Sim. Disse isso com um largo sorriso.

- Você poderia abrir a porta, pois não consegui.

- Você iria sem me dizer adeus?

- Sim.

- Por quê?

- Andréia estou cansada e começo a trabalhar muito cedo e...

-Você está zangada comigo por quê?

- Não estou zangada com você, apenas quero ir embora. Já passa da meia noite e hoje começo a trabalhar às 7:00 ok? Esta sua porta abre por senha eletrônica, portanto mesmo que eu quisesse não poderia ir embora doutora.

- Luciana, eu vou te levar até sua casa.

- Não muito obrigada. Eu prefiro pegar um taxi.

- Luciana não seja teimosa, vamos eu te levo.

- Não Andréia, eu não quero que você me leve. Alterei o tom da voz para irritadiço.

- Luciana chega! Não estou entendendo o que possa ter feito a você, estou tentando ser gentil e você me tratando mal e com um tom acusativo. Se há algo a me dizer, seja clara, o que foi que eu te fiz, te ofendi de alguma forma?

- Não Andréia (mais calma), apenas não quero te dar trabalho e não, você não me ofendeu. Eu quero ir embora e descansar.

- Então vamos Luciana.

Aceitei a carona da doutora, mesmo porque eu estava muito cansada do dia de trabalho, da tensão do encontro e do sexo maravilhoso. Precisava de alguma cama, da minha propriamente dita.

Entrei no carro que já era outro e não o mesmo da carona anterior, o percurso só não foi feito em silêncio total, porque havia o rádio tocando qualquer coisa e vez ou outra indicava o melhor caminho para a doutora.



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Capitulo 5

[18/04/12]

Capítulo 5:

- Pronto Luciana, chegamos.

- Certo Andréia. Obrigada pela noite e adorei ter te conhecido, mesmo, de verdade. Eu te desejo muita sorte.

- Você quer mesmo se livrar de mim.

- Andréia, você quer subir? Aceita um café ou uma água?

- Não Luciana obrigada. Também gostei muito de ter tido o privilégio de te encontrar. Nosso encontro foi uma grata surpresa e nossa noite hoje, perfeita.

- Você realmente cozinha muito bem Andréia. Disse isso sorrido.

- Certo... Eu disse isso sorrido também.

- Boa noite doutora.

Puxei o rosto de Andréia e dei-lhe um beijo, queria levar o gosto daquela boca perfeita. Saí do carro, acenei dando meu adeus final. Entrei no meu apartamento e me joguei em minha cama exausta. Fiquei pensando em Andréia e como aquele encontro poderia ter se transformado em um romance. Não pensei muito e logo adormeci.

Acordei cansada. Fiquei pensando em Luciana e na noite que se passou. Me deu vontade de ligar para ela e a convidar para passar o final de semana comigo, mas é assim que começam os romances e os pré-casamentos. Não queria isso, portanto iria tomar um banho me travestir de Dra. Andréia e seguir com a vida e a rotina. A vida é boa, pensei e fiz o planejado.

O final de semana foi na casa de praia dos meus pais e com toda a família reunida. Todos os sobrinhos, cunhados, cunhadas, irmãos e amigos dos meus pais para a comemoração de seus 70 anos de idade. Minha mãe não deixou as cobranças de lado e eu ouvia e pouco me pronunciava. Estava meio calada e um tanto pensativa e por mais que eu não quisesse vez ou outra pensava em Luciana, minha linda morena deliciosa.

- Pensando numa morena interessante maninha?

- Ah não Pedro, já basta sua mãe dando uma de santa casamenteira, dois eu não agüento.

- Certo cara doutora e porque está tão pensativa?

- Sei lá, acho que estou cansada e precisando de umas férias em alguma ilha paradisíaca dos mares do sul. Disse isso rindo.

- E porque não tira estas férias e volta de alma salgada e renovada?

- Tá certo vou pensar nesta possibilidade.

- Mas você não vai se furtar em pagar a aposta viu doutora?

- Certo, vou pagar a tal aposta. Vou encomendar um caminhão de bebida para vocês se esbaldarem e outro com soro glicosado para qualquer eventual coma alcoólico ok?

- Cacá vai adorar se embriagar com champanhe grátis.

- Opa! Quem estará pronunciando meu santo nome em vão?

- Cacá, não morra tão cedo! (risos).

- Diga-me cara cunhada a auxiliar de enfermagem valeu o champanhe?

- Cada gota meu caro cunhado, cada gota.

- Cruzes, que tudo! E porque ela não está entre nós?

- Nunca estará Cacá. Sexo é uma coisa, namoro é outra.

- Jura? Achei que quando se namora, o sexo vem de brinde.

- Cacá, não adianta querer me amarrar tá? Esta noite houve várias tentativas de convencimento e todas foram em vão.

- Andréia ainda serei sua dama de honra, juro pelos deuses. E aposto novamente com a senhora que esta moça irá te dobrar e colocar em uma caixinha junto a um anel de brilhantes viu?

- Chega de apostas. Ela e eu nunca iremos nos encontrar novamente se depender de mim.

- Não depende só da senhora não viu? Quando os deuses decidem que é para ser... Você será apenas uma marionete das decisões divinas.

(Gargalhando). - Veremos, veremos. Eu vou dormir meus queridos, estou cansada desta balada sênior. Até amanhã para o almoço das fofocas e intrigas palacianas.

- Boa noite maninha durma bem.

- Tenha sonhos eróticos com a tal morena viu cunhada?

Estiquei meu dedo médio para Carlos e fui para meu quarto. Fiquei realmente mantendo meus pensamentos em Luciana e adormeci.

Dois meses se passaram depois do meu encontro com Andréia. De vez em quando eu entrava no site da UNESCO para ver sua foto e seu currículo publicado na página. Nunca mais entrei em sites de encontros e nunca mais visitei o site que nos encontramos. Eu não entendia o que estava acontecendo comigo. Como eu uma mulher de 33 anos se deixara levar por uma única noite de sexo com uma semi-desconhecida e ficar regurgitando meses a tal cena e com esperanças vãs de encontrá-la novamente? Droga! O que eu estou pensando da vida? Tenho que sair e me atirar nos braços de alguém, fazer sexo e tentar me refazer do trauma Andréia.

Conservava o seu telefone na agenda do meu celular, mas nunca tive coragem de ligar e nunca tive coragem de falar deste episódio para ninguém. Andréia nem deveria mais se lembrar da minha existência e eu louca, maluca pensando nela. Que ódio! Eu trabalhando em pleno sábado e a doutora com certeza acordando com uma linda mulher do seu lado e a despachando em seguida: “- Vou te levar para casa”. Certamente é o que ela diria para tal fulana e pronto, mais uma noite resolvida.

- Luciana? Podemos ficar à sombra minha filha, estou com calor.

- Ham?

- Estou com calor minha filha.

- Claro Dr. José, vamos ficar à sombra daquela árvore ali.

Levei a cadeira de rodas até a sombra da tal árvore e me sentei no gramado perto do Dr. José. Estávamos no parque eu fingia ler um livro sobre vinhos e seu José tentava não ficar melancólico. Nós dois juntos formávamos uma ótima dupla, eu com minha dor de cotovelos e o Dr. José deprimido com sua senilidade.

- Você está apaixonada filha?

- Como? Não estou pensando nas dívidas. (sorrindo para ele).

- Querida, dívidas irritam, paixões não correspondidas deprimem.

- O senhor tem razão, mas dívidas que não acabam deprimem também.

- Ligue para sua paixão e veja se ele quer te reencontrar.

- Não tem paixão nenhuma, pelo menos por parte dele.

- A vida minha querida é feita de elos, como os de uma corrente. Não há nada que não se prenda em nós que não esteja também interligado entende?

- No meu caso, esta corrente não se formou, os elos estão soltos e distantes.

- Ligue para ele e depois me diga se eu tenho razão.

- Vou pensar, vou pensar.

- Não querida à palavra certa é “tentar”.

- Oi Luciana.

Tirei as vistas do livro, olhei para cima e não acreditei. Era Andréia, minha musa de Botticelli.



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Capitulo 6

[20/04/12]



Olhei para cima os raios do sol de verão me ofuscou um pouco a visão, mas pude ver o contorno de seu rosto e sua voz inconfundível que desde a noite em sua casa estava gravada em minha mente. Fiquei um tempo tentando entender as determinações do destino e o que a Dra. Andréia faria ali, justamente ali àquela hora, naquele lugar em que eu costumeiramente levava meus velhinhos para o banho de sol. Andréia me olhava fixamente como naquela noite, quando me tomou nos braços me convidando para o primeiro beijo antes do sexo. Meu coração instantaneamente entrou em taquicardia, minhas mãos gelaram e meu estômago dava a impressão que estava cheio de esferas que subiam e desciam. Como uma atleta de saltos ornamentais me coloquei de pé e falei tentando impor na voz uma calma que estava longe de conseguir.

- Oi doutora... Tudo bem? Quanto tempo? O que faz por aqui... Quero dizer... Vem sempre aqui?

Droga o que eu estou fazendo? Não bastava apenas um oi? Que bandeira, droga!

- É verão e às vezes venho andar um pouco e respirar esse ar. E você está bem?

- Sim estou Andréia. Deixa te apresentar: - Dr. José, Dra. Andréia.

- Muito prazer Dr. José.

- Muito prazer Dra. Qual sua especialidade, pois acho que é médica estou certo?

- Sim está. Sou geneticista e o Sr?

- Sou desembargador aposentado e paralisado. Ele disse isso sorrindo. - Diga-me doutora, já descobriram um antídoto para a velhice, sei lá uma formula para congelar os nossos genomas aos trinta anos de idade?

- Ainda não excelência estamos longe disto, sinto muito.

- Não sinta eu também não iria alcançar mesmo tal descoberta, no meu caso só uma máquina do tempo ajudaria, mas se descobrir algo neste sentido me avise sim?

- Certo, estamos combinados.

- Luciana, seu celular minha filha.

Eu olhava fixamente para Andréia, queria absorver cada detalhe de sua silueta maravilhosa e eu a olhava porque por certo não a veria novamente tão cedo ou não a veria mais.

- Como?

- Seu celular está tocando.

- Há sim, com licença.

Era André, filho do desembargador avisando que já estava no parque e pedindo nossa localização. Eu o orientei e me mantive afastada de Andréia, que continuava conversando calmamente com seu José.

Avistei e acenei para André, que prontamente se aproximou e veio me falar.

- Olá Luciana, como vai?

- Estou bem André e você?

- Bem. Papai com que está? Aquela moça, não a conheço.

- É uma amiga. Vamos?

- Um momento Luciana, trouxe seu pagamento. Aí está também uma gratificação pelos excelentes serviços prestados ao meu pai.

- Não precisa André, não faço mais que minha obrigação.

- Não vou discutir com você. Se o velho desembargador fosse um pouco mais jovem, a pediria em casamento. Ele é completamente apaixonado por você. Ele disse isso rindo.

- Se eu fosse merecedora dessa paixão, me casaria com ele também. Seu pai é um homem brilhante.

- Também acho Luciana. Tem certeza que não quer ir mesmo para a fazenda? O ano novo costuma ser mais animado do que o casamento que você foi. E papai tem uma série de bajuladores que não te deixariam ter nenhum tipo de trabalho com ele.

- Eu sei André, mas pretendo ficar por aqui, por minha casa em ordem e passar o ano novo com amigas, já combinamos.

- Certo, mas se mudar de idéia, me liga que sempre tem alguém indo para lá na última hora.

- Tudo bem se eu resolver, te aviso.

- Fomos até onde estava Andréia e o desembargador que conversavam animadamente.

- Papai, sempre galanteador com mulheres bonitas heim?

- Sou um cavalheiro com todas as mulheres, mas as belas merecem uma atenção a mais, não acha André? Doutora este estraga prazer é meu filho, se fez advogado, apesar da educação refinada que eu lhe dei.

Todos rimos, mas eu estava completamente agoniada com a situação. Queria sair correndo e ao mesmo tempo queria ficar congelada e que o tempo congelasse também.

- Papai vamos?

- Muito prazer em conhecê-la doutora espero nos encontrarmos mais vezes sim?

- O prazer foi todo meu e podemos combinar este futuro encontro desembargador.

- Luciana minha filha, venha cá.

- Abaixei em frente ao Dr. José para as despedidas de final de ano.

- Você não precisará mais ligar, é só tentar, esta é a palavra minha filha, tentar. Seja feliz estes dias que antecedem o final do ano e os dias que inaugurarem o próximo e não fuja do destino viu? Mesmo porque ele é implacável, nos persegue se não cumprimos o que é determinado, aí a consciência se torna uma prisão. Não o faça Luciana, nunca. Seja feliz minha filha.

Abracei o desembargador e ele se foi. Um homem sábio e elegante. Olhei para Andréia e me perdi novamente em seu olhar.

- Você está me devendo um jantar lembra?

- Acho que é está cedo para o jantar doutora, mas posso oferecer-lhe um almoço, aceita?

- Certamente. Como combinamos eu escolho o lugar.

- Claro.

- Vamos então?

- Sim. Vamos doutora.



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Captilulo 07

[23/04/12]

Capítulo 7

Entrei pela terceira vez em um carro da doutora que agora era um desses esportivos baixinhos que só cabem duas pessoas.

- Quantos carros você tem? Um para cada dia da semana?

Ela me olhou e sorriu.

- Tenho dois. Esse por acaso é do meu irmão Pedro. Pretendia levá-lo agora à tarde para ele, mas mudei meus planos.

- Você é rica doutora?

- Luciana me chame pelo meu nome isso está ficando chato. E sim sou rica. Minha família trabalhou bastante para isso e eu também trabalho muito para me manter. Meu avô imigrou na segunda grande guerra e aqui se fez comerciante e depois industrial. Meu pai e seus irmãos seguiram seus passos e foram bem sucedidos. Me fale da sua família, eles moram aqui perto de você?

- Sou a oitava filha de onze irmãos e irmãs. Minha família é muito pobre. Sempre quis estudar e me formar. Vim para a cidade morar com uma tia numa periferia com 11 anos de idade. Estudava, mas a vida não era muito fácil. O marido da minha tia tinha problemas com álcool e tive que me mudar para uma espécie de orfanato mantido por freiras com medo da violência dele. Fiquei lá até os dezoito anos, consegui me formar como técnica de enfermagem com uma bolsa que as freiras me arrumaram, mudei para uma vaga numa casa de família e depois para outros lugares. Passei em um concurso público, mas não quero ficar a vida toda em um hospital. Estudo enologia e pretendo completar minha formação o ano que vem. Dou aulas de degustação para iniciantes no curso que lhe falei, pretendo fazer estágios em vinícolas e quem sabe um dia morar em algum lugar produtor de vinhos. É o meu sonho e tenho certeza que conseguirei alcançá-lo Andréia. E aonde vamos, posso saber?

- Você visita seus pais?

- Minha mãe, meu pai já faleceu. Não a visito com freqüência, pois trabalho muito e não tenho muito tempo livre, nas férias estudo. O lugar que ela vive é distante dos grandes centros e por incrível que possa ainda parecer, lhe mando cartas e deposito uma mesada mensal para ajudá-la.

- Você é uma boa filha.

- Tento ser, mas você não me respondeu, aonde vamos?

- No meu lugar favorito, você vai gostar.

- Andréia?

- Sim.

- Você... pensou em mim alguma vez?

- Algumas vezes Luciana.

Não tive coragem de perguntar quantas e certamente não seriam muitas. Mais uma vez eu me perguntava por que eu estava novamente com Andréia. A esperança de tê-la, poder tocá-la era maior do que a certeza que se isso acontecesse seria somente mais um episódio de sexo para a doutora. Eu estava brincando com meus sentimentos e sabia perfeitamente disto e mesmo assim estava completamente passiva naquela situação que não acabaria bem para mim. “Eu não posso causar mal nenhum a não ser a mim mesmo, a não ser a mim.” Diria o poeta.

- E você o que achou deste nosso encontro ao acaso?

-Não esperava te encontrar novamente Andréia.

- E por que não? Você tem o número do meu celular, poderia ter me ligado.

- Não poderia, você deixou claro que não gostava de reencontros e eu costumo respeitar a vontade alheia.

- Nunca falei tal coisa para você Luciana, esta conclusão foi sua.

- Você também não me ligou.

- Pensei que não quisesse mais me ver. Entrei várias vezes no site em que nos conhecemos, você não estava, pensei em ligar, mas achei que cometeria uma invasão de privacidade, já que quando saiu do carro aquela noite você não sinalizou que eu poderia entrar em contato, portanto não liguei.

- Eu iria ligar ou mandar-lhe uma mensagem, mas eu...deixa pra lá. Vamos ao seu lugar preferido é aqui na marina?

Andréia parou o carro bruscamente, me olhou séria novamente.

- Você está namorando alguém Luciana?

- Andréia...eu...

Meu celular tocou. Era Vera.

- Você não vai atender?

- Sim. Alô? Oi Vera tudo bem? Sim claro está tudo certo. Farei o bacalhau e levarei alguns vinhos e espumantes. Não ninguém. Vera posso te ligar depois? Beijos.

- Sua namorada?

- Não Andréia uma amiga. O revellion será no apartamento dela e ela estava confirmando minha presença e perguntava se eu levaria alguém eu disse que não. Não estou namorando ninguém infelizmente. Não entrei mais no site, pois não queria mais nenhum contato virtual depois do nosso. Só isso. Estou achando muito estranho todas estas perguntas sobre minha vida privada. Tenho certeza que você não entrou em contato comigo, porque achou melhor manter distância. Não sei por que aceitei tão de pronto ao seu convite. O que tivemos naquela noite foi sexo e tenho certeza que era sua intenção desde o início. Você esperava uma mulher feia e desinteressante para o seu primeiro encontro virtual e acho que não sou tão feia e nem tão desinteressante. E quer saber? Pensei em você várias vezes, pensei em te ligar inúmeras vezes e não o fiz por que você deixou bem claro que não queria ter um romance, um relacionamento ou sei lá o que. Acho que este nosso reencontro é um erro e se você não se importar eu prefiro ir para a minha casa.

- Eu me importo.

Andréia me puxou pela blusa, quase arrancou os botões e me beijou, eu tentei afastá-la, mas não consegui e nem tentei muito também. Ela me beijava eu a beijava e ficamos um bom tempo assim, num carro sem capotas e paradas no estacionamento de um píer, até nos afastarmos. Ficamos um tempo nos olhando, nos analisando, quando eu recobrei minha respiração, pois estava arfante pelo beijo e pelo o tesão por Andréia.

- Andréia não... Eu não posso me envolver com você entende? Nossos mundos são diferentes e nossa idéia de relações mais ainda. Eu não...

- Luciana, tudo bem. Vamos apenas almoçar, prometo me comportar e será nossa despedida um tipo de revellion antecipado o que acha?

- Tudo bem aonde é este lugar?

- Vamos vou te mostrar.

Saímos do carro e fui conduzindo Luciana até minha lancha atracada no píer. Aquele beijo me deixou deveras excitada e tinha certeza que não cumpriria minha promessa. Eu não sabia o que estava fazendo só fazia sem pensar em conseqüências. Eu falei com o barqueiro, ele disse que estava tudo certo e que poderíamos ir.

A ilha não ficava muito distante do continente, apenas uma meia hora de viagem. Aportamos e pegamos o carro do hotel para onde iria levar minha linda morena e agora com uma certeza incômoda que ela poderia estar apaixonada por mim. Eu certamente não sabia ainda a profundidade dos meus sentimentos para com ela, mas certamente eram especiais, os meus pensamentos em Luciana eram constantes e eu tinha que admitir que ficar perto dela me trazia uma sensação de prazer e de perigo, eu estava gostando disso. Meu reencontro com Luciana ao acaso no parque me remetera ao que falara Carlos a dois meses atrás, não, isso era inconcebível. Nós morávamos na mesma cidade e poderíamos vir a nos encontrar e era só.

- Luciana vem?

- Aqui é um hotel?

- Sim e um restaurante que fica no terraço. É lindo você vai gostar. A paisagem é incrível dá para ver toda a vegetação e a orla da cidade do outro lado. É um restaurante espanhol de frutos do mar e tem vinhos incríveis.

- Andréia eu não posso pagar.

- Luciana, por favor, fica comigo, se deixa levar, não seja tão rígida só hoje certo?

- Ok. Tudo bem.

Subimos ao restaurante e Andréia pediu uma mesa que tinha uma vista incrível, como ela assim me descrevera. As pessoas a tratavam com todas as reverências que poderia ter uma pessoa importante e freqüentadora daquele lugar.

- Posso pedir Luciana?

- Pode Andréia, por favor.

Pedi. Luciana se rendeu às minhas sugestões, não olhou mais o cardápio e eu fiz que ela bebesse mais do que normalmente ela faria e ela bebeu. A conversa ia fluindo ao sabor do álcool. Minha linda morena estava solta, seus cabelos curtos voavam ao sabor da maresia, a tarde se fez e eu a conduzi para um quarto do hotel. A deitei na cama e ela pegou no sono depois de fartos pratos e duas garrafas de vinho espanhol. Fui para o banheiro, tomei um longo banho e pensei como seria a noite com minha morena. Certamente seria o melhor pré revellion que eu poderia desejar.



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Capitulo 8

[25/04/12]

Acordei, olhei o quarto, não sabia onde eu estava. Era um quarto de hotel? Procurei Andréia vasculhando o quarto e sentando na cama imediatamente. Olhei para as cortinas que esvoaçavam pelo vento, olhei com mais cuidado e vi Andréia encostada no parapeito da sacada. Entendi tudo, estava num quarto de hotel, tinha bebido além da conta e estava meio tonta ainda. Levantei-me e Andréia percebeu o movimento no quarto.

- Andréia o que eu estou fazendo aqui? Onde estamos o que...

- Calma. Você bebeu um pouco, estava tonta e eu te trouxe para cá. Você deitou na cama e adormeceu.

Ela se aproximava e eu tentava me afastar dela.

- Andréia acho que podemos ir.

- Você está bem? O que acha da gente ficar aqui hoje?

Ela estava bem perto de mim e já tocava meus cabelos, meu rosto, enlaçava minha cintura.

- Andréia você prometeu...

- Sinto não poder cumprir a promessa Luciana.

Ela me beijou e eu correspondi. Andréia ia me beijando, introduzindo sua língua até o céu da minha boca, sugando minha língua, mordendo meus lábios, passando a língua pelo meu rosto me deixando louca e excitada com seus movimentos. Andréia usava um roupão branco e com os movimentos percebi que estava nua, inteiramente nua. Ela começou a descer a boca e lambia meu pescoço, desabotoava os botões da blusa que eu usava. Ela me despia e eu não me opunha. Ela abaixou meu sutiã apenas expondo os mamilos duros e começou a sugá-los. Tentava juntar meus seios para ficarem mais próximos à sua boca e apertava-os com força e precisão, foi descendo as mãos, conservando a boca em um dos seios, terminou de despir a saia que eu usava, tirou minha calcinha e começou a exploração do meu sexo. Passava os dedos em meu clitóris me deixando louca e bamba. Com um movimento me empurrou para cama, retirou o seu roupão olhando fixamente para mim.

- Você me quer Luciana, você precisa que eu te possua que eu te coma, você é minha, não tente fugir eu te quero, quero seu corpo quero o seu cheiro e seu sexo lindo, quente e molhado.

Ela falava encostando os seios nos meus e a perna entre as minhas forçando o joelho no meu sexo encharcado. Ela deitou toda sobre mim e desceu novamente sua mão no meu sexo e ficou massageando minha vagina.

- Você quer Luciana, diz, quer que eu te coma, diz?

Eu louca deveria ter dito NÃO, saia daqui, mas não falei.

- Quero... Muuitoo, te quero me coma,sou sua só sua quero você em mim.

- Ah, Luciana eu quero você, vem pra mim, me dá, vem?

Ela abriu minhas pernas o mais que pode e introduziu dois dedos na minha vagina molhada e quase com espasmos orgásticos. Ela ia e vinha com a mão no meu sexo e me olhava fixamente. Parou com os movimentos introduzindo mais um dedo e esperando minha reação, eu gemi, ela sorriu e começou novamente os movimentos na minha vagina mais fortes, mais rápidos, eu gritava.

- Ah Luciana, como você é gostosa assim dando pra mim mais minha morena! Vem, você gosta assim?

- Sim, ah...

Ela introduzia os dedos numa velocidade, que misturava, prazer, dor, tesão, eu gritava, gemia e ela me olhava fixamente.

- Minha morena linda geme pra mim, geme?

- Ai Andréia, te quero, ai me come.

Ela tirou os dedos e começou novamente massagear o clitóris com calma e depois com força e com urgência, parou também desceu a boca no meu sexo e começou a sugá-lo com força, eu só gemia, estava louca de prazer. Num movimento, ela parou de me chupar, me virou de bruços, me colocou de quatro e novamente introduziu os dedos em mim.

- Rebola pra mim vai, rebola.

Eu rebolava enlouquecida, ela introduzia os dedos com uma das mãos e com a outra me dava palmadas no bumbum.

- Vem, vem cá minha morena gostosa, deliciosa.

Ela levantou meu dorso e ficou colada atrás de mim. Introduzia os dedos por detrás com força e velocidade e com a boca chupava meu pescoço.

- Você está apertadinha minha morena, quer gozar? Goza pra mim, goza?

Eu obedeci e gozei, gozei muito, parecia que ia sair do corpo, morrer, viver, não sei. Gozei com os braços em volta do pescoço de Andréia que olhava fixamente para mim e conservava os dedos na minha vagina. Ela me segurava firme junto a ela com uma das mãos em minha barriga e a sua respiração era quente e descompassada. Só um tempo depois percebi que ela também gozara.



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Capitulo 9

[27/04/12]

Caímos na cama eu e Luciana, ela de bruços e eu por cima das costas dela, fadigadas do sexo que tínhamos feito com primor. Luciana pouco a pouco foi recuperando os sentidos normais depois do gozo. É do prazer que precisamos do sexo, aí sim a vida se torna perfeita.

- Andréia preciso ir ao banheiro.

- Deixa Luciana, fica um pouco assim, relaxe, deixa eu te sentir mais um pouco.

- Andréia não, tenho que ir ao banheiro, sério, me deixe ir.

- Tudo bem, eu deixo.

Cheguei meus dedos até minha face, provei o gozo da minha morena e era delicioso. Pensei o quanto a vida pode ser boa, apenas isso boa.

Luciana se demorava demasiadamente no banheiro, acho que estava no banho, pois ao acordar e eu louca de tesão fui a conduzindo ao sexo. Levantei da cama, entrei no banheiro e minha morena estava lá na banheira mergulhada num cansaço e no torpor pós sexo. Fiquei parada ao lado da banheira a observando, ela estava de olhos fechados, mas logo notou minha presença, abriu os olhos e sentou-se na banheira. A água escorria pelos seus seios e transparecia sua nudez.

- Posso?

Entrar na banheira junto a Luciana, misturando-me aos seus líquidos, cheiros e fluidos do nosso sexo, me ascendeu novamente. Antes mesmo da sua resposta eu entrava na banheira atrás de Luciana, posição em que eu praticamente a obriguei a deitar sobre mim. Entrei a puxei para o meu peito, ela me pareceu tensa.

- Ei fica junto de mim, relaxe, você está tensa, venha cá.

Luciana relaxou, deitou sobre meu peito e deixou que eu começasse uma carícia de leve em seu ombro, em seu pescoço e em seus mamilos já duros talvez pela a água, talvez pelo o contato comigo.

- Andréia, você não se acalma?

- Nunca, perto de você. Por que você fica tentando me afastar, você tem medo de quê Luciana?

- De me machucar Andréia.

- Não vou te machucar, não faria isso, jamais.

- Não no sexo Andréia.

- Então me diga.

- Depois dele Andréia, pode ser que depois as marcas comecem a doer. É disso que eu tenho medo. E eu acho que meu medo é real.

- A realidade é o que queremos para nós Luciana, nós construímos o que é real. As mágoas são o resultado do que pretendemos que as pessoas sintam por nós. É injusto querermos escrever um script para que os outros possam seguir e assim afirmar que somos amadas.

- Eu acho que somos seres egoístas o bastante para isso sim e impor ao outro que tenha os mesmos sentimentos que os nossos, mas acho que podemos ser benevolentes o bastante para amar e se dar e proteger e querer bem não acha?

A Mágoa virá sem dúvidas quando se perde quem se ama levado pela morte, quando sentimo-nos traídos ou quando nos vemos impotentes diante da recusa do ser amado em amar-nos, aí sim a mágoa aparece-nos de uma maneira profunda e muito dolorida, mas não quero falar disso agora, não é hora para isso e preciso realmente voltar, se você não se importa, gostaria que me levasse até o continente.

- Não Luciana, isso não é possível.

- Por quê?

Luciana levantou-se com rapidez, sentou-se na banheira, virou e me encarou com certa fúria.

- Calma. Não que eu não queira te levar. Entrar e sair desta ilha à noite é possível somente pelo ar. Somente de helicóptero, pois a maré nessa época do ano é muito alta e os barcos não arriscariam ser jogados nos rochedos que você observou quando chegamos. Esta é uma ilha sem praias. Quando a maré sobe, encobre a rochas e as ondas se arrebentam de uma forma muito furiosa. Quando, no entanto a maré se enche de dia e se esvazia a noite aí sim é possível visualizar os rochedos sem perigo e navegar, mas não nesta época do ano.

- Andréia eu preciso voltar, eu tenho que...

- Luciana, você vai trabalhar amanhã?

- Não Andréia, não vou, mas tenho meus compromissos, você poderia ter me perguntado se eu poderia ficar, mas você não fez isso doutora, porque você decidiu que eu não tenho o que fazer ao não ser ficar aqui com você e quando você decidir que é hora de ir, aí sim me leva em casa se despede e pronto. Droga Andréia!

- Luciana me desculpe pelo transtorno de impor minha presença a você e você tem razão. Dê-me alguns minutos e resolvo o seu problema.

Levantei-me da banheira, vesti o roupão, eu estava furiosa com a determinação da minha morena querer ir embora da minha ilha e assim acabar com a nossa noite de sexo e de muito prazer. Luciana ficou sentada, mas logo veio atrás de mim, nua e com a água escorrendo pelo corpo.

- Não faça esse jogo. Você não me perguntou nada ok?

- Ok Luciana, espere um pouco.

Peguei o telefone e liguei para a recepção pedindo para falar com o gerente. Luciana pegou o telefone da minha mão e colocou no gancho de forma furiosa.

- Não ouse pedir um helicóptero para me levar ao continente.

- Luciana, o que você quer afinal? Essa é a única maneira de te levar até seu compromisso inadiável e de você se livrar da minha presença.

- Nunca quis me livrar de você ou de outro ser vivente, apenas não gosto de ser tratada como um ser completamente manipulável e sem vontades próprias. Você deveria ter me consultado a respeito de permanecer nesta ilha até amanhã Andréia.

Olhei para Luciana, respirei, peguei um roupão no banheiro e lhe entreguei. Ela estava sentada na cama que há poucos instantes estava completamente entregue em meus braços.

- Você tem razão Luciana, eu deveria ter te consultado, mas você ficou tonta com a bebida e eu fiquei com medo que você passasse mal no barco. Quando viemos para este quarto você deitou na cama e enquanto fui ao banheiro você dormiu e eu não tive coragem e nem vontade de te acordar.

- Você é dona desse hotel Andréia?

- Não Luciana, mas este hotel é da minha família. Inicialmente aqui era a casa de praia do meu avô. Como o acesso era um tanto difícil ele resolveu transformá-lo em hotel. Passei muitos momentos aqui quando eu era criança junto dos meus irmãos e do meu avô a quem eu amava muito. Por isso adoro este lugar e se você está pensando que eu trago mulheres comigo para cá, está redondamente enganada. Não preciso deste tipo de subterfúgio para seduzir ninguém. Eu a trouxe para cá também na esperança de te convencer a passar o ano novo comigo, pois a festa será aqui e pretendia convidá-la, mas parece que não terei sucesso na minha empreitada, portanto peço a sua permissão para pedir um helicóptero do continente para vir nos buscar.

- Desculpe-me Andréia, mas eu fico completamente insegura perto de você. Eu não consigo perceber nas poucas vezes que estivemos juntas se o seu olhar é de curiosidade, de tesão ou outro tipo de interesse. Fico morrendo de medo de me envolver com você, pois tenho pensado em você excessivamente nestes meses que não nos encontramos. Fico sempre lembrando daquele velho chavão que uma lésbica leva para o segundo encontro a escova de dentes. Esse encontro hoje era tudo o que eu queria ao mesmo tempo o que eu não esperava e tudo virou uma bagunça na minha cabeça. Eu estava me perguntando, aliás, tenho me perguntado estes últimos meses porque fico relembrando o nosso encontro e não tenho tido resposta para esta questão. Eu não quero ser rude, mas não pretendo me magoar. Não pretendo impor minha presença na vida de ninguém e muito menos a uma pessoa que eu sei que não quer nenhum tipo de compromisso entende?

- Você não sabe o que eu quero Luciana. O que eu realmente quero hoje é ficar com você e quero beijar você e te tocar e ter prazer como tive agora sem ao menos ser tocada por você. Nunca me aconteceu isso antes Luciana, nunca. Quero você e quero muito agora. Amanhã, talvez nem você me queira mais, não sei. Não há como fazer uma poupança com o futuro e como eu te disse, o nosso patrimônio é o passado é aquilo que nos tornamos a cada dia, aquilo que construímos. Agora me diga o que você quer? Quer ficar aqui hoje, quem sabe amanhã nesta ilha comigo ou quer voltar ao continente, me diga Luciana?

Olhei Luciana muito seriamente e torcendo para que ela quisesse ficar. Luciana estava apaixonada por mim e isso me agradava, queria isso e tinha certeza que poderia controlar meus sentimentos por ela. Certamente eu não estava apaixonada por ela, claro que sua presença, sua beleza e principalmente seu desempenho na cama me interessava por demais e também o ano novo seria muito mais interessante com uma companhia do calibre de Luciana, linda, inteligente e completamente apaixonada. Iria usar de todos os subterfúgios para ela fosse minha companhia no ano novo, mas isso ela não ainda não sabia e nem imaginava o quanto eu poderia ser persuasiva. Se ela queria romance? Pretendia dar-lhe até onde isso pudesse ser de meu interesse.

- Eu fico Andréia, eu ficarei com você.

Levantei-me da poltrona em que sentara, fui até Luciana e a beijei lentamente. O beijo foi se intensificando e mais uma vez despi Luciana e recomecei a noite de sexo, assim como tinha planejado desde o momento que encontrei com Luciana naquele parque.



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Captilulo 10

[30/04/12]

Capítulo 10

Acordei no quarto do hotel da família de Andréia. Eu me sentia leve, a noite tinha sido maravilhosa nos braços dela. Quando eu acordei, ela não estava mais no quarto. Havia um bilhete na mesinha de cabeceira, dizendo que ela estava no saguão e que me esperava para tomar café da manhã e para um passeio pela sua ilha.

Quando foi que isso tudo aconteceu? Em que parte desta curta história eu me deixei dominar e em tão pouco tempo por alguém que mal conheço? E agora? O que vou fazer com essa história? Minha paixão fulminante não me cegara tanto e eu sabia que a doutora queria sexo, era isso que ela pretendia ter comigo e só.

Eu estava simplesmente caminhando para o meu abismo particular, pois já estava envolvida por ela e isso não estava nos meus planos. Andréia era bonita, rica e inteligente, todas as qualidades que alguém poderia sonhar ou todos os elementos necessários para uma boa história de folhetim. Acontece que a protagonista desta história era eu e qual seria o papel da Dra. Andréia? A de antagonista, a mulher que tinha tudo e me queria porque eu era o brinquedo da vez? Ou ela seria capaz de se apaixonar como eu?

Meus sentidos gritavam para eu me afastar do perigo, como o robô de perdidos no espaço, quando este fala para o menino: Perigo, perigo, perigo. Apesar dos meus sentidos e apesar de saber do caminho para o abismo, preferi não pensar tanto, resolveria tudo depois. Agora eu iria tomar um banho e me vestir para o café da manhã com a única roupa que usava desde ontem.

Desci, Olhei o saguão do hotel, mas não a encontrei. O concierge do hotel veio ao meu encontro me informando que Andréia me esperava na sala de leitura e me encaminhou até ela. Andréia estava em uma mesa com um notebook à sua frente e me parecia que estava trabalhando, mas quando me olhou, deu-me um lindo sorriso e se levantou deixando a máquina de lado. Ela se aproximou beijou-me os lábios apesar do concierge ainda estar presente.

- Oi Luciana, dormiu bem?

- Sim muito bem Andréia.

- Deve estar com fome sim?

- Sim estou com muita fome, ainda estão servindo o café da manhã?

- Claro, venha. Ah, Obrigada Jacinto pode ir.

- Sim doutora. Há alguma coisa mais que queira pedir?

- Não é só. Vamos Luciana, por aqui. Esqueci de uma coisa Jacinto: Diga a Antônio que prepare a lancha, quero dar uma volta nos arredores da ilha sim?

- Certo doutora, direi a ele.

- Obrigada Jacinto.

Andréia me conduziu até o restaurante que estivemos no dia anterior, mas agora era ali que se servia o café da manhã para os hóspedes.

- A vista daqui é magnífica Andréia. Não imaginava que esta ilha fosse tão bonita e nem que abrigasse um hotel tão luxuoso.

- Era esta a proposta do meu avô. Primeiro ter um lugar de difícil acesso para evitar a aproximação de turistas e depois construir um hotel que teria a máxima privacidade possível aos seus hóspedes.

- Seu avô ainda está vivo?

- Não. Apesar de sua longevidade faz cinco anos que ele faleceu.

- Sinto muito.

- Eu também Luciana sinto muito a falta dele, ele era uma pessoa especial. Se ele estivesse vivo você o encontraria na festa de revellion. Ela sempre aconteceu aqui, quando era uma residência e também quando ele construiu o hotel.

- Como o encontraria, não entendi?

- Você virá para o revellion aqui.

- Andréia eu tenho um compromisso e não pretendo faltar.

- Você prefere passar o revellion com suas amigas ou comigo?

- Não se esqueça doutora que até ontem você era apenas uma lembrança, portanto fiz meus planos.

- Hoje eu não sou mais uma lembrança e nem você. Eu quero que você venha passar o revellion comigo e quero muito, não vá me dizer que não quer uma companhia agradável, solista, culta, extremamente interessante e interessada em você?

Ela me disse isso com um sorriso de arrasar qualquer quarteirão. Eu praticamente derreti naquela mesa.

- Andréia, assim não vale. Você sabe que gostaria muito de ficar com você, mas as pessoas estão contando com a minha presença.

- Se for pelo vinho e pelo espumante, eu dobro a oferta, envio champanhe, uísque, vinho cerveja. Só vou ter que pedir alguma bebida a mais já que estou tendo que pagar uma certa aposta feita e confesso agora que adorei perder.

- Não é por isso Andréia. É...

- Ah! Havia me esquecido, você comentou do bacalhau. Pronto encomendo uma farta bacalhoada e mando-a entregar para a ceia das suas amigas o que acha?

- Pára Andréia!

- Desculpe Luciana, só estou brincando. Fale com elas, faltam ainda três dias para o ano novo, então dará tempo para a retratação, para as devidas explicações e tenho certeza que se alguma delas estivesse na situação em que nos encontramos, duvido muito que também não quebrariam o protocolo.

- Qual a nossa situação Andréia?

- Luciana pense bem. Encontramo-nos pouco, apenas três vezes, você me confessou que ainda pensava em mim e eu também penso em você. Achei que nunca mais fosse tornar a te encontrar, muito embora você mesmo me dissesse que iria me procurar. Nós temos a oportunidade de ter mais momentos como os de ontem e eu não nego que estou muito interessada em você. Não pretendo passar meu ano novo sem a sua companhia, agora que nos reencontramos Luciana.

- Tudo bem Andréia, eu vou pensar na sua proposta e...

- Luciana eu te avisei que sou egocêntrica lembra? Sou e muito, quero todos à minha volta como se eu fosse o sol. Não vou ficar sem você em torno de mim neste revellion entende?

Ela disse isso sorrindo novamente.

- Você é mimada doutora.

- Muito, você nem imagina o quanto. Agora vamos que eu quero te mostrar onde passei momentos mágicos da minha infância cheia de mimos.

Novamente eu estava na lancha, Andréia ia me mostrando a paisagem em torno da ilha. Ela fez um gesto e o barqueiro foi manobrando o barco até parar em um píer afastado do hotel, creio eu.

- Vem Luciana, quero lhe mostrar onde tudo começou, pelo menos para meu avô.

Descemos do barco e pegamos uma trilha em meio a uma mata que deveria ser mata atlântica. A vegetação era variada e pude observar muitos pássaros e alguns macacos eu acho. Não sou uma pessoa muito ligada à mata ou que gosta de aventuras radicais, por isso estava morrendo de medo de dar de cara com uma cobra ou outro bicho peçonhento qualquer, sei lá algum tipo de lagarto, aranha e tudo o que já fora extinto pelo menos na nossa selva de pedra.

- Andréia tem certeza que aqui é seguro? Quero dizer, pode aparecer alguma fera pronta para nos devorar?

Andréia riu muito, foi às gargalhadas. Parou de frente a mim, puxou-me pela cintura e com a cara mais linda do mundo me disse:

- Esta fera você já encontrou e ela adora te devorar e te deixar vivinha para ser a refeição do dia seguinte.

- Andréia eu estou falando sério. Vamos voltar, por favor.

- Ei acho que a garota mimada aqui é você. Vem está próximo, Tenho certeza que você vai adorar.

Andréia segurou minha mão e praticamente me puxava para seguir a tal trilha e que me levaria não sei aonde, mas eu fui, morrendo de medo, mas fui.

- É aqui Luciana, veja se não valeu à pena?

Era uma imensa cachoeira, devia ter uns setenta metros de queda. A paisagem em volta era deslumbrante, cercada por samambaias gigantescas, e muitas orquídeas além de palmeiras e de outras árvores com frutinhas coloridas que eu não sabia tipificá-las, já que não sou bióloga, mas a paisagem era realmente perfeita. Andréia foi segurando firme a minha mão para que eu não despencasse ao descer um barranco e pudéssemos aproximar mais da queda d’água que era a grande vedete daquele lugar. Descemos e ficamos muito perto da cachoeira e ficamos molhadas somente com a nuvem de vapor que se formava a partir da queda d’água.

- Vem Luciana, meu avô dizia que a água desta cachoeira era mágica e que os amantes que fizessem seus votos aqui, nunca mais se separariam.

Eu sorri.

- Não me diga que quer fazer votos de amor eterno doutora, isso definitivamente não combina com você.

- Bem, na verdade não acredito muito nesta teoria de meu avô, mas mesmo não fazendo voto algum eu quero me deliciar nestas águas, faço isto desde criança, venha.

Ela soltou minha mão, se despiu e mergulhou na pequena lagoa que se formava pela queda d’água. Eu fiquei paralisada com a cena de ver a minha deusa de Botticelli nua, linda, branca, ruiva, nadando naquelas águas e foi aí que a paisagem se completou.

- Vem minha linda a água está perfeita, vem?

Eu fui, quem não iria? Despi-me e fui. Cheguei perto dela, ela me abraçou e disse que me queria. Começou a morder meu pescoço, sugar meus mamilos e me beijar longa e incansavelmente. Eu estava com medo de que algum animal me atacasse dentro daquela água, mas a excitação por estar nos braços da minha linda doutora era mais forte do que o medo que eu sentia naquele momento. Fizemos amor ali nas águas mágicas do avô de Andréia, confesso que não fiz nenhum pedido para as águas enquanto estava sendo devorada pela minha fera, mas só para garantir, quando nós estávamos indo embora, eu olhei para cachoeira e como uma tola fiz meu pedido. Pedi que a minha linda doutora fosse minha, que se apaixonasse verdadeiramente por mim. Depois pensei: Como somos tolos quando nos apaixonamos, mas quem nunca se apaixonou?

- Vamos Luciana, ainda quero te mostrar uma coisa.

- Vamos voltar Andréia, por favor.

- Calma, minha linda morena, calma olhe para a esquerda, está vendo aqueles degraus que formam uma espécie de escada? Venha é só subir e você verá a cachoeira de outro ângulo e em outro ambiente.

Subimos a tal da escada que era bastante alta e perigosa, quase que esbaforida cheguei ao topo que dava para uma espécie de cabana e que realmente dava pra visualizar a cachoeira de cima, era lindo. Andréia não soltava a minha mão e ia me conduzindo até a cabana. Quando entramos, fiquei surpresa com o estado de conservação e limpeza do lugar. A cabana tinha uma cama que parecia ter sido arrumada pela manhã, banheiro, uma pequena sala de estar com mesa para refeições uma cozinha rústica e bastante funcional e uma lareira. Tinha um cheiro agradável e era construída toda em madeira inclusive o piso, era realmente linda.

- Alguém mora aqui?

- Não ninguém.

- Está tão limpa.

- Todos os dias vêm uma arrumadeira do hotel aqui e faz a limpeza e a conservação da cabana do meu avô. Ordens dele.

- E todos os dias elas fazem este caminho que nós fizemos?

- Não minha linda há um caminho mais fácil.

- Nossa doutora, obrigado por ter dificultado bastante as coisas para mim.

Ela novamente me destruiu com seu sorriso.

- Você não teria tido a chance de ficar comigo nas águas mágicas da cachoeira.

- Sendo assim, valeu à pena.

- Agora vamos, temos que voltar.

Nós saímos da cabana pegamos outra trilha, bem mais curta que terminava numa espécie de baia onde o barqueiro e a lancha de Andréa nos esperavam. Subimos no barco, que desta vez, não nos levou de volta ao hotel e sim de volta ao continente. Descemos da lancha e no estacionamento do píer onde estava estacionado uns dos carros de Andréia. Ela me deu carona até meu apartamento.

- Luciana tenho um compromisso agora, não posso mais ficar com você por hoje. Quero que pense no meu convite e saiba que eu quero agora mais que nunca ter o prazer de sua companhia no ano novo, eu ficaria imensamente feliz.

- Andréia, como eu te disse vou pensar, mas te darei a resposta.

- Amanhã?

- Amanhã? Mas...

- Amanhã Luciana quero sua resposta amanhã, pense à noite e me responda amanhã ok?

- Tudo bem Andréia, amanhã eu te telefono.

- Não, virei aqui e quero que você me responda pessoalmente.

Andréia puxou-me para si e me deu um longo e molhado beijo de despedida.



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Capitulo 11

[02/05/12]

Capítulo 11

Cheguei em casa ainda úmida da aventura com Luciana pela cachoeira dos amores, foi assim que meu avô batizou sua cachoeira em sua ilha particular. Meu avô me deixara à ilha de herança, pois sabia que eu a amava tanto quanto ele, mas isso Luciana não precisava saber mesmo porque iria criar um clima estranho entre nós e isso é o que eu menos queria. Ainda não sabia por que queria tanto Luciana ao meu lado na festa de revellion, acho que por capricho ou por tesão ou mesmo pelos dois motivos.

Luciana era uma grata surpresa para mim que a imaginara uma pessoa totalmente diferente do que ela se apresentara. Certas coisas me intrigavam em Luciana como a sua sofisticação para certos assuntos embora fora uma moça simples com uma vida limitada pela sua condição econômica. Talvez por sua ambição em se tornar uma somelier, tenha a deixado em contato com pessoas mais sofisticadas do que aquelas que ela provavelmente convive em sua profissão. Teria milhões de compromissos à tarde e ir até a fundação falar com Pedro era uma delas e a prioritária com certeza.

- Oi doutora que satisfação lhe ver por aqui nesta humilde casa!

- Boa tarde pra você também Pedro.

- Boa tarde maninha. Estava na ilha dos desejos?

- Dos desejos realizados meu caro irmão.

- Nossa temos novidades a respeito de... Como é mesmo o nome da minha futura cunhada?

- Pedro, vai te catar. O nome dela é Luciana e cunhada é por sua conta.

- Você está com uma marca no pescoço.

- Sério? Deixei as minhas também, estamos empatadas.

- Andréia que idéia de largar meu lamborghini 1967 no píer enlouqueceu?

- Não. Te liguei minutos depois. Ainda estava lá?

- Pra sua sorte estava. Agora vamos trabalhar, mas depois quero saber todas as novidades românticas e todos os detalhes sórdidos.

- Vou te adiantar um: - Talvez e eu disse talvez a levarei para o revellion na ilha, o que acha?

- Acho muito bom, mas porque a deferência?

- Porque mamãe vai gostar, papai também e eu terei uma sobremesa para depois da ceia, o que acha?

- Andréia, você está brincando com fogo.

- Por quê?

- A moça provavelmente irá ter esperanças que o caso poderá se vir a se transformar em um romance e me parece que esta não é sua intenção.

- Pedro posso até ser um pouco cafajeste, mas eu não minto. Nunca prometi nenhum tipo de relação mais séria e ela é bastante inteligente para perceber isso.

- Ok se é assim, então vamos ao trabalho.

Trabalhei com Pedro até umas dez horas da noite, mas resolvemos as pendências que eram possíveis de serem resolvidas até a virada do ano, já que encerrei qualquer novo contato com fornecedores e até com patrocinadores da fundação até a volta ao trabalho. Estava realmente cansada e queria chegar em casa e tomar um banho e me espalhar em minha maravilhosa cama e foi o que eu fiz. Depois do banho, um sanduiche e cama com a TV ligada em qualquer programa.

Fiquei olhado para tela e pensando o que Luciana estaria fazendo agora. Provavelmente iria procurar alguma amiga que pudesse a aconselhar a respeito do que estava acontecendo entre nós e se valeria a pena trocar o revellion combinado com as amigas e ficar comigo, sua nova paixão. Sorri dos meus pensamentos e adormeci exausta.

Estava na praia e o sol estava ardendo minha pele. Levantei da esteira que eu me estirava tomando o sol da tarde. Não conhecia aquele lugar, nunca estivera nele antes. Alguém muito longe se aproximava de mim a passos lentos, eu tentava identificar quem era, mas não conseguia distinguir seu rosto, a visão não me permitia. Ela ou ele vinha agora correndo e a cada distância percorrida ia gritando meu nome e eu não entendia porque aquela pessoa que me chamava com tamanho desespero, o que eu poderia fazer para ajudá-la, então ela sumia da minha visão, simplesmente desaparecia e eu ficava procurando sem saber onde ela teria ido, já que a praia era deserta e não tinha vegetação por perto. Minha visão ia ficando embaraçada e eu desistia por um momento de querer encontrá-la, mas quando meus olhos se desviaram para o mar, lá estava ela se afogando e gritando pela minha ajuda. Eu entrava no mar e nadava o mais rápido possível para salvar a pessoa que estava chamando por mim. Quanto eu mais me aproximava, mais essa pessoa se distanciava do meu alcance. Com uma força descomunal eu finalmente conseguia segurar sua mão e trazê-la até a praia, quando eu a deitava na areia, tentava olhar seu rosto não conseguia a identificá-la, o que eu podia perceber é que suas narinas começavam a sangrar depois seus ouvidos e por fim seus pulsos que estavam cortados. Eu me afastava da pessoa e só aí podia ver que se tratava de uma mulher, mas não conseguia ver o seu rosto.

Acordei muito suada e provavelmente gritando, pois Maria veio ao meu socorro e me perguntou com seu sotaque boliviano se eu estava bem. Eu respondi que sim, disse que era apenas um pesadelo, mas já havia passado.

Maria se foi e eu não entendia o porquê desse pesadelo sempre se repetir. Precisava visitar meu analista. Isso era um item a colocar na lista prática para o outro ano.

Acordei, tomei café da manha, li os jornais e fui para a UNESCO, meu último compromisso antes do feriado do fim de ano. Olhei alguns e-mails, respondi muitos, apaguei sem ler outros e olhei rapidamente os relatórios e orçamentos futuros. Na minha mesa existiam muitos processos que precisavam de atenção. Cada processo desses dizia respeito a carências em saúde pública que infelizmente o governo por falta de competência, por ingerência ou por corrupção, não dava nenhuma importância a assuntos vitais para a saúde de crianças, velhos, mulheres e pobres que não sabiam, mas pagavam seus tributos e impostos e eram logrados em seus direitos básicos. Estes processos na maioria eram denúncias que eu iria analisar e encaminhar para a OMS órgão das nações unidas competente pela transparência e lisura dos gastos da saúde pública nos países. Terminei tudo às dezoitos horas, me encaminhei para uma festa de confraternização dos funcionários.

Às vinte horas marquei de me encontrar com Pedro e Cacá em um restaurante indiano para combinarmos os últimos detalhes do revellion. Antes disso liguei para Luciana.

- Alô, Luciana?

- Oi Andréia?

- Esperava outra pessoa?

- Que outra pessoa?

- Não sei me diga.

- Andréia, não faça o papel de ciumenta porque eu sei que você não é.

- Estou vendo que você não sabe nada ao meu respeito Luciana.

- Você é ciumenta Andréia?

- De tudo que é meu.

- Eu sou sua?

- Você me disse que sim.

- Quando?

- Na cama.

-...

- Luciana?

- Sim.

- Você é minha?

-...

- Diga, quero ouvir agora eu preciso disso.

- Sou sua.

Minhas penas tremeram ao ouvir minha linda morena dizer tão timidamente que era minha. Que jogo perigoso eu estava fazendo, uma aposta alta, mas eu não me importava. Se eu estivesse com Luciana ao meu alcance provavelmente teria a agarrado e feito sexo com ela em qualquer lugar em que estivéssemos.

- Estou louca pra te beijar, sentir seu cheiro, ter você nua pra mim, toda só pra mim minha linda.

- Eu também quero ficar com você mais do que eu deviria.

- Você sempre tentando se afastar de mim.

- Não consigo me afastar de você Andréia, simplesmente não posso.

- Você não precisa minha linda morena.

- Você vem?

- Vou, mas chego aí só às dez horas, posso?

- Estou te esperando.

- Espere-me então. Beijos.

- Beijos.

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- E aí doutora como estamos?

- Sou duas agora?

- Já soube das novidades e adorei saber que irá acompanhada para a festa.

- Cacá estou dando o meu melhor, mas a moça é difícil.

- Ai, que tudo! Não conheço esta moça, mas já estou adorando ela.

- Por que posso saber?

- Pode. Se ela fosse dessas que você encontra na night e vai bem boazinha com a senhora, você já tinha a deixado de lado, mas ela tem personalidade e isso a senhora não contava né?

- Ela foi pra cama comigo my fair lady.

- Claro, se não você não estava aí doida para estar com ela e mais, levá-la para a festa do new year.

- Não entendi.

- Minha querida, apesar de você tê-la levado para sua cama, ela ainda se recusa a acreditar em alguma paixão que possa existir da sua parte entende?

- Vamos pedir, pois estou faminta e tenho que encontrá-la às dez.

- Acertei né?

- Acertou.

- E aí?

- Pedro quer me defender, por favor, afinal sou sua irmã.

- Rejeito o pedido da ré, por favor, responda.

- Tudo bem senhores. Minha linda morena que vocês puderam visualizar naquela noite está completamente apaixonada por mim. E eu acho ótimo. Claro que ela está fazendo um doce para ficar comigo no revellion, mas isso torna as coisas muito mais interessantes. Sinto muito Cacá.

- Ela te disse que está apaixonada?

- Questão de tempo.

- Acho que ela está mesmo, mas mesmo apaixonada ela irá te impor limites doutora.

- Duvido.

- Vai sim e você sabe disso.

- Tudo bem veremos, mas agora vamos pedir e conversar sobre a festa o que acham?

- Ok vamos pedir.

Disseram isso quase em conjunto. Acho incrível o amor entre os dois. Eles estão juntos há oito anos e conservam um frescor na relação que eu realmente admiro. Será que eu conseguiria o mesmo? Acho que não, mas não é isso que estou procurando, a única coisa que eu quero é estar com minha linda morena e senti-la entregue plenamente para mim sem ter os custos de uma relação que amorna a cada dia. O mais importante para mim é viver um momento mágico e diferente a cada dia e isso definitivamente Luciana estava me proporcionando e como estava.



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Capitulo 12

[04/05/12]

Capítulo 12

Desde que voltei da ilha, fiquei pensando sobre tudo o que acontecera a mim nestes últimos meses. Andréia era uma grata surpresa e ao mesmo tempo uma incógnita nos meus pensamentos.

Eu estava apaixonada e disto não tinha dúvidas, só que pela primeira vez na minha vida não sabia o que fazer com esta paixão fulminante que me assolara de repente. Eu vivia imaginando minha próxima paixão e a desejando a cada dia desde minha separação.

Minha relação com Carla não era propriamente boa, mas era muito bom sempre encontrá-la quando eu chegava em casa, quando eu sentia seu cheiro, quando eu a abraçava, era uma sensação de aconchego, de ter uma família, coisa que fora muito rara na minha vida. Não fico nunca me lamentando por ter tido uma vida difícil, mas Carla me proporcionava um bem estar que nunca havia sentido antes.

Nosso encontro foi por acaso em uma festa na casa de Vera e desde o primeiro momento que a vi, achei-a linda, inteligente, vivaz, bonita. Conversamos a noite toda e a empatia foi imediata. Os dias que se seguiram foram de encontros em cinemas, jantares e enfim em nossas casas. O amor foi chegando devagar, mas fora chegando de uma forma tão tranqüila que eu fui me aninhando em seu abrigo e de lá tinha certeza que não sairia jamais. Vera sempre me alertou que nossa relação era frágil e eu não concordava, nunca concordei.

Só que a vida não costuma ser só esta calmaria em que nos encontrávamos, sempre há as tempestades e quando encontramos a nossa afundamos em mar aberto e nos perdemos. Carla encontrou uma paixão que a enlouqueceu, trocou tudo o que tínhamos para viver uma aventura que ela dizia a deixava mais viva e mais feliz. Tudo o que eu pude fazer para mantê-la ao meu lado eu fiz, mas não consegui prendê-la e nem quis mais por sentir que ela já não era mais feliz.

Fiquei muito ferida, completamente perdida e devastada com a minha realidade de ficar só, ter que arcar com despesas que não poderia pagar sem ajuda dela, ter que desfazer tudo que construímos até então e viver com a dor do amor perdido, do tempo perdido, da vida ao avesso. Uma paixão custa muito caro e em todos os sentidos, por isso eu pensava o que faria com a doutora Andréia, já que eu era uma gata escaldada ou em teto de zinco quente.

Andréia me levava à loucura, uma paixão que confesso não ter sentido em nenhum momento por Carla e agora tinha certeza que Vera vira o que eu jamais notei no tempo que estava com Carla, eu forjei um amor que não havia e uma paixão que não sentia. Com Andréia era completamente diferente e agora eu sabia que Carla tinha razão quando me falara de sua paixão e do fato de se sentir viva e era exatamente assim que eu me sentia quando me encontrava com Andréia. Era uma sensação de estar sempre com a respiração entrecortada, com uma perda de equilíbrio e de estar sempre em segundo plano até para mim mesma.

Carla tinha razão quando definia a paixão como se fosse um labirinto em que a gente teria que caminhar por todos os seus becos sinuosos, escuros e perigosos e fazíamos porque não havia como fugir, simplesmente não havia saída.

Eu estava absorta em meus pensamentos quando Andréia me ligou e fez-me confessar que ela me possuía inteiramente. Não estou preocupada com a minha confissão e se ela perguntar se estou apaixonada por ela, dar-lhe-ei a resposta verdadeira, que estou e que quero estar. Tinha que ligar para Vera e proferir minha nova paixão e pedir sua liberação da festa tão longamente programada por nós em mesas de botecos e em sua casa.

- Alô Vera?

- Ei minha somelier preferida até que enfim retornou meu telefonema!

- É sua amiga anda um pouco distraída.

- O que? Novidades na casa da paixão? A doutora?

- É a doutora reapareceu nas asas de um furacão.

- E você anda rodando nele sem ter como sair acertei?

- Acertou.

- Você quer vir aqui para conversar?

- Não Vera, ela virá daqui a pouco e tenho que lhe dar uma resposta que depende de você.

- Credo Lu, o que é que eu tenho haver com isso?

- O revellion Vera, ela quer que eu vá passar com ela.

- Ela não quer vir para cá?

- Não. Ela quer ir para uma ilha num lugar chique, sofisticado e com todos os seus amigos e familiares. Estou perdida amiga.

- Amiga que coisa. E você quer este pacote todo?

- Quero estar com ela Vera, só com ela, mas para isso terei que estrear na noite do revellion agüentado toda esta carga, o que você acha?

- Olha, não vai ser simples, mas não vou ser empata foda, por mim você está liberadíssima e tem mais eu tinha arranjado umas cinco pessoas candidatas a lhe tirar da solidão, mas já que você já se arranjou então minha carreira como alcoviteira foi curta e em vão.

- Certo dona Vera, mas estou apavorada.

- Com o que Lu?

- Acho que ela não sente muita coisa por mim.

- Sexo? É isso que a doutora quer consigo?

- Acho que é.

- Lu tenha cuidado com esse coração minha amiga, você está se restabelecendo, não fique em histórias complicadas. Se a doutora quer sexo, fique na mesma sintonia, curta e pronto, volte para sua vida bem e leve.

- Acho que me apaixonei.

- Ah Lu, então se prepare pra guerra, faça essa mulher te querer, precisar de você, se apaixonar por você.

- Como minha amiga, me diga como?

- Primeiro vá bem sex para este revellion e depois faça cena, se divirta e prove para ela esta noite, que você é dela mais pode ser de outras pessoas, seduza-a, mas deixe uma dúvida no ar entende? Você quer ir a esse revellion, pois tem quase certeza que não irá vê-la mais acertei?

- Acertou.

- Então transforme esta noite na sua grande chance de se tornar visível e importante para a doutora, tenho certeza que é isso que ela quer.

- Você nem a conhece.

- Minha amiga tenho alguns quilômetros nesta caminhada bem a frente de você. Esta sua doutora poderosa e qualquer outra pessoa querem ter o que todos querem ter, é como um prêmio entende? É o pódio é a medalha de ouro, ninguém quer ter uma pessoa que já possui, todos querem conquistar o melhor. Então seja o grande prêmio vá e arrase amiga.

- Vou tentar.

- Não a palavra é conseguir. Vá e consiga sua doutora pra você. Eu vou ficar torcendo.

- Certo amiga beijos.

- Happy new year Lu, faça deste o seu revellion e se mesmo assim ela não te quiser é porque esta sua doutora é uma toupeira viu?

- Feliz ano novo pra você também, beijos.

Fiquei no sofá pensando nos conselhos de Júlia e adormeci.



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Capitulo 13

[07/05/12]

Capítulo 13

Liguei insistentemente para Luciana que não me atendia. Será que ela havia saído e não levara o maldito celular? Droga eu aqui neste bairro mais do que suspeito e Luciana não dava sinais que iria me atender, como se já não bastasse uma chuva torrencial não dava sinais de que iria passar tão cedo. Desliguei a chamada e tentei novamente.

- Oi?

- Luciana? Aonde você está?

- Andréia? Desculpe acho que peguei no sono você está...

- Aqui em baixo, vou subir.

- Não! Eu desço para a garagem, dê a volta e eu abro para você.

- Certo.

Não sei como aquela garagem minúscula e baixa não tinha inundado com a chuva, mas Luciana me esperava nela.

- Oi Andréia, desculpa eu...

Desci do carro, fiquei perto de Luciana a puxei pela cintura e dei-lhe um beijo. Ela me empurrou e disse que havia câmeras. Eu novamente a puxei e desta vez ela não mostrou resistência. Foi um beijo longo e cheio de desejos a serem satisfeitos.

- Doutora serei expulsa do prédio.

- Tenha certeza que não lhe fará grande mal ser expulsa daqui. Vamos?

Subimos num elevador suspeito, apertado e velho. Fiquei junto a Luciana que me olhava com o mesmo desejo de sempre. Entramos em seu apartamento que ficava no terceiro andar e confesso que era muito bonito e aconchegante. Luciana transformou aquele lugar minúsculo, cerca de trinta metros no máximo de espaço em um cantinho digno de revistas de decoração, o seu bom gosto era inquestionável.

- Desculpe a espera Andréia.

- Não faz mal. Senta aqui e vamos conversar.

- Ok doutora.

Luciana sentou-se do meu lado e eu confesso que adorava ela me chamando de doutora. Havia nesse “doutora” um certo ar admiração e de respeito, não sei bem, o fato é que eu gostava muito, mas não dizia a ela.

- Quero a minha resposta senhorita. Você quer passar a virada do ano comigo?

- Andréia tem certeza que seria uma boa idéia você me levar para junto dos seus amigos e de sua família? Nós nos conhecemos a pouco e as pessoas iriam estranhar muito a minha presença não acha?

- Nunca precisei de aprovação nem da minha família e mais ou menos dos meus amigos e tenho certeza que eles irão gostar de você.

- Andréia, porque não nos encontrarmos dia primeiro? Olha nós marcaríamos em algum lugar e ficaríamos juntas o dia todo, o que acha?

Abri a bolsa e peguei um cigarro.

- Posso?

- Claro.

- Luciana, meu convite é o mesmo. Se for pela insegurança de estar em um lugar que você não conhece ninguém, fique tranqüila eu te defenderei de todas as inconveniências que possam vir a te acometer.

- Não é isso Andréia, apenas acho que podemos ter um momento mais íntimo sem festas e gente querendo saber quem eu sou e pedido explicações a respeito da moça que está com a doutora Andréia.

Apaguei o cigarro, cheguei mais perto de Luciana, encostei meu rosto no seu, comecei a morder-lhe a orelha e perguntei novamente.

- Diga-me que quer passar o ano novo comigo, diz Luciana?

- Assim não vale doutora, eu...

Beijei seu ouvido, desci para o pescoço, comecei a desabotoar sua linda blusa branca e afastar o sutiã com uma das mãos e massagear seus seios.

- Diga Luciana, me fale que quer muito passar o ano novo comigo, diz?

- Ah... Quero ficar com você...

- No ano novo, diz?

- No ano novo.

Segurei o rosto de Luciana e fui delicadamente beijando seus lábios carnudos, próprios da mistura de raças. Comecei a explorar sua boca, salivando absurdamente e deixando-a provar minha saliva. Mordi seus lábios e comecei a despi-la.

- Andréia, me deixa ir ao banheiro, quero me lavar...

- Depois Luciana, depois.

Continuei despindo-a. Comecei a sugar seus mamilos que já estavam duros, desci a boca pelo seu abdome, lambi o umbigo, desci para as coxas e subi novamente para os seus lábios. Luciana estava excitada e doida para me dar.

- Fale o que você quer fala?

- Quero você Andréia...

- Quer? Como? Diga.

- Quero que você me coma, quero você dentro de mim.

Obedeci prontamente o que Luciana pediu. Deslizei a mão até sua buceta, enfiei dois dedos em sua vagina e comecei movimentos de vai e vem lentos e olhava fixamente para ela para ver suas reações de prazer e dor.

- Está gostando minha linda? Quer que eu pare?

- Há! Andréia eu... Quero...

- O quê? Fala minha linda morena, o que você quer?

- Quero você, quero você, sou sua...

Luciana se contorcia com as pernas totalmente abertas para dar passagem para mim. Aumentei os movimentos e com o polegar comecei a massagear seu clitóris, ela gemia, segurava em meu ombro balançava a cabeça e eu adorava acena. Tirei meus dedos de sua vagina, puxei-a mais para onde eu estava, subi suas pernas e comecei a massagear seu clitóris e seu anus.

- Quero você toda pra mim você deixa?

- Sim deixo sou toda sua.

Introduzi o dedo em seu anus e outros dois em sua vagina. Enlouqueci vendo Luciana completamente entregue pra mim, sem restrições e adorando estar naquela posição. Meus movimentos eram rápidos e fortes, Luciana gemia e segurava meu pescoço e não dizia coisas claras, mas estava quase gozando quando retirei os dedos de seu sexo e desci para chupá-la, ela abriu-se mais e eu comecei a mamar seu clitóris e ela gritava de prazer. Luciana gozou lindamente. Tirei minha roupa apressadamente e fiquei deitada sobre ela. Ela estava num estado de torpor. Assim que recobrou as forças, eu comecei a beijar-lhe os mamilos e a boca e pedi que ela me chupasse e ela obedeceu. Luciana me sugava com força, quase me machucando e eu ia controlando sua avidez hora forçando o meu sexo contra sua boca, hora tirando-o. Luciana obedecia prontamente os meus comandos.

- Luciana quero sentir você dentro de mim, vem?

Luciana enfiou dois dedos em minha vagina e começou a movimentá-los eu comandava a velocidade dos movimentos de Luciana. Fiz Luciana sentar no chão e sincronizar seus movimentos de penetração com a sua língua úmida e quente no meu clitóris.

- Vou... Gozar... Lu...

Gozei na boca de Luciana, que esperava pressionando sua boca em minha buceta até o último espasmo do meu gozo. Puxei Luciana para cima e beijei sua boca, sugando sua língua com força até me acalmar. Ficamos um bom tempo deitadas ela em cima de mim, quando ela tentou se levantar, eu a soltei e ela foi até o banheiro. Fiquei vendo Luciana se afastar e notei um rastro de gozo escorrendo em sua perna. Luciana tinha gozado novamente e junto comigo, tinha certeza. Fiquei orgulhosa. Luciana voltou nua e linda. Eu estava deitada em seu sofá, fumando um cigarro.

- Viu como deixei você ir ao banheiro?

- Ok Andréia, muito obrigada.

- De nada, sou boazinha com você.

- Você gosta de comandar não é doutora?

- Sim, adoro e você gosta que eu diga o que fazer?

- Como?

- Você gosta de comandos na hora do sexo Luciana, eu notei isso.

- Não me deixe constrangida.

- Eu gosto de mulheres passivas Luciana e você é assim e eu adoro.

- Andréia estou ficando envergonhada.

- Não fique, fique assim sempre pra mim.

- Sempre é muito tempo doutora.

- Sempre é o tempo que queremos que seja Luciana. Estou um pouco cansada, você tem uma cama?

Luciana me olhou com surpresa.

- Você vai ficar comigo? Quero dizer vai dormir aqui comigo?

- Posso? Esta chuva não dá sinais de abrandar e mesmo que não estivesse chovendo eu preferiria ficar aqui com você, a não ser que você não queira.

- Claro que eu quero, venha para o quarto.

Luciana me deu a mão e me conduziu para o seu quarto que era pequeno, pintado em branco e com uma cama bem arrumada, branca como todo o quarto e me parecia bastante confortável. Eu realmente estava cansada, os últimos dois dias foram de trabalho árduo. Gostaria de ter continuado a fazer sexo com minha morena, mas o cansaço me venceu e assim que Luciana me deitara em sua cama, procurei me aninhar em seu peito e adormeci minutos depois.



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Capitulo 14

[09/05/12]

Capítulo 14

Acordei com Andréia junto a mim. Por uns instantes lembrei-me de Carla e o seu aconchego que eu adorava. Onde estaria Carla e sua paixão avassaladora? Tomara que estivesse bem e que seu romance tenha dado frutos.

Eu fiquei bem quieta para desfrutar mais do corpo nu e quente de Andréia que não dava sinais que iria acordar. Com Andréia as coisas pareciam sempre uma incógnita, uma equação complicada e eu sempre fora péssima em matemática e sempre tive dificuldades de me impor para qualquer pessoa que se mostrasse com um pouco mais de autoridade.

Andréia era uma dessas pessoas, autoritária, poderosa e decidida. Lembro-me bem da escola das freiras quando elas diziam que autoridades não poderiam ser questionadas nunca. Acho que eu aprendi direitinho essa lição e na vida tinha dificuldades de comandar e de me opor a quem estivesse um degrau acima de mim. Ao mesmo tempo Andréia me passava uma impressão de que era solitária e tentava convencer a todos que isso não a incomodava. Vai ver que sua solidão não era realmente um problema para ela.

Temos sempre a impressão que podemos reinventar a vida de alguém que amamos e por querer protegê-los acabamos sufocando-os e fracassando na tentativa de sermos ditadores em mundos que não nos pertencem. Andréia mexeu na cama e acordou eu fiquei olhado-a, até que ela se virasse e desse de cara comigo admirando-a.

- Oi Doutora, bom dia. Dormiu bem?

- Bom dia minha linda, dormi muito bem e você?

- Muito bem obrigada. Tem tempo para um café?

- Até dois, mas antes gostaria de um banho.

- O banheiro é ali à direita e tem toalhas e um roupão limpos no armário.

Andréia me puxou, me deu um beijo, se levantou nua, linda e foi para seu banho. Eu peguei um roupão me vesti e fui para cozinha preparar o nosso café da manhã. O que a doutora Andréia costumava comer pela manhã? Ela tinha um corpo perfeito deveria comer coisas leves, nada de bacon com ovos, apenas torradas, queijos brancos sucos naturais e café com leite? Pensei e preparei exatamente isso.

Andréia saiu do banho com os cabelos molhados e um perfume próprio dela e de frescor matinal. Eu estava terminado de aquecer o leite, quando ela chegou por trás, me abraçou e me deu um beijo no pescoço que me arrepiou até a alma.

- Oi moça, que cheiro bom de café da manhã.

- Ei estava bom o banho?

- Muito e estou faminta. Ontem o gênio do meu irmão me convidou para comer em um restaurante indiano e eu confesso não gostar muito de pimenta e seus derivados, portanto quase não comi.

- Devia ter me dito, teria preparado um sanduiche pra você Andréia.

Ela sentou-se e começou a se servir, me olhou, sorriu e falou:

- Assim Luciana você me acostuma mal. O que eu queria de você ontem não era exatamente seus dotes culinários e sim outros que tive com fartura.

- Bem se é assim, tudo bem, mas acho que dormiu com fome.

- Dormi sim com fome de você, mas estava muito cansada para continuar.

- Nossa Andréia, que voracidade! Estou achando que não tenho esse fogo todo.

Ela me olhou com um sorriso malicioso.

- Claro que tem e você sabe muito bem disso, mas agora depois desse delicioso café da manhã tenho mesmo que ir. Tenho que resolver algumas pendências relativas à festa e quero que vá para meu apartamento à noite. Amanhã cedo iremos para a ilha, certo?

- Achei que eu iria só amanhã.

- Por quê? Prefere assim?

- Não sei Andréia, eu tenho que me arrumar e ver uma roupa para sua festa e...

- Você tem o dia todo para isso minha linda. Hoje Pedro e Cacá irão para o meu apartamento e ficarão por lá pois partirão conosco para ilha pela manhã. Vai ser bom você conhecê-los, portanto ficará mais à vontade na festa à noite.

- Pedro é seu irmão e Cacá?

- O companheiro dele tenho certeza que você vai gostar dos dois malucos e responsáveis diretos pelo nosso encontro via internet.

- Tudo bem estarei lá as nove, pode ser?

- Mandarei o motorista vir te buscar as oito e trinta.

- Vou de taxi Andréia.

- Não. Mandarei o motorista vir te buscar Luciana. Agora deixa eu me vestir porque tenho milhões de coisas a resolver.

Andréia se levantou, foi para o quarto, vestiu sua roupa,voltou para a cozinha, me puxou pela mão, ficou colada em mim.

- Sabe Luciana, você é uma grata surpresa neste ano que fora excessivamente sem graça e até morno pra mim.

- Em que sentido doutora?

- De encontrar pessoas interessantes, sensuais, inteligentes e lindas como você minha morena.

- Nossa estou lisonjeada. Sou tudo isso?

- É mais que isso e você está aqui todinha pra mim.

- Estou minha linda doutora, estou bem aqui pra você, só pra você.

- Quero que fique assim pra mim Luciana só pra mim.

Andréia me deu um beijo demorado, brincou com a língua dentro da minha boca se afastou, olhou bem para mim mais uma vez me encarando com um sorriso que me matava de tesão, pegou minha mão e foi se encaminhando até a porta.

- Alguém abrirá a garagem Luciana?

- Ah espera, tome o controle e depois eu pego com você.

- Certo, te espero.

Ela me deu mais um beijo e se foi. Eu fiquei na porta e disse baixinho.

- Espere-me minha paixão, minha linda paixão.

Andei a tarde toda procurando um vestido, uma sandália e tentando arrumar meu cabelo e colares e calcinha nova por lojas lotadas e concorridas. Além do dinheiro curto, não tinha noção de como seria uma festa da alta sociedade.

Comprei um vestido curto, branco com pedrarias com cores leves, achei-o muito bonito e se achassem que eu estava mal vestida, pra mim não havia nenhuma importância, Andréia sabia que eu era uma dura e que eu não tinha mesmo um Givanchi ou um Chanel no armário engatilhado para essas ocasiões.

Passei no banco, peguei a grana que iria mandar para mamãe. Apesar de saber que não iria precisar de dinheiro na ilha, não confiava muito em Andréia e nem nas suas boas intenções. Caso ocorresse tudo bem, mandaria o dinheiro no dia dois e no dia três partiria para o hotel vinícola onde trabalharia todo o mês de janeiro durante o dia e à noite faria meu curso de enologia avançada.

Nesta época se dá a colheita das uvas primeira etapa da fabricação dos vinhos e é uma época muito animada na região com a chegada de trabalhadores, enólogos e turistas e eu não poderia perder esta ocasião, pois havia muitos cursos e palestras dados por estrelas do mundo do vinho. Contaria a Andréia meus planos apenas no dia primeiro, mas algo me falava toda hora aos ouvidos que a doutora queria apenas minha companhia até o revellion e nada mais.

Com Andréia eu me sentia assim, o próximo encontro seria o último. Estava seriamente propensa a perguntar para ela o que realmente existia entre nós e talvez o fizesse na noite do revellion ou no outro dia ainda não havia resolvido. Cheguei em casa, arrumei minha mala, tomei um longo e delicioso banho, me deitei no sofá lembrando da noite de amor com Andréia e logo adormeci.

Acordei já eram oito horas da noite. Lembrei que o motorista viria me apanhar as oito e trinta. Arrumei algumas coisas que faltavam de toalete, maquiagem, xampu, cremes e fui até a cozinha preparar um chá.

Fiquei olhando pela janela que dava vistas para um beco que vez ou outra era povoado por viciados de todas as espécies, mas naquela época do ano eles desapareciam, pois estavam nos semáforos da cidade pedindo esmolas ou assaltando as bolsas e carteiras dos cidadãos mais fartas com os bônus recebidos nos salários.

Resolvi descer e esperar o motorista na portaria do prédio onde tinha um zelador que ficava somente à noite. O motorista chegou pontualmente às oito e trinta. Ele desceu do carro, se apresentou, pegou minha mala e abriu a porta do carro número três da doutora Andréia.

Nunca me pareci tanto com a gata borralheira, mas sem a fada madrinha. Perguntei seu nome e ele me disse que se chamava João, só faltava ele chamar-se Charles ou Jarbas, enfim eu a gata de rua estava indo numa linda Mercedes para um lindo apartamento me encontrar com a mais bela das mulheres, pelo menos a mais bela das quais eu conhecia.



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Capitulo 15

[11/05/12]

Capítulo 15

- Oi doutora Andréia, tem comida nesta casa estou faminta.

- Boa noite Carlos onde está Pedro?

- Subindo com as malas e cumprindo seu papel de marido dedicado e obediente. To brincando, ele irá se atrasar um pouco, pois ficou de ver alguma coisa a respeito dos fogos para festa, mas logo estará aqui. E você my Darling, onde está sua futura esposa?

- Está vindo Carlos e futura esposa é a mãe. Tem pão, queijo e pastas quer que eu te sirva?

- Quero. Diga-me porque ela está indo ao seu revellion? Seu fã clube todo estará lá, quero dizer a Silvia, a Paula, a Fernanda e sua arquiinimiga e apaixonada prima Adriana.

- Você acha que Adriana é apaixonada por mim?

- Claro, o amor e o ódio caminham lado a lado baby.

- Credo! Quero Adriana como sempre esteve a milhares de quilômetros de distância de mim.

- Ela é muito linda Andréia, não entendo este ódio todo entre vocês. Foi alguma coisa que aconteceu na fazenda da sua tia quando você ia lá quando criança?

- Não é ódio Cacá, apenas uma antipatia nata. Mamãe sempre fez questão de ir para aquela fazenda todos os anos e enquanto não podia recusar eu ia com ela. Acho que mamãe se preocupava com minha tia, pois o marido dela era violento e ela vigiava esta relação explosiva de perto com medo que a irmã sofresse algum tipo de violência, mas meu tio era esperto o bastante para não sacrificar a galinha dos ovos de ouro, ou seja minha tia. Adriana tem o caráter do pai, sempre foi insuportavelmente vaidosa, grosseira e pouco confiável. Eu não me dou bem com gente deste tipo.

- Nisto você tem razão, Adriana é uma mistura perigosa e explosiva a melhor coisa a se fazer é ficar longe da megera. Mas onde está a morena?

- Mandei o motorista trazê-la. Eles devem estar chegando.

- E quais são as suas intenções?

- Para com a moça? As mesmas de sempre, sexo de qualidade e romance na dose certa.

- E a moça o que ela pretende com você?

- Sei lá? Não perguntei e nem pretendo e como diria o poeta “que seja chama enquanto dure”.

- Bom, isso está me cheirando a um namoro?

- Tenho realmente pensado nisso Cacá, mas não me decidi. Luciana é o tipo de mulher que se envolve muito, entra de cabeça nas relações. Ela teve um casamento de sete anos e há um ano está solitária, deve ter evitado ao máximo se envolver com alguém, com isso ficou carente e por fim eu apareci na história e creio que ela pode muito bem usar-me como tábua de salvação, por isso não quero me precipitar em achar que ela é a mulher com quem eu vá me envolver seriamente. Além do mais eu realmente não estou procurando uma relação séria, estável e cheia de complicações bem próprias do casamento. Viver a dois é uma tarefa árdua. Também não sei se quero uma única pessoa em minha vida toda, podendo ter muitas e sem a sensação de estar traindo alguém. Já vivi esta experiência e acho que foi o bastante. Luciana é uma moça pobre e claro que está deslumbrada com o mundo que estou apresentando a ela e isso pode ser também um elemento de encantamento entende?

- Ei parando doutora! Não vem com essa história de interesse por dinheiro porque você nem conhece a moça e não tem direito de julgá-la assim.

- Não acho que ela está doida pra dar o golpe do baú, só que é tentador entrar em um ambiente completamente diferente daquele que estamos acostumados e provar coisas que jamais provaríamos em nosso próprio mundo entende? Ela não gosta de trabalhar no hospital como tec. de enfermagem, está buscando uma formação completamente diferente em enologia, e quem sabe eu possa proporcionar um atalho para tudo isso?

- Você realmente doutora é filha do seu pai. Sempre pensando com cabeça de empresária até na parte sentimental da vida. Olha doutora se ela estiver esperando isso mesmo de você, vou te dar um conselho, afaste-se dela o mais rápido que puder. Agora você tem muito poucos elementos para tirar estas conclusões. Eu acho que ela está apaixonada ou encantada pela senhora porque você é linda, deve ser boa de cama, pois ostenta um fã clube fiel e principalmente tem um carisma e um caráter de ouro minha cunhada linda, mas cuidado e canja de galinha não fazem mal para ninguém. Mas cadê este meu marido? Vou ligar agora.

Ouvi sem querer toda a conversa dos dois. Cheguei a o Hall de entrada exclusiva do apartamento de Andréia, apertei a campainha, mas ela não acionou nenhum tipo de som, talvez eu tivesse apertado o botão errado, já ia bater à porta quando eu os ouvi falando ao meu respeito. Um filme me passou na memória como um trailer, destes que passam antes do filme principal.

Antes de entrar para o hospital trabalhei com babá para uma família muito rica durante um ano. A mãe da criança era insuportavelmente esnobe e só se dirigia a mim por comandos e frases curtíssimas. Nunca ouvi dela um, por favor, ou obrigada. O pai da criança ao qual todos os empregados da casa se referiam como o rei, este só viu uma vez. A casa era luxuosa e sim doutora Andréia, eu já tive contato com o seu mundo deslumbrante e não me apeteceu nem um pouco.

Novamente pensei o que é que eu estava fazendo ali, eu poderia muito bem estar na minha casa, assistindo minha televisão embrulhada em minha coberta xadrez vermelha e azul comprada em uma liquidação de janeiro, mas não estava ali prestes a encontrar-me com uma mulher esnobe e que pensava que eu estava atrás de atalhos?

Chamei o elevador de volta e nessa hora a luz do Hall se apagou, eu não me importei, fiquei quieta e no escuro. O elevador chegou até o andar em que eu estava, desci, passei pela portaria que nem uma bala. Chamei um taxi e estava de vota ao meu lar doce lar em mais ou menos trinta minutos depois que deixei a cobertura luxuosa da Dra. Andréia.

- E Luciana? Já está muito atrasada, vou ligar pra ela também.

- Oi senhoras e senhores cheguei.

- Oi amor, você demorou, vem cá me da um beijo.

- Pedro você viu João aí em baixo?

- Vi sim ele estava lá conversando com o porteiro, até o cumprimentei, por quê?

- Eu não acredito que ele se esqueceu de buscar Luciana! Alô Antônio mande João subir em meu apartamento imediatamente.

João subiu logo.

- Seu João o que houve? Eu mandei o senhor buscar dona Luciana, o senhor não foi?

- Doutora Andréia, eu a busquei e a trouxe até aqui. O Antônio não estava na portaria na hora que chegamos por isso não anunciou a moça, eu achei que estava tudo certo, pois ela era amiga da senhora. Quando eu estava conversando com Antônio lá em baixo ela passou com pressa por nós, tomou um taxi e foi embora.

- Como? Ela foi embora?

- Sim ela foi embora antes do Dr. Pedro chegar, faz uns quinze minutos eu acho.

- Certo João obrigado pode ir.

- Sim senhora, a senhora ainda vai precisar de mim?

- Não João, pode ir pra casa e muito obrigado. O que você acha Cacá?

- Ela ouviu a nossa conversa.

- Como?

- Sei lá Andréia, acho que ficou aí quieta no hall, sei lá.

- Droga vou ligar pra ela.

Liguei muitas vezes e ela não me atendia.

- Pedro me leve até a casa de Luciana, por favor?

- Claro que a levo Andréia.

- Eu também vou.

- Desculpem mais o bairro não é lá muito confiável e eu não quero ir lá sozinha.

- Claro minha irmã vamos?

- Vou pegar minha bolsa.

A viagem até a casa de Luciana foi feita em silêncio, interrompido somente para dar instruções para o meu irmão do caminho a percorrer até o endereço. Eu sabia que Luciana certamente ouvira a conversa e só assim me dei conta que a maldita campainha não deveria estar funcionando. Acho que Maria já havia me alertado e eu com muitas coisas a fazer não dei importância e nem agora isso tinha importância.

Certamente Pedro e Cacá estavam pensando que eu poderia estar apaixonada por Luciana, mas eu não queria que o nosso encontro terminasse de forma desastrosa e queria também a sua companhia na festa, já que eu com certeza teria que aturar muita gente chata naquela noite, pois sempre fora assim.

As festas de revellion eram feitas para familiares e clientes importantes de papai, ele exibia a família perfeita, fazia uma média com os amigos e com pessoas influentes. Eu também tinha convidados importantes a receber e havia um importante senador que me daria o aval necessário para que a UNESCO investisse dinheiro na minha fundação, era imprescindível a parceria com o governo e eu precisava fazer um lobby perfeito nessa noite. Luciana além de linda, educada e discreta me daria o suporte necessário, afastaria investidas de gente que não me interessava mais e devo confessar que mataria Adriana de inveja, eu não poderia ficar nessa noite sem Luciana e por isso eu estava indo para aquele bairro no fim do mundo atrás da minha musa da internet.

- É aqui Andréia?

- É sim. Eu vou subir e vocês me esperem na portaria, ficar aqui no carro é perigoso.

- Certo, vamos.

Na portaria havia um velho senhor que logo me cumprimentou.

- Boa noite. Vou até o apartamento de Luciana no 306.

- Ok moça pode subir. Os senhores estão com ela?

- Estamos moço, mas não vamos subir ta?

- Tudo bem.

O porteiro já ia ligar me anunciando, mas Cacá logo fez uma pergunta, emendou uma conversa e não deixou o homem me anunciar, pois tanto eu como ele sabíamos que ela não queria me atender. Cheguei ao andar de Luciana e toquei a campainha e ela funcionou bem, mas Luciana não atendeu. Eu sabia que ela estava lá, pois se não o porteiro haveria de ter nos avisado. Insisti e nada de Luciana me atender.

- Luciana, eu sei que você está aí, abra a porta, por favor, se não terei que ficar a noite toda tocando esta maldita campainha!

- De dentro do apartamento finalmente Luciana falou.

- Andréia não tenho nada a falar com você.

Toquei novamente a campainha, desta vez ininterruptamente. Finalmente Luciana abriu a porta e eu fui entrando sem o devido convite.

- O que houve Luciana, porque você está aqui e não lá no meu apartamento?

- Acho que você já deve ter tirados suas conclusões doutora.

- Que conclusões Luciana, o que eu sei é que a senhorita combinou uma coisa comigo e decidiu de uma hora para outra descumpri o combinado.

- Doutora Andréia eu realmente sou pobre como você falou para o seu cunhado, mas não sou burra. Eu não quero nenhum atalho e no mais se quisesse esteja certa que já o teria conseguido a muito tempo atrás e muito antes de te conhecer. Não quero passar o meu revellion com gente da sua espécie, não te conheço, você não me conhece e, por favor, queira ir embora da minha casa porque além de estar muito cansada, tomei um sonífero para dormir e esquecer que algum dia na minha vida me entreguei para uma pessoa como você, preconceituosa, egocêntrica, mimada que acha que o mundo e todas as pessoas estão interessadas nos seu rico dinheirinho, aliás isso deve ser um grande problema na sua vida, saber distinguir quem realmente está interessada em você e não na sua grana.

- Luciana, não deveria tirar conclusões precipitadas e, aliás, não deveria ficar por aí escutando conversas atrás das portas.

- Vá embora Andréia, ou eu chamo a polícia ouviu!

Fechei a porta do apartamento, sentei-me no sofá da sua sala, cruzei as pernas e acendi um cigarro para mostrar a Luciana que eu não estava nervosa como ela e nem ficara preocupada com a sua ameaça.

- Luciana vamos conversar, por favor.

- Não tenho absolutamente nada para falar com você doutora.

- Luciana, o que você ouviu na minha casa eram apenas suposições em nenhum momento afirmei nada que pudesse denegrir sua honra ou atentar contra o seu caráter. Tudo bem, eu disse coisas que não deveria ter dito, mas peço desculpas e quero que volte comigo para o meu apartamento para que possamos ir para o revellion como combinamos, vamos, por favor?

- Não vou Andréia, não insista.

Olhei para Luciana e ela me parecia irredutível, pensei em que argumento poderia usar para que ela mudasse de opinião e o mais correto naquele momento era o de reafirmar suas teorias ao meu respeito e foi isso que eu fiz.

- Tudo bem Luciana, eu vou, mas eu quero te dizer que você tem razão, eu realmente fui preconceituosa quando afirmei que eu poderia servir de atalho em suas ambições, você também tem razão quando diz que eu tenho dificuldades para distinguir quem está realmente interessada em meu dinheiro e posição social. Infelizmente Luciana o nosso velho mundo é cheio de pessoas que querem tirar proveito de outras e isso eu tento evitar a todo custo, nem sempre faço um julgamento correto e parece que não fui justa com você e peço seu perdão. Quero que você me perdoe porque eu quero continuar te vendo e você sabe e já tem provas mais que suficientes que eu quero e preciso estar com você. Eu estou aqui pedindo o seu perdão porque ele é muito importante pra mim Luciana.

- Eu te perdôo Andréia, mas não quero mais nada com você.

Levantei-me do sofá, fui até Luciana, fiquei bem perto dela, olhei-a diretamente nos olhos, passei a mão pela sua cintura e a puxei para mim. Luciana colocou as duas mãos no meu peito como se quisesse me afastar.

- Tem certeza Luciana? Tem certeza que é isso que você quer? Que eu vá embora e nunca mais te procure?

- É isso Andréia e...

Eu a beijei, ela tentou fugir virando o rosto, mas eu peguei em seu queixo e trouxe sua linda e carnuda boca de volta ao contato da minha. Comecei novamente um beijo suave e depois fui invadindo a boca deliciosa de Luciana com a minha língua. Ficamos nos beijando por muito tempo, finalmente eu parei de beijar-lhe.

- Luciana por favor, me perdoe, fica comigo, por favor?

- Não Andréia, vá embora sim?

Desta vez Luciana falou sem a menor convicção.

- Eu só vou embora daqui com você. O que você disse não é verdade.

- O quê?

- Você me quer e muito e eu te quero então vamos parar com essa briga que não nos leva a nada e vamos, vem comigo, eu pego sua mala, é essa?

A mala de Luciana estava num canto do apartamento e ela não tinha a desfeito dando um sinal evidente e mesmo que inconscientemente ela sabia que eu viria buscá-la.

- Andréia, eu sei que eu vou me arrepender, mas eu quero muito você e não posso negar isso.

- E nem precisa querida, venha vamos.

Luciana ainda ficou em meus braços por um tempo que eu esperei pacientemente e não era nada desagradável ter Luciana de volta em meus braços completamente entregue como das outras vezes em que nos encontramos.

Descemos no elevador apertado e velho. Cacá estava conversando animadamente com o porteiro e Pedro estava com meu notebook olhando algo na internet sentado em uma poltrona velha e única que se encontrava naquela portaria.

- Olá garotas pensamos que não iriam mais descer.

- Deixe-me apresentar oficialmente Luciana para vocês. Luciana, meu amigo Dr. Carlos Alberto e meu irmão Pedro.

- Oi meu bem até que enfim te conheço! Chame-me de Cacá certo?

- Muito prazer Cacá, muito prazer Pedro.

- O prazer é todo nosso Luciana, vamos então?

- Sim vamos.

- Ah seu Emílio está aqui o meu cartão e o senhor pode trazer sua patroa para consulta a partir do dia cinco tá? Liga para a minha secretária e diga que eu a mandei marcar uma hora para vocês ok?

- Muito obrigado doutor, tenha um feliz ano novo?

- Pro senhor também. Vamos girls?

Entramos no carro, Luciana sentou-se um pouco afastada de mim, mas eu logo a puxei para perto de mim, sonolenta com a medicação que havia tomado para tentar dormir e me esquecer como afirmara ela logo pegou no sono antes que chegássemos ao meu apartamento.



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Capitulo 16

[14/05/12]

Acordei em um quarto que não era o meu e nem era o quarto que eu estive antes na casa de Andréia. Remexi-me na cama e logo notei um corpo quente ao meu lado, era Andréia que olhava atenta o meu despertar. Olhei diretamente para ela e logo me veio à lembrança da noite anterior e tudo o que ela havia me falado, as palavras dela pedindo perdão, admitindo que ela era atenta aos golpes que a vida poderia querer lhe dar.

Eu não sabia o que falar, gostaria de confessar a minha paixão, mas achei mais prudente não avançar a cautela e esperar o que ela tinha a me dizer, o que certamente não era muito já que eu sabia intuitivamente que Andréia não estava apaixonada por mim, já que a paixão é um sentimento difícil de guardar, ela nos trai através do olhar e das declarações nem sempre explícitas, mas implícitas nos gestos e nos detalhes que eu tentava atentamente buscar, mas ainda não conseguia vê-los em Andréia.

- Bom dia minha linda dormiu bem?

- Sim, muito que horas são?

- É cedo ainda, são oito horas da manhã.

- Porque você está acordada tão cedo?

- Fiquei preocupada. Você teve um sono agitado e a toda hora revirava na cama e chamava por alguém que eu não conseguia entender o nome, acho que você teve pesadelos.

- Desculpe por ter te incomodado, você poderia ter me colocado em outro quarto e assim poderia ter tido uma noite mais tranqüila.

- Luciana, não faça isso, por favor.

- Desculpe Andréia, mas eu sinto que você terá um dia cheio de coisas a resolver e provavelmente estará cansada por minha causa.

- Tudo bem vem cá.

Andréia me abraçou com um carinho que me comoveu e me fez aninhar-me em seu colo.

- Olha, eu tenho um dia cheio realmente, mas me preocupo com você embora não acredite. Vamos tomar café, mas antes eu quero um beijo.

- Andréia não, eu estou com um hálito...

Ela me beijou com uma voracidade que me deixou completamente molhada e excitada, eu tentei a afastar embora ela não tenha permitido. Por debaixo das cobertas eu estava completamente nua. Andréia começou a massagear meu sexo, eu morrendo de vergonha pela minha excitação explícita não tive como negar. Ela começou a introduzir os dedos em minha vagina, eu não agüentei e gemi.

- Fica assim pra mim minha linda, assim toda entregue só pra mim.

- Ai Andréia te quero muito, vem?

- Ah, Luciana, como eu gosto quando você se entrega pra mim todinha assim...

Andréia já estava com dois dedos introduzidos em minha buceta, que fazia barulhos de tão molhada e de tão rápidos e fortes que eram os seus movimentos de ir e vir. Andréia olhava para mim como de outras vezes que me comia, como se quisesse se certificar que estava sendo bem sucedida em sua prática ou mesmo que eu estivesse completamente sob seu domínio. Eu naquele momento concedia as duas coisas. Estava adorando o seu jeito de me possuir e estava completamente entregue.

- Ai Andréia, eu... Sou... Sua...

- Sim minha linda você é toda minha.

Andréia tirou os dedos da minha buceta, me colocou de bruços e começou me morder as costas, descendo até a bunda. Afastou minhas pernas e começou a introduzir novamente os dedos em minha vagina por trás. Ela deitou em minhas costas e beijava minha nuca com avidez, desta vez me falando impropriedades. Tirou novamente os dedos da minha vagina, me virou e abriu minhas pernas o mais que pode. Ela se encaixou roçando sua buceta na minha. O contato com o seu sexo quente e pulsante me levou a lugares inabitáveis e com força e avidez fomos fazendo movimentos de cima para baixo para nos sentirmos ainda mais. Andréia se livrou daquela posição, deitou-se ao contrário colocando seu sexo em minha boca e o meu na dela. Ela me chupava e introduzia os dedos em minha vagina encharcada pela minha excitação. Eu a chupava com avidez e ela ia controlando sua buceta em minha boca, como ela queria. Não agüentei mais e gozei, ela gozou junto comigo. Deixamos os nossos corpos caírem um em cima do outro. Ficamos assim um tempo. Ela foi se levantando, sentou na cama, me olhou e eu fiquei um pouco constrangida e não entendia o porquê.

- O que foi minha linda morena?

- Não sei, fico encabulada quando você me olha assim.

- Assim como?

- Como se eu fosse previsível ou fácil, sei lá Andréia!

- Nenhuma coisa e nem outra.

Ela se deitou ao meu lado, me puxou e me beijou longamente.

- Você é incrível, adoro o jeito que você faz do sexo uma coisa quase inocente.

- Inocente?

- É, parece que é a primeira vez entende?

- Para com isso Andréia, não piores as coisas.

- Tudo bem, mas é assim que eu sinto você.

- Eu vou me levantar tomar um banho e acho que estou faminta.

- Ei pode não parecer, mas acho que te fiz um elogio.

- Andréia, não foi um elogio.

- Tudo bem, não voltarei a fazer este comentário já que você não gostou.

Eu não tinha o que falar para ela, mas acho que ela tinha razão em seu sentimento. Nunca me entregara tão rápido e fácil para alguém como me entregara para ela e eu fazia isso com paixão e acredito que se ela me quisesse do mesmo modo seria amor, o mais puro amor e em tão pouco tempo.

Fui para o banheiro excitada ainda, abri o chuveiro forte e quente e fiquei pensando como eu ia me livrar daquela situação. Eu estava irredutivelmente apaixonada e ela interessada em sexo, puramente em sexo. E agora dona Luciana e agora?

Andréia veio logo em seguida que terminei meus pensamentos. Ela entrou no Box, me virou e me beijou introduzindo sua língua e salivando em minha boca e me excitando mais ainda. Eu tentei reagir, mas foi inócua minha reação, eu ia me juntando a ela e novamente começamos a nos pegar. Andréia introduzia novamente seus dedos em mim, eu me abria para dar passagem a suas investidas e ela me beijava encostando-me nos azulejos frios que não incomodavam em nada. Ela ficou assim me comendo por muito tempo até eu gozar e quase despencar no chão e só não o fiz, porque ela me segurou.

- Ei vamos sair, vem minha morena.

- Sentei na cama e desta vez fiquei muito tonta.

- Luciana? O que foi Luciana?

A voz de Andréia ia sumindo, eu tentava responder, mas apaguei.

Acordei. E desta vez quase quis apagar novamente, o Dr. Carlos Alberto estava no quarto tomando minha pressão e Andréia vestida em um roupão do seu lado.

- Olá Moça tudo bem?

- Oi Doutor, tudo, o que foi?

- Acho que vocês exageraram na dose, você desmaiou.

- Cacá por favor!

- Ok doutora. Só estou brincando.

Eu fiquei rubra.

- Luciana há quanto tempo a senhora não come?

- Eu acho que só almocei doutor.

- Luciana acho que você teve uma hipoglicemia, mas é melhor investigar direito. Desmaios são sinais claros de algumas patologias, então procure um clínico geral ou ginecologista incrível como eu e faça uma investigação mais detalhada.

- Certo doutor muito obrigado e esteja certo que farei isto logo que puder.

- Não abuse do álcool hoje viu mocinha!

- Esteja certo que não, Luciana não vai beber hoje. Talvez eu libere só o brinde de ano novo e ainda estou pensando.

- Tudo bem doutores não pretendo descumprir ordens médicas.

Maria trouxe uma bandeja com frutas, fatias de pão torrado, queijos, chá, café e leite. Tomei café da manhã junto a Andréia que me acompanhava olhando diretamente para mim, mas naquele momento se fez um silêncio desconcertante.

- Andréia, se você achar melhor que eu não vá, pode ficar à vontade para me falar.

- Porque você está falando isso, você quer desistir novamente?

- Não Andréia, não é isso. Acho que Cacá está certo quando ele se referiu ao meu desmaio como um episódio de hipoglicemia, mas eu acho que isso pode de alguma forma atrapalhar sua noite e eu não quero isso. Não quero ser uma preocupação para você.

- Basta Luciana, não quero discutir novamente este assunto com você. Eu a quero como companhia neste revellion e já te disse isto muitas vezes. Vem, vamos nos trocar para pegarmos o barco.

O caminho para o barco foi feito em silêncio. Chegamos à marina, pegamos o barco e eu me sentei junto a Cacá na proa, onde havia um estofamento em forma de ferradura com uma espécie de mesinha fixa ao centro. Pedro e Andréia estavam discutindo algo a respeito da festa na cabine do barco.

- Então está melhor Lu? Posso te chamar assim?

- Todos que me conhecem me chamam de Lu e sim estou bem doutor.

- Andréia não né?

- Pois é. A doutora me chama por Luciana acho que ela não quer nenhum tipo de pessoalidade maior.

- Mas vocês foram para cama minha querida.

- É fomos, mas acho que é apenas isso mesmo.

- Minha querida Lu, às vezes é preciso olhos para ler entre as linhas.

- Olha Cacá eu tento, mas não consigo ver mais que isso, sexo e amizade.

- E pra que melhor? Isso já é um bom começo Lu.

- É pode ser Cacá. Andréia não quer se envolver em relacionamentos mais longos e eu tenho outros planos para mim, tanto na parte sentimental quanto na profissional.

- E quais são seus planos Lu?

- Quero alguém pra mim. Fui casada sete anos e deu certo por muito tempo. Adoro ficar casada, gosto de sentir que eu tenho uma família, não sou uma pessoa dada a aventuras fui sempre assim, sou careta como dizem minhas amigas. Este ano que está chegando eu quero terminar minha formação em enologia, e concorrer a uma vaga em uma grande vinícola e provavelmente não será aqui nesta cidade que eu vou conseguir trabalhar no que eu quero e acho que não será aqui que encontrarei minha cara metade.

- Trabalhar em uma vinícola eu não sei, mas sua cara metade, aí eu tenho minhas dúvidas.

- Cacá você é um otimista.

- Sou sempre minha cara. Acho que Andréia anda mais interessada em você do que ela mesma admite. Andréia é uma persona fechada e leva essa vida por motivos próprios, mas a gente não controla o coração my darling, ela anda pensativa e acho que você está em muitos dos pensamentos da minha amiga.

- Tomara que eu tenha colocado pelo menos uma dúvida no coração da minha linda doutora e se não for por mim que ela se apaixonará, talvez a próxima acompanhante de ano novo desperte nela novamente uma paixão.

- Você está muito pessimista e derrotista. Entregou os pontos antes de começar a lutar. Seja guerreira mulher, lute pela sua paixão!

- Como Cacá? Eu viajarei no dia três e fico trabalhando em um hotel vinícola o mês todo. Depois eu volto e continuo minha vidinha de trabalho em jornada dupla e estudos à noite e acho que a doutora não iria ter muito espaço na minha vida e também não teria paciência com essa minha rotina.

- Isto é uma desculpa esfarrapada, trabalhar mais que a sua linda doutora, duvido.

- É a minha linda doutora tem um trabalho intelectual e com todo o suporte para isso. Eu pego pelo menos três ônibus por dia, meus plantões são muito cansativos e quando acabo o dia estou morta. Talvez esta rotina louca tenha contribuído para o fim do meu casamento, sei lá.

- Por que ela se foi?

- Apaixonou-se por outra pessoa.

- É como eu te falei, não mandamos na paixão querida e Andréia pode ser isso tudo que você imagina, mas é mulher, é humana e está balançada por você e vê se você faz alguma coisa a este respeito viu? Quando você for velhinha irá lamentar muito por ter deixado escapar esta gostosa que está bem ao seu alcance. Não seja tonta e nem cega. Agora vou pegar uma água de coco para nós e dar um beijinho no meu amor lindo.

Fiquei pensando em que Cacá tinha me dito, olhando o mar e a ilha que se aproximava.



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Capitulo 17

[16/05/12]

Fiquei olhando Cacá e Luciana que conversavam animadamente. Estava realmente preocupada com o desmaio de Luciana e o que isso poderia causar à saúde da minha morena linda.

Não queria sentir-me envolvida por Luciana e depois do revellion poria um fim naquela história de paixão e sexo. Em outros tempos poderia até tentar um namoro, mas os tempos eram outros e eu tinha meus objetivos a serem cumpridos e não queria ter que me preocupar em resolver problemas pessoais, apesar de Luciana ser uma pessoa diferente de todas que eu conhecera até então, não me ocuparia de novas paixões que, aliás, ocuparia muito lugar na agenda de pessoas práticas como eu.

Não queria ferir Luciana, mas não daria para ter duas coisas ao mesmo tempo. Para Luciana a vida teria que ser provida primeiro por relações longas e duradouras e depois pela vida profissional. As mulheres são geralmente assim, querem ser profissionais bem sucedidas, mas querem filhos, família, um provedor estável e apresentável para toda a sociedade. Na verdade a mulher nunca saiu da formula, pátria, família e religião e se uma relação fugaz aparece em suas vidas elas logo se confundem e se culpam por fracassar na tarefa de formar uma prole para eternizá-las.

- Cacá, não está vigiando o bem estar de sua paciente?

- Não transfira sua tarefa para mim doutora, mesmo porque Lu está ótima e para o seu governo cheia de planos para depois do revellion.

- Que planos posso saber?

- Claro. Ela vai para uma região vinícola trabalhar em um lindo hotel e estudar mais profundamente a bebida dos deuses, não é ótimo Andréia?

- Quando ela irá, ela por acaso falou?

- Sim disse que irá no dia três de janeiro e volta somente no fim deste mês. Luciana é uma garota prática e perseverante em seu objetivo de se tornar somelier e trabalhar em uma grande vinícola e acho que ela conseguirá o que quer. Você não acha Andréia?

- Bem então só posso desejar-lhe boa sorte em seus propósitos.

- Certo. Leve esta água de coco para ela, pois vou ficar aqui apreciando esta paisagem deslumbrante com meu amor.

Fui até Luciana um pouco enciumada por ela ter revelado seus planos para Cacá e não para mim.

- Oi Luciana tudo bem?

- Oi minha linda doutora tudo ótimo, principalmente tendo ao fundo esta linda paisagem. A vida fica mais suave não acha?

- Acho que sim, tanto que Cacá me falou que você fez planos aqui.

- Não foi aqui Andréia, meus planos foram feitos há algum tempo. Que bom que ele te falou assim você se torna sabedora deles.

- Você poderia ter me dito. Adoraria sabê-los em primeira mão.

- Acho que planos não são um tema em nossos assuntos.

- Muito pelo contrário, eu disse para você os meus.

- É você está certa, foi uma falha minha não contar os meus para você. Desculpe-me o mau jeito.

- Você parte no dia três para esta região vinícola?

- Sim vou de ônibus, pretendo chegar ao sul dia quatro e começar meu treinamento no dia cinco. O hotel em que vou ficar é muito lindo, tem uma vinícola logo ao lado e uma imensa região com plantações de videiras que nesta época do ano estão carregadas de frutos prontos para a colheita. Não sei se você teve oportunidade de conhecer, mas se não, deveria. É La que vou morar o resto da minha vida, pelo menos é o que eu planejo.

- E o que mais você planeja Luciana?

- Viver do cultivo e vinificação da uva, casar, ter um filho e formar uma família doutora, é isso que eu planejo para minha modesta vida e você?

- Conseguir alcançar meus objetivos Luciana.

- O que é isso em sua mão? Minha água de coco? Então façamos um brinde aos nossos objetivos.

- Você sempre pensa em casamento Luciana?

Luciana sorriu graciosamente, mas ao mesmo tempo parecia que estava rindo de mim.

- Não doutora, nem sempre. Deixa-me tentar te explicar. Venho de uma família grande em que o carinho era repartido por muitos. Eu logo me separei de minha família e não me arrependo, mas fica sempre uma vontade de ter a família que sempre quis. Acho que por isso não desisto de formar a minha própria e de criar meu filho dando a ele ou ela as oportunidades que não tive.

- Você quer parir Luciana?

- Sim. Acha estranho?

- Não, claro que não.

- Só me falta um pouco de dinheiro e claro tempo para esta pretendida maternidade.

- Posso te ajudar quanto à questão da maternidade. Um dos meus objetivos com a minha fundação é a de ajudar mulheres que pretendam engravidar, mas sem condições para bancar uma fertilização in vitro.

- Olha, eu aceito sua ajuda doutora, quando eu encontrar o grande amor da minha vida e que queira ter um filho comigo eu te procuro.

Luciana disse isso impulsivamente. Eu fiquei sem graça, enciumada e com muita raiva. Imediatamente fiquei séria e comecei a olhar o mar. Uma coisa era saber que Luciana estava certa em me dizer que eu não era o grande amor de sua vida. Outra coisa era dizê-lo.

- O que foi Andréia?

- Nada Luciana, nada.

- Desculpe pela minha sinceridade, mas você sabe que sou uma moça casadoura e você ao contrário é uma moça livre não gosta de amarras te prendendo estou certa?

- Sim está.

- Então o que foi doutora?

- Luciana, quando se está com alguém não é de bom tom fazer planos futuros com outra que nem se apresentou ainda.

- Na sua concepção de vida doutora, não há planos algum no campo sentimental, você mesma acabou de confessar.

- Você me acha completamente impessoal não é Luciana?

- Nunca disse isso. Eu acho que você tem medo de se envolver mais profundamente com alguém.

- Medo? Acho que não é medo, apenas fujo desta idéia de que o casamento vem atrelado à felicidade. A maioria dos casais que eu conheço são infelizes, não trepam há um bom tempo e estão doidos para arrumar amantes. Eu só não quero esta vida para mim Luciana.

- E nem eu penso em dar-lhe uma vida dessas Andréia e por isso os meus planos de amor, casamento e filhos definitivamente não passariam por você. Andréia eu já passei por muita coisa em minha vida, já tive alguns amores, outras desilusões que me deixaram um pouco viva a respeito de relações. Eu realmente não costumo como você ter paixões de verão, mesmo porque eu me conheço e acabo me envolvendo demais. O meu objetivo principal quando entrei naquele site de relacionamentos era o de encontrar pessoas interessadas em se relacionar mais seriamente. Eu sei que estas pessoas que freqüentam este tipo de site, talvez tenham problemas com a aparência ou com a timidez, mas como eu te disse, eu não me importaria em ter uma pessoa tímida ou desprovida de beleza aparente, mas interessada em se envolver de verdade, coisa que a maioria das pessoas foge e muito.

- Que bom que estamos de acordo.

Falei isso com muita raiva.

- É estamos, mas eu quero que você saiba que infelizmente...

- Oi garotas, tudo bem?

- Oi Doutor Carlos Alberto! Cansou do meu lindo irmão?

- Não cansarei jamais minha cara e se ele cansar de mim, problema dele arrumo outro em um segundo.

Rimos todos, mas eu fiquei intrigada com que Luciana tinha planejado em me confessar.



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Capitulo 18

[18/05/12]

O barco aportou novamente na ilha. Desci com receio do que eu ia encontrar e com a noite que viria pela frente. Um carro nos esperava para levar-nos ao hotel. Cacá pegou na minha mão e me ajudou a entrar no carro que era um jipe sem capotas pintado de branco.

- Ilha dos desejos?

- Bem vinda minha querida a ilha dos desejos, Andréia não te disse como se chamava a ilha?

- Não, mas nós estivemos na cachoeira, na verdade eu já estive aqui com ela, mas não reparei na inscrição do carro.

- Essa é a Ilha dos Desejos e cuidado com os seus viu?

- O que eu desejo agora é descansar um pouco.

- Pode ir desistindo está quase na hora das apresentações oficiais e do almoço em família.

Andréia chegou ao carro, sentou-se ao meu lado e fomos para o hotel.

- Andréia sua família está toda aí?

- Provavelmente.

- Você não me falou do almoço junto à sua família. Quer que eu participe?

- Claro Luciana. Pretende se esconder de todos até a noite?

- Não é isso Andréia apenas acho que não vem ao caso eu participar de um almoço com sua família não acha?

- Não, não acho.

Chegamos ao saguão do hotel e logo notei um murmurinho de pessoas muito alegres falando todas ao mesmo tempo.

- Andréia, Pedro finalmente.

- Oi papai, atrasamo-nos um pouco tudo bem?

- Tudo minha filha, cadê Cacá?

- Estou aqui sogrão.

Cacá veio me conduzindo até a entrada, já que Andréia e Pedro desceram na nossa frente.

- Olá doutor e quem é essa moça bonita que está com você?

- Uma amiga minha e de Andréia doutor Frederico.

- Papai essa é Luciana e veio passar o revellion conosco. Luciana, meu pai, doutor Frederico.

- Muito prazer senhor.

- Minha filha, o senhor está no céu e deixemos os títulos de lado. Se você é amiga da minha filha, já gostei de você Luciana.

- Muito obrigada Frederico.

- Venha vou lhe apresentar o resto da minha prole e se prepare porque são muitos, venha.

- Papai deixa Luciana...

- Vem minha cara, venha.

No salão estavam todos os integrantes da família de Andréia. Seu Frederico ia me apresentando um a um e Andréia ia falando animadamente com irmãos, irmãs, cunhados, sobrinhos e claro, dona Helena sua mãe.

- Helena, essa é Luciana amiga de Andréia.

- Muito prazer dona Helena.

- Muito prazer Luciana. Veio passar o revellion conosco?

- Sim dona Helena, Andréia me convenceu a ser uma convidada de última hora. Espero que não seja uma inconveniência.

- Claro que não minha filha! Os amigos e amigas de meus filhos são sempre muito bem vindos e espero que você fique à vontade nesta linda ilha que meu sogro amava tanto.

- Essa ilha é linda mesmo dona Helena. Eu estou encantada.

- E fique mesmo, pois ela foi pensada exatamente para encantar. Primeiro Deus a esculpiu e depois fomos fazendo os adornos certos e discretos para que ela ficasse mais que perfeita.

- Acreditem, acertaram em tudo.

O garçom trouxe taças de champanhe de boas vindas e ofereceu a todos. Eu prontamente recusei e notei o olhar de Andréia em mim nesta hora, eu e dona Helena.

- O que foi minha filha não gosta de bebidas?

- Gosto muito, mas acordei meio indisposta e bebidas alcoólicas não será uma boa opção hoje.

- Que pena. Andréia está te vigiando, portanto ela deve saber de sua indisposição acertei?

- Médicos são todos iguais dona Helena. Eles acham que tudo o que proporciona prazer faz mal.

- Isso lá é verdade. Meu pai era médico e cardiologista, você imagina que o sal e os doces em nossa casa eram coisas raras. Meus irmãos e eu tínhamos que assaltar a dispensa para conseguirmos essas iguarias preciosas.

Rimos.

- Eu imagino. Deve ser uma tarefa quase impossível convencer um cardiologista que há sempre o caminho do meio.

- Luciana, você e Andréia estão namorando?

Eu estava tomando uma água e quase engasguei.

- Como? Não dona Helena, somos apenas amigas.

- Minha filha em um hotel como este que não é lá muito grande, mas que certamente comportaria muito bem todos que estão aqui, vocês não precisariam ficar no mesmo quarto não é mesmo?

Olhei para Andréia que falava com sua irmã, que, aliás, também era tão bonita quanto ela para ver se ela viria ao meu socorro, ela entendeu e tentou se aproximar, mas foi barrada pelo Dr. Frederico. Eu olhei novamente para dona Helena que esperava pacientemente pela minha resposta, então eu tive que dá-la.

- Dona Helena, eu realmente não sei o que dizer...

- Luciana a resposta é muito simples.

Eu ia mentir, mas aquela mulher na minha frente certamente haveria de desvendar alguma tentativa de disfarce na hora.

- Dona Helena, Andréia não namora.

- Quando cheguei aqui e vi as reservas dos quartos li o seu nome junto ao dela. Tive esperanças de que primeiro você fosse uma namorada e que você fosse merecedora do carinho da minha filha.

- Acho que não correspondi a nenhuma das suas expectativas dona Helena.

- Não minha filha. Você me parece uma boa moça e eu não costumo errar.

- Obrigada dona Helena eu agradeço a confiança.

- Você está apaixonada pela minha filha?

Meu Deus, e agora? O que eu faria com aquela pergunta bomba? Eu não olhei mais para Andréia, apenas procurei um buraco qualquer que eu pudesse enfiar a minha cabeça de avestruz até aquela mulher ir embora, mas não havia buraco e eu, mesmo com a minha cor morena, fiquei completamente rubra.

- Conhecemo-nos há pouco tempo dona Helena.

- Apaixonei-me por Fred assim que coloquei os olhos nele. Casamos três meses depois do nosso primeiro encontro e sou louca por ele até esse momento minha filha e lá se vão cinqüenta anos felizes, com as brigas, com as pazes, com as crises e com muito amor.

- Eu estou irremediavelmente apaixonada pela sua filha, mas ela não quer uma relação digamos mais duradoura comigo.

- E você quer?

- Neste caso as duas partes têm de estar em acordo Dona Helena.

- Então mostre para essa cabeça dura que a vida se torna mais leve e melhor quando se ama.

- Luciana, mamãe. Vamos subir para o restaurante? Já vai ser servido o almoço.

- Vamos minha filha querida. Adorei sua amiga, temos muito que conversar hoje não é Luciana?

- Claro dona Helena, conversaremos o quanto desejar.

- Nossa mamãe encontrou uma fã.

- Que bom adoro novas amizades e principalmente mais jovens que eu. Os jovens trazem notícias novas do mundo exterior.

Rimos e subimos para o restaurante. Os lugares foram distribuídos e eu e Andréia ficamos distantes de Dona Helena e do Dr. Frederico que sentavam nas cabeceiras de uma longa mesa. O almoço ocorria animado, com muitas risadas e crianças correndo e brincando por todo o restaurante. Do meu lado direito estava sentada a irmã de Andréia que se chamava Marina e também ficou longamente conversando comigo, mas sem perguntas tão incisivas quanto às de dona Helena. Era uma mulher agradável, tinha uma linda filha de cinco anos que se chamava Amanda. Andréia me vigiava quanto a tudo que eu comia e bebia e a minha comida foi completamente diferente do cardápio que fora servido. Comi peito de frango grelhado, legumes cozidos e arroz quase sem gorduras. A comida servida era farta em frutos do mar, carnes diversas e molhos amanteigados e vermelhos. Fiquei realmente com inveja, mas não quis abusar me conformei com a dieta e fingi que não me importava.

- Andréia vou para o quarto se você não se importar.

- Você está bem Luciana?

- Sim doutora, mas confesso que estou meio indisposta, se você me der licença prefiro descansar até a noite.

- Eu te levo, venha.

- Andréia algum problema, você já vai minha filha?

- Não mamãe já volto.

Entrei no mesmo quarto que ficamos anteriormente. Até o cheiro era o mesmo, um cheiro de mar e de almíscar. Andréia me abraçou e me beijou lentamente e depois com intensidade e eu como sempre adorei.

- Você tem que voltar?

- É melhor, mas prometo que a noite será nossa.

- Não prometa o que não poderá cumprir doutora.

- Tudo bem garota inteligente, mas vou tentar ficar o máximo que puder junto a você.

- Não se preocupe doutora, estarei bem. Agora vá, parece que sua mãe quer lhe falar.

- Luciana o que você iria me dizer lá no barco quando Cacá nos interrompeu?

- Ia dizer que infelizmente doutora, você não é a moça dos meus planos.

- Você gostaria que eu fosse?

- Sim Andréia gostaria muito, mas nós temos muitas diferenças e sentimentos antagônicos quanto aos conceitos de amor e relacionamentos.

- Você acha que eu nunca amei não é Luciana?

- Acho que sim. É impossível ficar ilesa ao amor durante quarenta anos.

- Tudo bem não vamos começar novamente, essa discussão está ficando cansativa.

- Dê-me um beijo e vá minha linda doutora.

Andréia me beijou salivando em minha boca como sempre fazia e eu fiquei excitada, mas a empurrei e fechei a porta do quarto.



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Capitulo 19

[21/05/12]

- Andréia venha cá minha filha.

Minha mãe era a maior torcedora da minha recuperação amorosa depois do meu relacionamento com Ingrid. Ela realmente achava que só um novo amor me salvaria da desilusão que supostamente eu tivera por minha esposa.

Eu não sei se eu amava verdadeiramente Ingrid, apenas não queria ter outro relacionamento igual àquele que me custou muitos dias de preocupações, insatisfações, frustrações e todo o tipo de sentimento negativo que alguém pudera cultivar em tão pouco tempo de relacionamento.

Ingrid tinha uma personalidade destrutiva, se envolveu nas mais loucas aventuras movidas por drogas e álcool e eu ao invés de reagir com rigor e logo me afastar, decidi tentar resolver a situação e tratá-la. Todo toxicômano é um manipulador nato e como minha especialidade médica não era psiquiatria, me enrolei em suas teias de sedução, acabei me desgastando e ela se sentindo abandonada depois que eu dei um basta por não agüentar mais a barra. Resultado, Ingrid pegou um carro a cento e quarenta quilômetros por hora e acabou com sua vida e de mais uma família inteira num acidente horroroso. O pior é que o carro era o meu e eu tive que dar explicações durante algum tempo em um processo movido pelos pais das vítimas daquele acidente horrível. Esse foi o fim de uma história que nunca deveria ter começado.

- Diga dona Helena.

- Adorei Luciana ela é interessante.

- Mamãe paquerando minha pretendente? Deveria ter vergonha!

- Deixa de ser boba se eu quisesse namorar mulheres namoraria a linda Gisele Bündchen.

- Nossa que ambição! Não sabia que você preferia as loiras. Que tal uma ruivona assim como eu?

- Ah! Essa eu já amo de paixão é a minha preferida, vem cá e me dá um beijo.

- Dou. Mas o que quer conversar ama e senhora?

- Sobre Luciana.

- O que tem Luciana mamãe?

- O que ela é? Namorada, amiga, ficante, me diga o que pretende com essa linda moça?

- Bom já que estamos moderninhas, que tal ficante?

- Andréia estou falando sério minha filha, até quando você vai ficar com essa idéia maluca de não se envolver com mais ninguém de jogar sua vida fora em aventuras, de sair na noite e ir a lugares que sei lá que reputação tem e de achar que a vida não cobrará de você um relacionamento verdadeiro e bom? Minha filha você sabe que eu nunca te cobrei nada a respeito de sua vida amorosa, sempre apoiei as escolhas dos meus filhos, tanto a dos queriam ter relacionamentos hétero quanto gays, mas Andréia, não vou apoiar este tipo de atitude destrutiva de sua parte minha filha. Eu e seu pai estamos muito preocupados com você. Andréia você é jovem, mas o tempo passa depressa e quando você estiver com a minha idade, como será a sua vida minha filha? Será a velha tia solitária rodeadas por livros e lembranças é isso que você quer para si Andréia?

- Mamãe não seja dramática. Ninguém pode prever o futuro.

- Claro que podemos Andréia. Eu sempre quis ter uma família, criar meus filhos com muito amor, apoiá-los em tudo o que era certo e justo. Eu minha filha tenho o prazer de ter vocês ao meu lado, de encher esta mesa com tudo o que eu previ quando eu tinha dezenove anos de idade. Não se precisa ser vidente para prever que a solidão do futuro é cultivada hoje no presente minha filha e é isso que você está fazendo a cada dia de sua vida.

- Eu tentei mamãe e não deu certo.

- Você sabia desde o início que aquela mulher era uma demente. Eu te falei, seus amigos te avisaram, teus irmãos, mas a sua teimosia cegou-te assim como você está agora. Andréia os erros fazem parte da vida e devemos aprender com eles.

- E aprendi. Quero minha vida calma com a toda a paz que eu tenho direito mamãe.

- Andréia, não vou deixar de orientar minha filha querida, esse é meu papel de mãe. Deixa o amor entrar novamente nesse coração tão grande e tão próprio para o amor. Deixa essa moça chegar e dizer que está apaixonada por você minha filha...

- Ela disse isso para a senhora mamãe?

- Disse minha filha, mas mesmo que ela não tivesse me dito, eu vi nos olhos dela, quando aquele garçom trouxe o champanhe e ela imediatamente recusou sob o seu olhar atento e reprovador, eu acompanhei a cena minha filha. Eu tenho sessenta e oito anos de idade e não queira me falar que você não sabia que ela está apaixonada por você, porque eu não vou acreditar que você seria tão cega desta maneira.

- Mamãe, Luciana não deveria ter tido este tipo de conversa com você.

- Eu praticamente arranquei essa confissão dela, mas independente disso, mesmo que não seja essa moça, procure não ficar tão solitária minha filha, a vida é mais fácil quando se está amando Andréia.

- Eu prometo que eu vou pensar mamãe, tudo bem?

- Em primeiro lugar não me faça de boba e não queira representar a boa filha na tarefa de não desagradar à mãe velhinha, isso não cola comigo. Depois me responda o que é que sente por essa moça?

- Mamãe por favor, isso está ficando irritante.

- Então me responda e não minta!

- Eu não sei tá bom? Eu não sei o que sinto por Luciana, apenas estamos começado uma história e eu a quero por perto e é só dona Helena.

- Você está querendo frear o que já sente Andréia. Filha não temos esse poder, infelizmente os deuses não permitiram.

- Mamãe eu vou ver como Luciana está, ela passou mal pela manhã, teve um desmaio e estou preocupada com ela. E antes que você diga que minha preocupação é amor, eu quero te avisar que é somente cuidado e carinho. Eu prometo que vou pensar sobre a nossa conversa, mas acho que Luciana não será a sua nova norinha, ok?

- Andréia quando ouço você falar assim tenho uma vontade danada de emprestar minha experiência para sua juventude e teimosia.

- Ok dona Helena, obrigado pela suposta juventude, mas vou ver Luciana e depois verificar o andamento da festa, tudo bem?

- Sim filha vá.

Dei um beijo em mamãe e fui para o quarto sabendo agora que minhas suspeitas tinham se confirmado. Luciana estava mesmo apaixonada por mim. O que fazer com essa verdade? Não tinha a menor idéia.



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Capitulo 20

[23/05/12]

Acordei com Andréia sentada na cama me observando. Olhei-a diretamente e me deu uma enorme vontade de desistir de tudo, da festa, dela, me deu vontade de sair correndo e cair no mar, criar uma cauda de sereia para poder nadar até o continente e depois voltaria a ter pernas fortes e rápidas para correr e chegar até meu pequeno apartamento onde em cima da mesa da cozinha estaria uma taça de prata cheia de um vinho especial que me causaria uma amnésia seletiva e um sono tranqüilo. Quando eu acordasse na manhã seguinte, não me lembraria mais de Andréia e de tudo que se passara nos últimos três meses.

- Oi Luciana está tudo bem?

- Sim doutora tudo bem, sem tonturas e só um pequeno cansaço, mas com um banho tenho certeza que ficarei disposta para a festa.

- Luciana acho que chegou a hora de termos uma conversa não acha?

- Claro. Qual o assunto?

- Nós.

- Certo. Fale-me então sobre “nós”.

- Luciana acho que já lhe falei sobre minhas predileções em relação à minha vida sentimental sim?

- Sim Andréia, desde o primeiro momento em que nos encontramos.

- Muito bem. Eu tenho que ser sincera com você e te dizer que não pretendo mudar o sentido das minhas pretensões entende?

Aquela declaração entrou na minha carne e me cortou como uma lâmina fina e afiada de um bisturi. Eu sabia que Andréia não estava apaixonada por mim, mas ouvir isso assim me deixou imobilizada pela dor e sangrando muito. Eu realmente estava ficando maluca. Como me deixei ficar tão exposta a uma paixão? Como abaixei a guarda tão facilmente? E principalmente como isso aconteceu em tão pouco tempo?

- Andréia nunca te cobrei nada, pelo menos não que eu me lembre.

- Luciana não quero feri-la, eu sinto um imenso carinho por você e não quero de forma alguma que esse nosso encontro te cause algum mal.

- Andréia o mal anda lado a lado a todos os seres. Eu acho que você deve estar se perguntando por que eu ainda estou como você já que eu te falei que pretendo ter outro tipo de relacionamento completamente diferente desse que estamos tendo não é?

- Acho que tenho feito essa pergunta sim Luciana.

- Vou te responder. Gosto de você mais do que eu deveria. Talvez isso tenha acontecido por causa da minha solidão ou mesmo porque fiquei realmente encantada por você, pela sua inteligência, pela sua beleza, por todo o prazer que tenho com você na cama ou por tudo isso junto. Eu não costumo negar o que eu sinto. Adoro me envolver, mas dessa vez acho que errei em me tornar um alvo tão fácil. Nunca e não é por caretice eu me expus assim como pra você em um primeiro encontro, nem quando raramente fico mais animadinha graças ao álcool deixo que me tirem a roupa e me peguem como aconteceu com você em meu apartamento. Eu fui muito fácil pra você porque eu queria sê-lo. Eu estou aqui tentando colocar novamente minhas convicções amorosas em ordem, ou seja, a de encontrar alguém que me queira verdadeiramente. Não estou te julgando ou te condenando por essa vida que você acha ideal, só que eu não deveria estar aqui, não porque seja uma perda de tempo, mas porque pra mim é perigoso. Eu não pretendo te cobrar absolutamente nada depois que nos separarmos, mas eu te peço que não me procure mais, me dê um tempo e quando esse tempo necessário para mim se fizer suficiente, quem sabe a gente possa novamente se encontrar e rir dessa nossa aventura?

- Você está dizendo que essa noite será a nossa despedida?

- Acho melhor eu ir amanhã Andréia já que tenho que arrumar minhas malas, entrar em contato com Vera para ver se ela arrumou alguém para ficar no apartamento, já que se perceberem que está sem ninguém posso ficar sem meu cacarecos, enfim coisas práticas e chatas a serem resolvidas. Acho que esse nosso encontro já está se prolongando mais que deveria e eu tenho quero ir realmente.

- Luciana eu gostaria muito que você ficasse comigo amanhã, eu realmente planejei meu dia com você e eu poderia te ajudar na sua arrumação, te dar uma passagem de avião até o sul sabe lá Luciana te ajudar de alguma forma, acho que não precisamos nos tornar de repente meras desconhecidas.

- Andréia muito obrigada por querer ajudar, mas acho que é melhor que eu vá, esteja certa que assim me ajudará mais e da melhor maneira possível. Quanto à passagem eu te agradeço, mas vou mesmo de ônibus, minha passagem está comprada e eu gosto mesmo de fazer o caminho mais longo esse é um dos meus defeitos.

- Luciana acho que acabamos nos envolvendo de uma forma meio inesperada e quando eu a vi naquele parque me deu uma imensa vontade de ter você novamente comigo. Eu deveria ter desviado o meu caminho já que você não entrou mais em contato comigo, mas eu achei que um novo encontro, que o ano novo juntas seria muito bom para mim e pra você. Quando eu a ouço me dizer que você quer me deixar amanhã sinto que meu convite fora um erro e me faz pensar que você está disposta a ir agora mesmo.

- Vamos deixar as coisas como estão está bem doutora? Eu vou me levantar tomar um banho e sim trouxe um vestido, mas acho que ele não ficará muito bem para uma noite de gala. Eu acho que vou usar uma calça branca e uma blusa dourada que iria usar na festa de Júlia, me sentirei mais à vontade e creio que aqui o vento da noite é muito forte e ficarei mais aquecida certo?

- Use o que quiser eu vou ver alguns detalhes da festa e logo voltarei.

Andréia ficou visivelmente abatida com a minha última declaração. Acho que ela esperava me convencer a ficar no dia primeiro e que eu ficasse com ela até meu embarque no dia três. Eu estava com muita vontade de chorar e tinha que cortar aquela maldita conversa antes que eu desabasse o que tornaria tudo muito difícil. Ela saiu do quarto, eu me levantei, fui até o banheiro, liguei o chuveiro e deixei a água cair junto com as minhas lágrimas.



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Capitulo 21

[25/05/12]

Luciana foi bastante incisiva em sua idéia de me deixar no dia primeiro do ano e eu fiquei muito aborrecida, mas eu estava agora envolvida em um sentimento mais do que contraditório. Eu entendia que Luciana quisesse fugir, assim como eu da paixão, mas eu queria e precisava de Luciana por perto.

Cheguei até o escritório, fui ao banheiro e me olhei no espelho. O que eu estava enxergando? Eu estava apaixonada por Luciana? Será que os deuses de Cacá e de minha mãe realmente já haviam me cravado com as flechas da paixão? Eu estava disposta a começar outra história sem saber do enredo, sem o devido conhecimento dos personagens, sem saber que rumo aquilo poderia tomar?

Definitivamente a paixão é uma viagem ao desconhecido, é como se pegássemos uma nau, entrássemos no oceano sem bússolas ou mapas e tivéssemos que navegar a procura de um tesouro que não se tivesse a certeza da sua existência.

Para mim, uma cientista que se tornara completamente cartesiana isso era um desafio quase inaceitável. Claro que é impossível fugir do amor, mas há muitas outras formas de amar sem correr todos esses riscos. Apostar todas as fichas em um único jogo e que a principal aposta é a vida que se leva era para mim muito caro, muito dispendioso.

Ingrid me ensinou a duras penas que o ser humano é muito complexo, que os sentimentos se transformam muito intensamente e como uma rapidez assombrosa. Com ela em um momento estávamos trocando confidências, fazendo planos, nos amando e no outro instante estávamos brigando, nos ameaçando e nos odiando. O contrário do amor certamente é o ódio, a violência, a injúria e a mágoa.

- Olá doutora, porque não está com Lu?

- Oi Cacá e você porque não está com Pedro?

- Não fuja do assunto. Meu amor está dormindo e o seu?

- Tomando um banho. Mas para o seu governo, acabei de levar um fora antecipado para amanhã, ou seja, ela pretende ir embora e deixar a minha companhia o mais rápido possível, acho que estou perdendo o meu charme meu caro amigo.

- Deixa-me ver se entendi. Eu perguntei pelo seu amor e você me respondeu sobre Luciana? É isso Andréia?

- Você e mamãe devem ser irmãos e o senhor está cometendo incesto com Pedro.

Cacá riu muito.

- Andréia minha amiga, a quem quer enganar? Luciana, eu ou você?

- Meu caro amigo, eu realmente estou interessada em Luciana, pode ser amor, paixão, sexo, sei lá, mas eu não sei se quero descobrir entende?

- Aposto que você quer descobrir sim e está aí toda ensimesmada porque ela disse que não queria mais estar do seu lado e então além de um baita orgulho ferido, você acabou de descobrir uma mulher linda e que tem vontade própria e apesar dela estar apaixonada por você não quer ficar sob o seu poder, acertei?

- Não sei não. Tenho certeza que ela está apaixonada por mim, isto é fato e para o meu total espanto ela revelou isso para mamãe o que me deixou com a pulga atrás da orelha e coçando bastante. Por outro lado, minha mãe arrancaria confissões constrangedoras até do papa, mas eu não gostei nada desta atitude de Luciana, não comentei nada com ela por achar que esse nosso encontro não irá muito longe, apesar de que serei eu irei a ditar o tempo que Luciana passará ao meu lado e não ela.

- Nossa a senhora está parecendo um capataz ruivo decidindo a vida de sua linda escrava morena.

Eu e Cacá rimos muito.

- Sério Cacá o que você acha de Luciana?

- Olha eu acho ela um encanto. É uma mulher que sabe exatamente o que quer para sua vida profissional, tem uma elegância nata e principalmente está apaixonada por você doutora. Quanto ao confessionário da sua mãe você sabe que eu também já passei por ele, tive cólicas brutais depois de ter respondido para ela das minhas intenções para com seu irmão. Depois Pedro quase termina tudo comigo, então não a condene e nem pense que isso pode significar algum desvio de caráter do tipo, ela quer uma aliada para me convencer a ficar. Sou um sobrevivente de dona Helena.

Eu sorri mais ainda com Cacá.

- Eu sei que dona Helena não brinca em serviço, deve ter bisbilhotado a minha reserva feita para que eu e Luciana ficássemos no mesmo quarto, juntou tudo e encheu Luciana de perguntas, eu conheço minha velha e boa mãe.

- Então?

- Então o quê?

- Qual o problema em namorar a sua linda pretendente?

- Ela está apaixonada por mim, você não acha que é muita responsabilidade?

- Bom se é isso, deixe a moça ir e encerre esta questão Andréia.

- Não quero ficar longe dela Carlos Alberto.

- Ai Andréia que complicação! Você gostaria de ficar com uma pessoa que não estivesse interessada em você?

- Não é isso Cacá. E se na semana que vem eu estiver sem nenhum interesse em Luciana? Eu viro para ela e falo:- Desculpe Luciana, mas era só isso mesmo, acabou! Não sou tão canalha assim. Se caso eu não tivesse prolongado essa história ou se Luciana não estivesse apaixonada por mim tudo seria mais fácil.

- Mas ela está apaixonada por você e a vida não é fácil. Não foi com Ingrid e não será com Luciana, apesar de Luciana não parecer insana como sua ex.

- Ingrid não me parecia insana no começo.

- Só para você não é doutora porque para todos, ela nunca disfarçou a loucura que possuía. Mas não vamos falar dela. Andréia eu sei que é muito difícil depois de tudo que você viveu se entregar para alguém, ainda mais da forma que você e Luciana se encontraram, mas vocês podem ir se descobrindo, podem ir se conhecendo aos poucos é para isso que existe o namoro doutora.

- E se eu estiver apaixonada por Luciana? A paixão nos cega e disfarça os defeitos do ser amado.

- Andréia, não tem jeito. Pára com esse negócio de gata escaldada, mesmo porque se você não estiver apaixonada por Luciana certamente se apaixonará por outra. Como eu já te falei, os deuses é que são os donos da paixão e ela chegará queira senhora queira ou não.

- Eu acho mesmo que não tenho alternativa. Luciana viajará dia três para o tal hotel vinícola e realmente não vou atrapalhar os seus planos, mesmo porque eu não iria nunca interferir em seus estudos, mas eu também não estou disposta a deixá-la ir amanhã e até a sua viagem ela ficará comigo. Depois eu resolvo o que fazer.

- Isso mesmo doutora bota pra ferver.

Rimos mais.

- E quanto ao nosso ano novo? Porque aí sim será um festão e não esse revellion que ninguém pode soltar a franga.

- Está certo, mas gostaria também que Luciana estivesse presente. Eu pago o champanhe mais pelo menos terei Luciana como prêmio de consolação ao meu lado.

- E como pretende fazer isso?

- Não sei Cacá, acho que vou tentar adiar esta ida dela ao tal hotel. Esse hotel não será o mesmo da vinícola de pai de Isabella?

- É bem possível, mas pergunte o nome do hotel para ela.

- É vou fazer isso sim. Meu amigo como sempre conversar com você é mesmo um privilégio e eu estou muito mais estrategista agora, sei exatamente o que fazer para primeiro, Luciana ficar comigo amanhã, depois adiar a viagem se caso o hotel for o mesmo administrado por Isabella e por último, vou mandar investigar a vida da minha linda morena.

- Bem pelo menos você já sabe que quer sua linda morena ao seu lado de um modo meio torto mais enfim... E sim realmente eu sou demais.



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Capitulo 22

[28/05/12]

Saí do banho, mas Andréia não havia voltado. Peguei a calça e a blusa no armário, dei uma olhada, não gostei e peguei o vestido que comprara em uma loja de departamento. Coloquei-o em cima da cama junto com uma meia fina e uma sandália que também fora comprada na mesma loja. Depois fui até a varanda do quarto, fiquei debruçada no parapeito da sacada olhando o mar escuro arrebentando nas rochas que circundavam a ilha dos desejos.

Fiquei imaginando que a ilha deveria ter alguma praia, pois ali da vista do hotel somente dava para visualizar pedras imensas e o mar que batia com violência nelas produzindo espuma e nuvens de sal e água.

Fiquei pensando na minha vida e o quanto tudo aquilo destoava dela. Andréia sempre teve o prazer de visualizar esta paisagem desde criança eu, lembrava de um quintal e uma casa de palha com quatro cômodos onde morava eu, meus pais e meus irmãos. Nós dormíamos em redes colocadas à noite pelo meu pai.

Tenho muita saudade daquele tempo, pois apesar da pobreza éramos felizes. Meu pai trabalhava na roça e era um homem bom e honesto, minha mãe ajudava meu pai na plantação de feijão e milho e cuidava de todos nós com carinho e zelo, mas a minha mãe não parava de parir e quando ela tentou parir seu último filho, quase morreu ela e a criança por falta de assistência médica. Meu pai então tomou a pior decisão da vida dele, decidiu ir para a cidade onde jamais conseguiu ser feliz, acabou morrendo cedo e deixando a dura tarefa para a minha mãe de criar onze filhos, lavando e passando roupas para as mulheres daquela cidade. Os filhos começaram a se espalhar assim que completavam a maior idade e comigo, antes disso, fui para a cidade grande para estudar e me formar.

É como disse o poeta, “o pensamento parece uma coisa à toa mais como é que agente voa quando começa a pensar?”. Só agora e neste instante reparei como o meu mundo e da doutora Andréia eram diferentes um do outro, como eu não havia ainda reparado em toda a riqueza que aquela paisagem representava. Andréia é uma mulher rica e eu uma auxiliar de enfermagem que morava em um subúrbio numa quitinete e que tinha como paisagem um beco, cheio de bêbados e drogados, mas, no entanto eu estava ali, desfrutando daquela linda paisagem marítima e às vésperas de entrar em contato com a elite do lugar. Como a vida é estranha e imprevisível.

- Mudou de idéia quanto à roupa do revellion?

- Oi doutora! Deixei o vestido aí em cima para você me dizer se aprova.

- Você estará sempre linda Luciana.

Andréia chegou perto de mim, me abraçou por trás e me beijou na nuca causando-me arrepios da nuca até a lombar. Virei-me e fiquei de frente para ela olhando-a bem nos seus olhos negros como as de duas jabuticabas das que tínhamos plantado em nosso quintal.

- Sabe minha linda doutora, às vezes acho que você gosta pelo menos um pouquinho de mim.

- Jura? Eu acho que gosto mais que este pouco que você fala.

- Quanto?

- A medida exata ainda não sei, mas o meu gostar quer de qualquer maneira impedi-la de me deixar amanhã.

- Andréia não posso ficar além desta noite e você sabe disso.

- Não sei de nada a não ser da vontade que estou de beijar esta sua boca linda e apetitosa.

Andréia como sempre me beijou colocando sua língua escandalosamente dentro da minha boca, passeando com ela por lugares totalmente impróprios, salivando muito e depois sugando minha língua com força e volúpia e me deixando completamente excitada.

- Você não vai amanhã e está decidido. Não queira lutar contra uma generala cinco estrelas, pronta para a batalha e com todas as armas em punho.

- Então me mostre suas armas?

Um toque na campainha da porta nos tirou da nossa deliciosa batalha.

- Agora não minha morena.

- Quem é Andréia?

- Acho que é o maquiador que eu chamei para nos arrumar.

Andréia abriu a porta onde estava um sujeito alto, magro e com uma maleta na mão.

- Boa noite doutora posso entrar?

- Boa noite Anderson entre, por favor.

- Com licença. Podemos começar?

- Anderson arrume Luciana primeiro, pois vou tomar um banho. Quando eu sair começaremos certo?

- Sim doutora.

Andréia foi para o banheiro e me deixou com Anderson no quarto.

- Então linda, vamos começar arrumando este cabelo e depois a maquiagem o que acha?

- Meu cabelo? O que tem meu cabelo?

- Minha linda vamos fazer algo que combine com o seu lindo vestido que suponho ser este aí na cama acertei?

- Sim claro Anderson, estou em suas mãos.

- Pode deixar. Você ficará mais bela do que já é viu?

Anderson começou a modelar meus cabelos e depois começou a me maquiar o rosto. Durante todo tempo que Anderson esteve me arrumando, Andréia tomava o seu longo banho numa banheira que ficava de frente para uma janela com vistas para o mar.

- Entra ali no closet e se vista que eu quero ver o resultado final tudo bem?

- Certo vou me vestir.

Quando saí do closet, Andréia estava arrumando seus lindos cabelos ruivos. Anderson acentuava-lhe os cachos e fazia-lhe uma espécie de penteado preso na parte posterior da cabeça. Andréia me olhou de cima até em baixo, levantou-se da cadeira em que estava sentada para que Anderson pudesse penteá-la, chegou bem perto de mim, segurou meu queixo e me deu um rápido beijo nos lábios.

- Você está linda minha morena.

Fiquei rubra e com vergonha de Anderson. A campaninha tocou novamente e desta vez era Cacá e Pedro.

- Então garotas estão prontas?

- Oi senhores! Por favor, queiram acompanhar esta linda dama até a festa e daqui a pouco eu estarei lá.

- Uau! Linda é pouco. Venha meu bem, eu acompanharei você com muito prazer é que nossas belezas se completam. Arrasaremos logo na entrada não acha?

- Cacá deixa de ser inconveniente.

- Deixa de ser chato Pedro.

- Podem ir eu estarei lá em um instante, mas antes quero dar uma palavrinha com a doutora ok?

- Não demore porque se não ficarei paquerando o filho do senador.

- Não se atreva.

- Claro que não, eu sou seu meu latim lover.



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Capitulo 23

- Muito bem doutora hora da festa.

- O senador já está no salão?

- Sim ele e a família estão sentados à mesa com mamãe e papai. Onde a senhorita pretende ficar?

- Pois é tenho que ficar bastante tempo com o senador e seu filho deputado, você irá ficar comigo e Cacá fará companhia para Luciana até que o lobby esteja firmado.

- Certo, então Luciana vai ficar sozinha grande parte da noite, creio eu.

- Porque, algum problema?

- Não, vamos que está ficando tarde.

Anderson terminou meu cabelo e maquiagem, vesti um vestido branco com detalhes em dourado, era um Carlos Mielli bem comportado com a saia até os joelhos, elegante e próprio para a ocasião. Luciana apesar de se vestir modestamente estava linda, a imagino em um Valentin vermelho, estaria incrivelmente bela, mas certamente nunca a veria assim, embora cada vez mais meus pensamentos fossem insistentes na figura de uma morena linda e própria para o amor.

- Vamos Pedro.

Chegamos ao salão decorado com flores brancas e amarelas, fitas douradas e pratas que seguravam balões brancos. O restaurante ficou próprio para o revellion ricamente decorado em todos os detalhes para impressionar os convidados. Olhei primeiro para a mesa em que estava minha linda morena acompanhada de meu amigo Cacá. Eles conversavam animadamente, daí a minha decisão em cumprimentar meus convidados mais importantes, ou seja, o senador, sua esposa muito jovem e seu filho que me passara à impressão que era gay. Na mesa estavam papai e mamãe que tratou logo de me perguntar por Luciana.

- Está com Cacá mamãe, estarei logo mais com ela.

- Se eu fosse você tomaria conta do que lhe pertence viu?

- Mamãe não quero falar sobre isso agora está bem?

- Só estou lhe prevenindo.

Comecei a conversar com Vítor o filho do senador e Pedro conversava animadamente com o senador. Claro que não tocaríamos jamais no assunto relativo à fundação, pois isso seria a morte do nosso propósito. O plano era o de ser envolvente e de se colocar disposição para mostrar a eles o quão seria promissora para a carreira política do jovem Victor a parceria com o nosso nome e a nossa fundação e por isso durante a semana eu e Pedro estudamos o melhor jeito de levar esse tipo de discurso sem sermos tão incisivos. Parecia que estava indo tudo bem até eu resolver dar ouvidos para a minha mãe e olhar novamente para a mesa onde estava minha linda morena e me deparar com uma visão nada agradável, que era a da minha prima detestável Adriana sentada ao lado de Luciana e conversando com ela mais que animadamente. Fiquei furiosa, mas tentei não demonstrar.

- Então senador está apreciando a nossa festa?

- Claro doutora, este ambiente, as pessoas tudo de muito bom gosto e próprio para o ano que virá e que eu tenho certeza será muito especial para o nosso país.

- Tenho certeza que sim senador. Espero que realmente seja um ano muito especial.

- Você tem em mente muitos projetos doutora?

- Não senador apenas um e o senhor irá fazer parte dele espero.

- Espero que sim doutora, acho o projeto de sua fundação admirável.

- Ficaria muito feliz com a parceria do governo federal, mas acho que não é uma boa hora para falarmos disso. Hoje é dia de comemorarmos o ano que virá e torcer para que todos os bons propósitos sejam concretizados não acha senador?

- Claro doutora e esteja certa que hoje definitivamente está sendo um bom final de ano e certamente um ótimo começo para o próximo.

- Bem então façamos um brinde de despedida do velho ano e que foi um grande ano para todos nós estou certa?

- Sim brindemos então.

Estava toda sorridente para o senador, mas estava agoniada para sair daquela mesa e ir ao encontro de Luciana que minha prima paquerava descaradamente. O senador contava animadamente histórias da velha república que eu tentava prestar o máximo de atenção para que ele não percebesse o meu verdadeiro interesse que era a mesa da minha linda morena. Não resisti mais, pedi licença a todos dizendo que iria cumprimentar os outros convidados. Pedi minha mãe que desse total atenção ao senador, ela concordou prontamente e eu fui o mais rápido que pude até a mesa em que estavam Luciana, Cacá e Adriana.

Não tive sucesso em minha empreitada, antes de chegar até a mesa fui parada por várias pessoas que também eram tão importantes quanto o senador e que eu precisava dar uma atenção especial, afinal os negócios eram prioridade para mim e para minha fundação pelo menos eram até o momento. Demorou cerca de meia hora até eu conseguir alcançar Luciana. Parei de frente a mesa olhei para Luciana e abri para ela e só para ela o meu melhor sorriso.

- Oi Luciana, a festa está lhe agradando?

- Você está linda doutora! Pensei que não iria lhe ver antes da virada do ano.

- Por quê?

- Achei que teria assuntos importantes a serem resolvidos.

- Você é um assunto importantíssimo. Venha, vou te apresentar algumas pessoas.

- Boa noite priminha.

- Oi Adriana, como vai?

- Bem, muito bem. Adorei conhecer sua amiga, estávamos conversando sobre coisas bem interessantes não é Luciana?

- Claro que sim Adriana. Gostei muito de sua prima Andréia.

- Que bom, agora venha.

- Espera aí Andréia, cadê o Pedro?

- Venha Cacá ele está logo ali.

- Andréia sua prima ficará só?

- Claro que não Luciana existe centenas de pessoas nesta festa que Adriana conhece ou pode vir a conhecer não é prima?

- Certamente e Luciana foi um imenso prazer em conhecê-la. Quando se livrar de certas pessoas, me procure podemos inclusive marcar uma visita a região vinícola de que lhe falei.

- O prazer foi todo meu Adriana, depois nos falamos.

Saí praticamente puxando Luciana e a levando para um canto mais calmo da festa.

- Será que eu entendi direito Luciana? Você estava combinando uma viagem com aquela louca?

- Andréia não foi nada disso. Ela falou aquilo para te provocar já que me parece que vocês se detestam.

- Você acertou Luciana, Adriana é a pessoa mais detestável que eu conheço.

- Bem, eu não tenho nada a ver com a briga de vocês. Estava apenas sendo gentil com a sua prima.

- Aliás, gentil em demasia não é Luciana!

- Andréia se eu não soubesse de suas intenções ao meu respeito juraria que estava com ciúmes.

- Quais são as minhas intenções ao seu respeito Luciana?

- A de dama de companhia para essa noite e só.

- Luciana, não venha com essa conversa novamente, quem quer ir embora amanhã ou se possível esta noite é você.

- Então é melhor nos acalmarmos e seguir o protocolo não é doutora? Aliás, eu realmente não sei o porquê de tanta insistência para que eu ficasse com você esta noite já que você não pretende estar junto a mim hora nenhuma, estou certa doutora?

- Não está não e venha que eu tenho realmente que seguir o protocolo e mais está quase chegando a hora da virada do ano e não pretendo ficar aqui discutindo com você.

- Tudo bem Andréia, vamos.

Peguei a mão de Luciana e fui conduzindo-a pelo salão até a mesa dos meus pais. Mamãe quando viu Luciana, estampou um sorriso de satisfação e a fez sentar do seu lado. Eu confesso que não me importei já que estava furiosa com ela. Eu tinha quase certeza de que Luciana estava paquerando Adriana descaradamente e com certeza tinha marcado algum encontro depois de sua volta da tal região vinícola e cada pensamento meu a esse respeito me fazia ficar mais furiosa ainda com Luciana. Para completar minha ira, Adriana veio até a mesa cumprimentar meus pais, Pedro e o restante dos convidados.

- Oi tia Helena como está?

- Oi minha querida sobrinha, estou muito bem e você cada vez mais linda!

- Obrigado dona Helena. O tempo é um verdadeiro aliado para senhora, não acha tio Fred?

- O tempo apenas amadurece esta beleza rara minha filha, aliás, essa é uma característica das mulheres da família minha linda sobrinha.

- Obrigada tio. Senador, deputado, como vão?

- Bem doutora, muito bem.

- Pedro tudo bem?

- Sim Adriana. Você quer sentar-se?

- Não Pedro, obrigada. Luciana, fique com meu cartão e me ligue assim que puder, ficarei esperando. Veremos-nos no brinde espero. Até logo a todos.

Fiquei ainda mais furiosa com Luciana. Mamãe me olhou com a aquela expressão de “eu te avisei”, eu odiei Adriana mais ainda se é que isso seria possível.

- Calma cunhada, Adriana quer apenas te provocar.

- Cacá tudo bem, mas Luciana está incentivando essas investidas de Adriana.

- Você está roxa de ciúmes cara cunhada.

- Não estou não, mas não sou cega.

- Luciana está cada vez mais sem graça com sua atitude Andréia, não complique sua noite minha amiga.

- Vou tentar. Vou ao banheiro.

- Está faltando apenas meia hora para a virada do ano.

- Certo, volto já.



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Capitulo 24

[01/06/12]

Andréia estava visivelmente furiosa e eu não sabia o que fazer. Peguei o cartão de Adriana e guardei em minha bolsa muito sem graça porque tudo isso acontecera perto de dona Helena que me olhava incisivamente.

- Calma minha filha, Andréia estará de volta logo e aí vocês poderão conversar.

- Dona Helena, eu vou atrás dela, com licença.

Saí da mesa e fui atrás de Andréia. Tentei localizá-la por todo o salão sem sucesso. Estava quase voltando para mesa quando alguém pegou meu braço, eu me virei e dei de cara com Andréia, que me puxou e já foi me levando até o banheiro. Ela trancou a porta e me olhou com bastante raiva, confesso que tive medo, mas resolvi tentar acalmá-la.

- Andréia, o que está acontecendo?

- Você é quem me deve explicações Luciana.

- Sobre o que Andréia?

- Podemos começar falando do seu flerte com Adriana.

- Não flertei com sua prima e você sabe muito bem disso.

- Luciana acho que sempre fui muito sincera com você e espero a mesma atitude de sua parte. Se você se interessou pela minha prima, faça bom proveito de sua nova investida.

- O que você pensa que eu sou? Acha que sou leviana ou quem sabe promíscua é isso Andréia?

- Acho que não a conheço o suficiente para arriscar uma das opções.

- Realmente você não me conhece nem um pouco doutora. Faça o seguinte, resolva a suas diferenças diretamente com sua prima e me deixe de fora dessa sua briga insana. Vou para o quarto arrumar minhas coisas e esteja certa que vou dar um jeito de sair daqui o mais rápido possível.

- Você não se atreva me deixar sozinha antes da virada do ano novo. Planejei sair daqui com você depois da meia noite para que nós pudéssemos ficar a sós em meu apartamento e passar o primeiro dia do ano juntas, mas pelo que vejo isso não vai rolar não é Luciana?

- Aceito a carona doutora e, e...Eu...

Tentei falar, mas tudo ia ficando distante, distorcido, vi Andréia perto de mim me segurando, aí eu apaguei.

Acordei numa espécie de enfermaria. Tentei me levantar da maca em que eu estava, mas Cacá me impediu. Fiquei nervosa, constrangida e muito envergonhada e comecei a chorar.

- Cacá onde eu estou? Cadê Andréia? O que aconteceu?

- Calma minha linda, está tudo bem. Andréia está providenciando um helicóptero para levar você para o continente, mas ela já volta tudo bem?

- Cacá o que está acontecendo comigo? Eu quero voltar pra minha casa e aí vai ficar tudo bem viu? Me leva pra casa Cacá, por favor?

- Lu me escuta, primeiro a senhora vai se acalmar e parar de chorar para que tudo fique bem ok? E depois este choro está borrando sua maquiagem linda.

- Sério Cacá eu quero sair daqui, fala para Andréia que eu não quero mais ficar aqui, por favor!

O doutor Carlos me abraçou e tentou me acalmar, mas eu chorava muito, eu soluçava e no fundo eu sabia que estes desmaios eram sinais evidentes de algo mais grave e tinha certeza que todos ali também achavam o mesmo. Andréia chegou e eu não sabia se isso me aliviava ou me deixava ainda mais nervosa.

- Andréia eu quero ir, me leva daqui, por favor, eu já estou bem eu juro!

Andréia me abraçou e eu continuava chorando muito, meu desespero aumentava a cada instante, eu estava descontrolada.

- Ei minha linda, calma, eu já vou tirar você daqui está bem? Vai ficar tudo bem viu? Você confia em mim?

Eu tentei me acalmar, segurava Andréia com firmeza, como se ela fosse minha tábua de salvação. Aos poucos fui me acalmando. Andréia ainda me mantinha em seus braços, quando dois homens entraram na enfermaria.

- Luciana, agora vamos embora sim? Você irá deitada assim como está e eu vou estar ao seu lado o tempo todo tudo bem?

- Andréia eu posso andar, me deixa ficar de pé, por favor?

- Não Luciana, não vou arriscar que você passe mal novamente. Fique deitada e eu vou estar ao seu lado vai ficar tudo bem confie em mim.

Eu não tinha alternativa a não ser obedecer a minha doutora. Os homens foram conduzindo a maca até o helicóptero que esperava em um pátio do hotel. Eu fui colocada na aeronave, mas em seguida Andréia entrou sentou-se próxima a mim e segurou minha mão. No banco da frente ia além do piloto Cacá e Adriana? Sim era Adriana.

- Andréia me escuta eu estou bem, eu acho que desmaiei porque eu comi pouco, dormi a tarde toda, olha não precisa se preocupar, amanhã eu procuro um médico e faço alguns exames, só me leva pra casa.

- Ei minha linda deixa eu cuidar um pouquinho de você está bem? Não se preocupe você tem aqui os melhores médicos do mundo só pra você, aproveita viu?

- Andréia pra onde vocês estão me levando?

- Você vai para um hospital Luciana. Nós vamos ter que ver o porquê destes desmaios tudo bem?

Meu desespero voltou. O Helicóptero levantou vôo e eu não conseguia mais ouvir o que Andréia me dizia. Andréia chegou bem perto do meu rosto, me deu um beijo nos lábios e ficou encostada em mim com as minhas mãos entre as suas.

Eu tinha certeza que algo a mais acontecera naquele banheiro durante meu desmaio para que Andréia estivesse decidida a me levar direto até um hospital e mais, levando junto à doutora Adriana. Eu tentei me lembrar da especialidade dela, mas não conseguia. Eu tentei me lembrar de outros desmaios, mas não havia nenhum outro ao não ser tonturas passageiras que eu nunca relacionara com alguma coisa mais grave.

Eu queria perguntar a Andréia o que realmente ela estava pensando a respeito dos desmaios, se acaso eu teria batido a cabeça com muita força ao cair desta vez e por isso ela me mantivera deitada até então, mas o barulho das hélices era muito alto e ela não conseguiria me ouvir, então resolvi permanecer quieta e aninhada nos braços da minha linda doutora.

Depois de uns quarenta minutos creio eu, o helicóptero desceu em um edifício e me retiraram da aeronave ainda na maca. Andréia ia sempre ao meu lado, mas Adriana e Cacá eu não conseguia mais vê-los, talvez pelo meu estresse eu tivesse confundido outra pessoa com Adriana. Entramos em um elevador eu, Andréia e os dois homens que levavam a maca, depois seguimos em um corredor até pararmos em um balcão onde devia ser um posto de enfermagem e era.

- Luciana, eu vou ter que sair agora, mas volto logo. Juliana é a enfermeira responsável pela enfermaria, ela e Cacá irão te levar para o quarto tudo bem?

- Andréia, eu juro que estou bem. O que houve foi apenas um desmaio, eu não quero ficar aqui, por favor, me leva pra minha casa.

- Luciana meu amor, confie em mim tudo bem? Eu volto logo.

Andréia me chamou de amor? Será que eu ouvi direito? Eu não tive mais o que dizer, apenas consenti fazendo com a cabeça um gesto de positivo e ela se foi no imenso corredor por onde entramos. Fiquei alguns instantes na maca perto do posto de enfermagem quando uma mulher se aproximou de mim, era a enfermeira.

- Luciana? Eu sou Juliana enfermeira chefe desta unidade. Estou aqui para levá-la até o seu quarto tudo bem?

- Tudo bem Juliana.

- Luciana, você está sentindo dores, tonturas, náuseas ou qualquer tipo de desconforto que queira me dizer?

- Um pouco de dor de cabeça.

- Certo algo mais?

- Não acho que não.

- Então vamos para o quarto e logo providenciarei um analgésico para você ok?

- Certo, tudo bem.

Novamente o homem que levara a maca da primeira vez, foi me conduzindo até o quarto. Juliana e o homem me passaram da maca para uma cama e foram embora. O quarto era confortável e assustador. Fiquei olhando para o teto pois não conseguia olhar mais nada.

- Oi Lu Olha quem chegou para alegrar sua estada neste lugar? Eu Cacá o grande!

- Cacá onde está Andréia?

- Credo! Eu sei que não sou tão sex como ela, mas dá pra tentar mentir um pouquinho?

Quase sorri com Cacá, mas eu estava cansada, fraca e com fome.

- Cacá dá pra pedir um leite pra mim, estou faminta.

- Ah meu bem nos esquecemos do seu estômago. Vou ver se falo com a nutricionista de plantão e se a doutora Adriana libera um lanchinho pra você viu?

- Cacá vê se encontra Andréia sim?

- Eu vou ver e volto logo.

Cacá se foi e eu me arrependi de ter o deixado ir. Senti-me sozinha de novo. A solidão fora o sentimento que mais me acompanhou durante toda a minha vida e agora parecia que era uma cola forte e rápida, daquelas que não soltam com facilidade. Eu ficara no quarto solitária dez minutos ou talvez dezessete minutos ou quem sabe uma hora. Quando se tem medo, os minutos se transformam em horas e as horas em eternidade. Andréia chegou à porta do quarto, eu levantei a cabeça e ela quase correu ao meu encontro.

- Ei garota o que pensa que está fazendo?

- Acho que tentando me levantar.

- Ok vai devagar.

- Andréia estou com muita vontade de ir ao banheiro.

- Eu te ajudo.

Fui ao banheiro com a minha mais nova escudeira me olhando atenta e eu morta de vergonha por ter que fazer pela primeira vez na minha vida um chichi vigiado.

- Estou fazendo corretamente?

- Luciana vamos para cama?

- Ok ama e senhora.

Ela me ajudou novamente a deitar.

- Andréia o que vocês estão suspeitando a respeito desses meus desmaios e não minta para mim.

- Estamos suspeitando de TPM.

- Sério Andréa me fale a verdade.

- Não sabemos ainda Luciana, o que tudo indica pelos seus sintomas é que pode ter algum comprometimento neurológico, por isso nada de esforços e nada de estresse viu mocinha.

- Estou cansada e faminta.

- Eu sei minha linda.

- O que eu gostaria mesmo é que você repetisse o que disse quando nós chegamos aqui.

- O que eu falei?

- Deixa pra lá. Andréia me arruma algo para comer?

- Luciana você me perdoa?

Meu peito congelou. Parecia que Andréia ira me pedir desculpas por ter dito pela primeira vez pelo menos pra mim a palavra amor.

- Perdoar por quê?

- Por tudo o que eu disse a você lá na ilha.

- Andréia eu nunca poderia flertar com sua prima.

- E porque não Luciana, afinal Adriana apesar de detestável é uma linda mulher.

- Porque eu estou irremediavelmente apaixonada por você.

Andréia chegou bem perto do meu rosto, me deu um beijo nos lábios com os olhos cheios de lágrimas.

- Luciana eu não sei o que te dizer, apenas que...

- Não precisa dizer nada doutora mesmo porque eu acho que você já sabia. Mesmo assim eu te declaro a minha paixão e pronto. Agora me arruma um leite ou qualquer coisa para comer porque meu estomago está doendo.

Andréia saiu e eu fiquei novamente com a minha solidão.



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Capitulo 25

[04/06/12]

Eu saí do quarto de Luciana e as lágrimas teimavam em rolar abundantemente. Eu saí quase correndo porque não queria que Luciana me visse chorando, tentando sufocar um sentimento que eu teimava em combater.

Eu estava cansada e ainda estava com a roupa da festa e me sentia culpada pelo segundo desmaio de Luciana e por não ter conseguido dizer pra ela que eu estava complicadamente apaixonada por ela, uma moça que eu mal conhecia que eu encontrei em um site de encontros gay, que eu sabia que tinha alguma patologia neurológica séria e que as coisas todas se misturavam na minha cabeça como em um turbilhão de emoções. Entrei em uma sala de espera e chorei mais ainda.

- Ei minha amiga o que foi?

- Cacá o que eu faço meu amigo?

- Vem cá minha linda cunhada.

Cacá me abraçou e aí eu desabei, chorei muito nos braços dele e ele como um bom amigo me deu o conforto de sempre.

- Eu sei que está difícil Andréia, mas vamos esperar para ver o que Adriana tem a dizer, talvez não seja nada grave.

- Cacá, Luciana teve uma convulsão naquele banheiro e eu fiquei desesperada entende? Eu provoquei essa convulsão e não é só isso, eu estou completamente apaixonada por ela. Este sentimento que eu lutei tanto para evitar foi me acontecer logo agora e com uma pessoa que eu mal conheço que eu tive alguns poucos encontros e novamente me colocou numa situação difícil da qual eu não tenho nenhum controle, parece que o filme está se repetindo com outro enredo, mas parece que eu já vivi isso tudo.

- Calma Andréia você está misturando tudo minha amiga. Primeiro vamos separar o que é bom nisso tudo. Que você está apaixonada pela Lu isso eu já sabia a muito tempo, ao menos esse tempo em que vocês estão juntas e essa paixão é uma coisa boa e preciosa. Depois essa coisa de estar vivendo o mesmo filme, não é verdade. Lu é uma pessoa especial e você sabe muito bem disso, não a compare com aquela maluca. E pára de se culpar por essa convulsão que a Lu teve, mesmo porque qualquer outro estresse que sua amada tivesse poderia ter desencadeado a mesma coisa. Acho que foi sorte da Lu ter você ao lado dela e de sua prima que apesar de vocês não se emendarem, não podemos esquecer que ela é uma das maiores neurocirurgiãs deste país.

- Cacá você realmente é meu amigo, tem a capacidade de distorcer tudo ao meu favor.

- Não senhora, eu apenas estou vendo as coisas com mais tranqüilidade e do lado de fora da sua paixão. Andréia você acha mesmo que você ia se livrar desse sentimento por toda a eternidade minha amiga? Claro que não. Agora vamos lavar este rosto e vamos para o quarto de Lu que já deve ter recebido um lanchinho e eu também estou faminta e a senhora também. Vamos fazer um piquenique no quarto de Lu e brindar o ano novo com leite, venha.

Cheguei ao quarto de Luciana e Adriana estava lá examinando-a. Ela estava muito perto do rosto dela olhando através de uma espécie de lanterna para verificar a retração pupilar. Eu sabia que aquele tipo de procedimento era comum para os neurologistas, mesmo assim quase morri vendo minha paixão a tão pouca distância da minha detestável prima. Adriana suspeitava de um nódulo na parte posterior do cérebro e faria todos os exames necessários para elucidar o caso, mas mesmo assim estava morrendo de ciúmes.

- Luciana agora quero que abaixe a cabeça bem devagar.

Luciana abaixou a cabeça com Adriana segurando os seus ombros.

- Agora levante a cabeça bem devagar.

Luciana, assim que ergueu a cabeça se mostrou desconfortável e eu mais que depressa fui ao seu socorro.

- O que foi Luciana você está bem?

- Andréia estou um pouco tonta e com um pouco de náuseas.

- Certo. Adriana acho que por hoje é o bastante.

- Ok. Luciana, tudo bem a tontura vai passar fique tranqüila. Amanhã faremos exames mais específicos e eu vou lhe passar um tranqüilizante apenas para que durma oito horas necessárias para realizarmos os exames ok? Andréia Venha aqui um momento sim, estou no posto de enfermagem.

- Já vou Adriana. Cacá fique aqui e qualquer coisa me chame.

- Pode ir Andréia eu e Lu ficaremos bem.

- Volto logo.

Saí do quarto com muita raiva de Adriana, mas me controlando mesmo porque eu sabia que ela era muito necessária no tratamento de Luciana.

- Andréia é o seguinte. Volto amanhã às dez horas já que são quase duas horas da manhã para realizarmos a tomografia e ressonância. Eu quero te dizer que pelos exames clínicos minhas suspeitas se tornaram mais fortes, mas não quero arriscar nenhum diagnóstico sem os exames de imagem e outros mais específicos. Vou prescrever um ansiolítico para que ela durma bem até a hora dos exames. Por hoje é só o que é possível fazer. Pensei em fazer a tomografia hoje, mas não vejo uma urgência para tal. Você ficará aqui?

- Sim Adriana, ficarei com ela. Você e Cacá ficam no meu apartamento, as chaves estão com ele e o helicóptero está esperando por vocês para levá-los.

- Certo então chame Cacá, pois estou exausta.

- Adriana muito obrigada por tudo.

- Andréia, você sabe que nós temos diferenças e são muito grandes, mas a parte profissional fica fora destas questões e no mais Luciana é uma boa moça, não estrague tudo certo?

- Tudo bem vou chamar Cacá.

Voltei ao quarto de Luciana e ela já estava tomando um copo de leite e Cacá comendo um sanduiche.

- Cacá, Adriana está a sua espera. Eu ficarei com Luciana e avise Maria para que me traga algumas roupas pela manhã, hoje eu me viro com as roupas do hospital mesmo certo?

- Tudo bem senhoritas, fiquem bem, se comportem e lembrem-se que aqui é um lugar de respeito.

- Até amanhã Cacá.

- Beijos Cacá e obrigada por tudo e desculpe por ter estragado seu revellion.

- Nada disso Lu você não estragou nada, fica bem viu minha linda, beijos para as duas.

Cacá se foi e eu fiquei novamente a sós com Luciana no quarto.

- Você não vai me contar o que realmente está acontecendo comigo não é doutora?

- Luciana eu não sou neurologista e por isso não tenho como lhe dar um parecer médico nesse momento e mesmo Adriana ainda não tem certeza de nada, apenas suspeitas que ela espera elucidar amanhã com os exames, por isso o que você tem que fazer agora é descansar para que os exames de amanhã nos dêem o diagnóstico correto.

- Esse hospital é seu doutora?

- Tenho parte da sociedade Luciana.

- Andréia eu não tenho plano de saúde, portanto se precisar leve-me a um hospital público, o hospital que eu trabalho tem neurologistas e...

- Luciana agora não. Estou cansada, você também e definitivamente não vou ficar discutindo esses assuntos com você.

- Mas Andréia você não tem responsabilidade nenhuma do que está acontecendo comigo e eu não terei como pagar esta internação e eu tenho que me preocupar sim.

Cheguei perto de Luciana que estava se mostrando agitada novamente. Apertei o botão chamando a enfermagem que já deveria ter trazido o tranqüilizante de Luciana. Trouxe o rosto da minha linda morena para perto de mim e lhe dei um beijo nos lábios.

- Ok tudo bem, mas vamos deixar isso pra amanhã? Por enquanto confie em mim só um pouquinho?

Finalmente Juliana trouxe o tranqüilizante, injetou no soro e em poucos minutos Luciana estava dormindo.

- Obrigada Juliana.

- Há quanto tempo você não aparece por aqui doutora Andréia.

- É faz muito tempo, mas a boa filha a casa torna não é assim que dizem?

- É verdade. Trouxe um pijama para você passar a noite, ele é horrível, mas pelo menos é confortável.

- Como vai seu casamento com Patrícia?

- Vamos bem. Mês que vem pretendemos fazer uma longa viagem de lua de mel que não tivemos graças à residência dela. E essa moça é muito importante pra você?

- Acho que sim.

- Acha?

- Tenho certeza.

- Fico contente por ela e mais ainda por você. Espero que tudo dê muito certo minha amiga.

- Eu também.

- Mandei vir um lanche pra você, coma e vá descansar e não se preocupe, pois vou estar de olho. Quer que eu ligue a câmera de vigilância?

- Eu ligo assim que me deitar.

- Até amanhã, fique bem.

Entrei no banheiro do quarto, tomei um banho rápido, vesti o pijama que Juliana tinha me trazido e tomei um leite que estava na bandeja do lanche trazido para mim. Liguei a câmera de vigilância e me deitei no sofá cama virada para o lado que estava a minha amada, que dormia com serenidade. Pensei em tudo que acontecera naquela noite, quando meu celular tocou. Pulei do sofá cama para atendê-lo, era Pedro. Atendi.

- Oi Pedro, desculpe a falta de notícias, me esqueci completamente de te dar um retorno. Cacá já está no meu apartamento com Adriana.

- Oi minha irmã. Cacá esqueceu o celular dele aqui na correria e mamãe, eu e todos estamos muito preocupados com Luciana, como ela está?

- Ela está bem, está dormindo graças a um tranqüilizante. Adriana está suspeitando que possa existir um nódulo ou tumor na parte posterior do cérebro e eu temo que isso seja o mais provável. Luciana fará exames de imagem amanhã e assim poderemos confirmar ou não essa suspeita. Não diga isso pra mamãe, mas fale que por enquanto está tudo bem.

- Ela vai querer ir aí assim que chegar ao continente.

- Não tem problema Pedro, deixe-a vir.

- Nós iremos sair aqui da ilha as nove e você quer que eu faça alguma coisa pra você ou pra Luciana?

- Quero sim. Quero que entre em contato com Vera, amiga de Luciana e peça a ela que vá até o apartamento de Luciana e pegue algumas roupas dela e leve para o meu apartamento, se ela precisar de transporte, peça a João para levá-la. Quando ela chegar aí, traga-a para o hospital, pois eu preciso conversar com ela sobre o estado de Luciana, quero perguntar-lhe sobre contatos com a sua família e não quero que Luciana se estresse com esses assuntos, certo?

- Tudo bem me passe o telefone dela.

- Vou mandar uma mensagem para você com o número ok?

- Tudo bem. Agora vê se descansa um pouco.

- Vou fazer isso. Pedro, obrigada meu irmão.

- Se cuida, beijos para você e Luciana.

Desliguei o telefone, olhei Luciana e aos poucos adormeci certa que o dia que estava preste a amanhecer seria pesado.



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Capitulo 26

[06/06/12]

O dia amanheceu nublado. Quando acordei Luciana ainda dormia, aproveitei para tomar um banho, pedi o café da manhã, pois estava morrendo de fome e com um pouco de dor de cabeça. Quando terminei o banho Maria já estava no quarto com minhas roupas em uma mala, já que não havia o que vestir ao não ser minha roupa da festa do revellion. Logo depois Adriana apareceu e me instruiu quanto aos exames a serem realizados naquele dia.

Luciana acordou e depois de um café da manhã partilhado entre eu e ela, fomos até o setor de radiologia para a feitura dos exames de imagens. Acompanhei tanto a tomografia quanto a ressonância junto a Adriana que me orientava sobre as imagens que a máquina captava do cérebro de Luciana.

Adriana ia me explicando pacientemente o que significavam os achados e os possíveis procedimentos a serem realizados para o tratamento. Os exames de imagens duraram cerca de duas horas e ao final Adriana pediu ainda uma série de exames laboratoriais que foram feitos em seguida. Ao final de tudo eu estava exausta e desanimada com o prognóstico que Adriana vinha me encaminhado.

Luciana deveria ser operada para remoção de um nódulo que atingia o hipocampo cerebral, próximo ao córtex entorrial. Adriana esperava a piora dos sintomas de Luciana se a cirurgia não fosse realizada. As convulsões poderiam aumentar as náuseas e vômitos também logo se intensificariam e talvez outros distúrbio como o de visão e de memória, enfim a remoção deste nódulo teria que ser feita.

O processo cirúrgico seria por micro cirurgia, segundo Adriana essa era a técnica mais indicada para remoção de tumores nessa área. O que estava animando a Dra. Adriana era que o nódulo que afetava Luciana tinha contornos regulares e bem delimitados demonstrando que se tinham grandes chances do tumor ser de origem benigna e por isso deve ter tido um crescimento lento, razão pela qual Luciana quase não apresentava sintomas até o momento.

Mas a vida não é assim tão boazinha. A área do cérebro que o tumor afetara Luciana era responsável pela cognição e pela memória. Adriana esperava que Luciana tivesse uma perda de memória, principalmente da memória declarativa, aquela que temos para fatos, nomes e acontecimentos, aquela que é mais fácil de ser adquirida, mas também mais rapidamente perdida. Ela esperava também que por algum tempo Luciana deveria ter dificuldades em formar novas memórias, mas que com o tempo e uso da neuroterapia cognitiva, ela certamente recuperaria essas memórias perdidas.

Adriana me explicara que o tumor que acometera Luciana era provavelmente um ganglioglioma. Este tipo de tumor cerebral corresponde a cerca de vinte por cento das lesões cerebrais. A maioria ocorre nos hemisférios cerebrais especialmente no lóbulo temporal. Este tipo de tumor era certamente benigno, mas isso só seria comprovado após o exame histopatológico. Isso realmente me animou e me fez pensar o que eu faria com Luciana após a cirurgia, já que seria muito provável que ela se esqueceria de mim e de toda a nossa história. Perguntei a Adriana o que eu deveria fazer a respeito da perda de memória de Luciana e Adriana me orientou a deixá-la com alguém que ela fosse mais próxima e o mais correto seria que a família a acompanhasse.

Eu não confiava tanto assim na minha prima e alguma coisa me dizia que Adriana queria me ver longe de Luciana. Num primeiro momento eu concordei com ela, mas depois eu comecei a desconfiar das boas intenções da doutora Adriana.

Quando saímos da sala de exames, fomos até o posto de enfermagem para discutirmos a melhor data para a cirurgia de Luciana, que seria o mais rápido possível. Passamos então a resolver os detalhes técnicos como a reserva da sala cirúrgica, equipe que acompanharia Adriana na cirurgia, sua agenda disponível para aqueles dias e decidimos que a cirurgia de Luciana seria feita daqui a três dias, período que segundo a doutora Adriana, Luciana não precisaria ficar sob internação, a não ser que as convulsões voltassem e aí sim ela teria que ser operada com urgência. Adriana iria prescrever medicações anticonvulsivas até a data cirurgia e depois ela passaria o caso para um amigo seu neurologista Dr. Mauro, a quem ela tinha muita confiança e respeito.

O mais urgente a fazer agora era o de dar a notícia para Luciana, que já deveria estar no quarto à minha espera e de Adriana. Deixei a cargo de Adriana a revelação do diagnóstico e prognóstico já que do instante em que eu me desesperei no banheiro do restaurante com Luciana em crise convulsiva, resolvera chamar Adriana para que ela prestasse socorro a minha amada, Adriana assumiu o papel de médica de Luciana.

Naquela noite, Luciana tentava me dizer que iria embora, já que eu prontamente insinuara que ela devia estar flertando com minha detestável prima, mas não teve tempo para completar seu pensamento. Ela foi desfalecendo e eu apressei-me a tentar ampará-la. Segurei Luciana, mas ela logo começou a ter tremores e enrijecer todo o corpo. Eu a deitei no chão frio do banheiro protegi sua cabeça com toalhas que encontrei e corri para buscar o socorro de Adriana, que prontamente me atendeu e com a ajuda de alguns garçons levaram Luciana ainda em crise para a enfermaria do hotel. A convulsão cedeu espontaneamente e Adriana achou melhor transferir Luciana para um hospital para que ela pudesse medicá-la no caso da convulsão voltar. Eu ainda estava atônita e não conseguia tomar as providências necessárias para o transporte, quando Cacá e Pedro vieram ao meu encontro e assim providenciamos o tal transporte. Eu estava arrasada e Cacá meu bom amigo decidiu que iria me acompanhar junto com Adriana até o hospital, renunciando a companhia de Pedro que achou a melhor solução, pois a festa apesar do triste episódio com Luciana tinha que continuar.

Eu já não pensava mais em festa, nem em minha fundação e muito menos no senador, eu estava muito preocupada com minha amada e me sentindo culpada pelo seu estado. Após alguns telefonemas consegui um helicóptero para fazer o transporte de Luciana. Corri literalmente até a enfermaria, quando encontrei Luciana junto a Cacá já consciente. Luciana me olhou com os olhos mais desesperados do mundo e eu novamente corri para ampará-la. Ela começou a chorar e se descontrolar e eu tentei acalmá-la temendo outra crise convulsiva. Aos poucos Luciana ia se acalmando e eu tentava a todo o custo mostrar-me segura e acolhedora, mas eu estava completamente perdida diante aquela situação.

A paixão percorre caminhos estranhos. A menos de vinte e quatro horas, eu estava planejando o fim do meu romance com minha linda morena e agora estava eu completamente assustada com a hipótese de que Luciana poderia me esquecer para sempre. Nossa alma é o cérebro, dono de nossos desejos, vontades e senhor de tudo o que há no mundo.

A alma humana é povoada de contradições, eu tinha que salvar Luciana de sua patologia, como médica e como mulher apaixonada por ela. O que eu iria fazer depois disso? Deixar Luciana seguir com sua vida e me afastar dela? Deveria contar-lhe o que acontecera antes de sua cirurgia e tentar reanimar a nossa história ao seu cérebro desmemoriado? Eram perguntas que eu começara a fazer e elas certamente teriam que ser respondidas dentro de três dias, porque depois tudo se apagaria e talvez definitivamente.

- Andréia vamos?

- Sim vamos Adriana, Luciana certamente está a nossa espera.

Quando entramos no quarto de Luciana estava lá mamãe, Pedro, Cacá e meu pai. Mamãe trouxe flores e uma cesta com os doces do revellion, papai uma garrafa de Brunello de Montalcino. Confesso que adorei a cena tão familiar e me perguntei por que Luciana encantara em tão pouco tempo a todos. Luciana era dona de uma delicadeza, de uma energia boa que cativava a todos. Eu realmente encantei-me por ela desde o momento que a vi naquele restaurante, vestida de preto e com uma gravata masculina. Por mim teria pulado aquele jantar e caído em seus braços fácil. Mas agora eu estava ali preste a revelar a Luciana que tudo que nós vivemos até então seria esquecido, inclusive sua paixão por mim, mas a minha paixão por ela não seria tocada e continuaria. Essa paixão faria parte das minhas memórias que talvez o tempo tratasse um dia de apagá-las quem sabe?

- Minha filha, que bom que chegou! Trouxe doces do revellion e espero que não proíba Luciana de comê-los!

- Claro que não mamãe, Luciana provará os doces e buon capo d`anno mama e papa!

- Pra você também minha filha querida!

Meus pais me abraçaram e as lágrimas começaram a cair. Luciana ficou atenta a tudo. Pedi licença e fui ao banheiro tentar me controlar e lavar meu rosto.

- Minha filha, seu pai trouxe um bom vinho para que vocês brindem este ano que vai começar e estamos aqui pra desejar a você, Luciana, Adriana e Cacá o ano mais feliz de suas vidas.

- Obrigado papai será um grande ano, disso eu tenho certeza, mas o vinho terá que esperar um pouco mais.

- Certo, talvez Luciana terá que esperar, mas não pra sempre não é mesmo doutora Adriana?

- Claro que não. Luciana tem boas chances de se recuperar logo e degustar esta preciosidade e outras já que ela é somelier.

- Espero que sim doutora. Eu estou ansiosa para saber dos resultados dos exames que fiz.

- Mamãe e papai, Luciana precisa conversar com a Dra. Adriana e talvez fosse melhor que esperassem la fora não acham?

- Claro filha. Luciana querida nós já vamos, mas aguardaremos notícias suas. Você vai me ligar depois me dizendo as boas novas certo?

- Prometo que vou dona Helena.

Meus pais se foram, Pedro e Cacá saíram atrás da amiga de Luciana que eu agora tinha mais que urgência de falar-lhe. Ficamos no quarto, eu Luciana e Adriana.

- Luciana está tudo bem?

- Sim doutora Adriana, estou me sentindo muito bem, quando poderei ir para casa?

- Por mim logo após nossa conversa.



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Capitulo 27

[08/06/12]

Olhei nos olhos de Andréia e vi que ela tinha chorado. O clima no quarto era tenso. Eu olhei para Andréia e ela me sorriu, mas um sorriso fraco, sem o mesmo encanto dos sorrisos em eu me derretia toda e caia em seus braços. A doutora Adriana enfim começou a tão esperada explanação.

- Luciana, nos exames em que fizemos hoje pela manhã em você descobrimos as causas dos seus desmaios. Creio que a Dra. Andréia não tenha ainda comentado, mas ontem você teve um desmaio seguido de convulsão, por isso nossa preocupação em removê-la para um hospital. Diga-me uma coisa, você teve algum episódio de desmaios anteriormente a estes dois?

- Não que eu me lembre.

- Certo. O que você está tendo Luciana são reflexos ou sintomas de um nódulo que encontramos numa região do cérebro chamada hipocampo que fica mais ou menos no centro do cérebro...

A doutora Adriana ia me explicando toda a minha patologia e eu ia ficando cada vez mais tensa. Eu olhava para Andréa quase que pedindo sua ajuda e que ela se opusesse às afirmações de sua prima. Mas Andréia não falava nada, apenas me olhava esperando uma reação qualquer. A Dra. Adriana me explicara tudo e me deu o veredicto. Teria que ser operada o mais rapidamente possível. Tudo estava sendo preparado para que ela pudesse me operar dentro de três dias.

- Quais são os ricos da cirurgia doutora e não há outra forma de tratamento clínico?

- Sempre há riscos em toda cirurgia que se faz. Claro que quando falamos de cérebro as pessoas se assustam mais e com razão. Há riscos, mas são calculados e não faremos nada sem a absoluta convicção que estamos certos nos procedimentos a serem realizados. Infelizmente não há medicamentos capazes de dissolver este nódulo.

- E as seqüelas?

- Esperamos que você terá algum problema relacionado a memória. Talvez uma amnésia que esperamos que não seja permanente, mas com a ajuda da chamada neuroterapia cognitiva essas memórias serão estimuladas e provavelmente você recuperará essas memórias temporariamente perdidas.

Adriana me explicava à técnica cirúrgica e quando olhei novamente para Andréia ela estava olhando um ponto fixo na paisagem da janela do quarto do hospital. Eu Olhei novamente para a Dra. Adriana e ela me passava firmeza e segurança em tudo que dizia. Já Andréia estava abatida e ausente. Dra. Adriana terminou a explanação e disse que me daria alta e prescreveria um anticonvulsivante pra que eu tomasse até o dia da cirurgia, despediu-se e se foi e novamente eu e Andréia estávamos a sós.

- Então Luciana acho que já podemos ir o que acha?

- Andréia eu não quero me submeter a essa cirurgia.

- Luciana eu sei que você está assustada, mas Adriana é uma ótima médica e você está em boas mãos...

- Vou me esquecer de nós não é verdade?

- Provavelmente Luciana. A primeira memória que se perde é realmente essa que você espera perder.

- O que você acha disso tudo?

- Eu acho que você precisa da cirurgia para se curar. Isso é o mais importante.

- Não posso pagar por essa cirurgia doutora.

- Adriana não irá cobrar honorários e o hospital também não.

- Por que você está fazendo tudo isso por mim Andréia?

Desta vez Andréia me olhou com o olhar de surpresa e certa indignação.

- Você não imagina o porquê Luciana?

- Não.

- Eu me preocupo com você, eu te quero bem, eu quero te ajudar e...

- E o que Andréia?

- Eu fiz um juramento quando saí da faculdade sabia?

- Entendo. Quero que venha aqui para perto de mim.

Andréia aproximou-se, sentou-se na cama ao meu lado. Eu segurei seu rosto, lhe dei um beijo nos lábios e perguntei-lhe olhando-a nos olhos.

- Andréia o que você sente por mim?

- Luciana eu... Sinto um... Uma...

- O quê?

Eu ainda segurava o seu rosto perto do meu e olhava fixo para ela, apesar dela tentar desviar seu olhar, mas eu não permitia.

- Eu estou muito apaixonada por você Luciana e você sabe disso, não sabe?

Eu não respondi apenas a abracei forte e depois olhando para os seus olhos lindos e negros, fiz um gesto com a cabeça de afirmativo, mas aquela revelação me surpreendera, eu nunca poderia imaginar que a Dra. Andréia linda, rica, mimada, poderosa pudesse estar apaixonada por mim.

- Eu te amo minha doutora linda!

Eu novamente abracei-a e fiquei grudada em seu pescoço por um bom tempo até que fomos interrompidas pela a volta da Dra. Adriana.

- Me desculpem, mas eu estou trazendo aqui Andréia, as recomendações até a cirurgia, a receita dos medicamentos que Luciana precisa para evitar qualquer mal estar e os meus telefones para qualquer emergência certo?

- Certo Adriana. Luciana seguirá as recomendações e estou certa que tudo ficará bem. O avião te espera para te levar até seu destino e muito obrigado por tudo Adriana.

- Doutora, eu não sei como lhe agradecer.

- Eu sei Luciana: - Ficando boa logo. Ah! Depois vou querer que você monte uma adega para mim em minha casa de campo certo?

- Combinado.

Andréia não gostou do último pedido da doutora, mas o que fazer? Eu estava feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por saber que a minha linda doutora estava apaixonada por mim e triste por saber que o vinho do esquecimento estava guardado na minha cabeça o tempo todo. O que eu faria eu ainda não sabia, mas eu tinha certeza que a minha paixão por Andréia não se apagaria com a cirurgia, mesmo porque do meu coração a doutora Adriana não poderia tirar o meu amor por Andréia, isso era mais que uma certeza.





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Capitulo 28

[11/06/12]

Capítulo 28

Segui com Luciana para o meu apartamento, apesar dos protestos dela, pois ela queria ficar em seu apartamento, o que eu não permiti por razões obvias. Minha cabeça não parava um só minuto de tentar traçar estratégias para a suposta amnésia pós-cirúrgica de Luciana, mas não conseguia obter nenhum resultado prático. Quanto à cirurgia eu estava certa que seria muito bem encaminhada pela minha prima, pois apesar de um caráter duvidoso ela era uma autoridade na área da neurocirurgia o que me dava muita tranqüilidade no sucesso do tratamento de Luciana. João dirigia o carro e logo estacionou na garagem do prédio.

- Andréia nós devíamos ter passado em meu apartamento pelo menos para eu pegar algumas roupas.

- Isso já foi providenciado Luciana.

- Como assim?

- Sua amiga Vera trouxe suas roupas e seu notebook.

- Ela está em seu apartamento?

- Provavelmente. Pedro e Cacá foram buscá-la achei que você gostaria de vê-la.

- Como você a encontrou?

- Peguei o número dela no seu celular. Agora devagar, vamos subir.

- Eu estou bem Andréia!

- Eu sei Luciana, eu sei, mas não custa nada ter cuidado.

Abri a porta do meu apartamento e estavam lá a nossa espera Cacá, Pedro e Vera. Luciana ficou emocionada quando viu a amiga e esta correu para abraçá-la. Confesso que fiquei enciumada, mas eram amigas de muito tempo e não pude protestar, mas dei um jeito para acabar com a cena do abraço.

- Andréia, esta é Vera minha amiga.

- Muito prazer Vera.

- O prazer é todo meu Dra. Andréia.

- Cacá, Pedro obrigada por trazer Vera!

- De nada minha linda, você está melhor?

- Eu estou bem Cacá, apenas um pouco zonza, acho que foram essas medicações calmantes.

- Deve ter sido sim Luciana, mas vejo que você está melhor.

- Eu estou bem Pedro, obrigada.

- Luciana é melhor você subir. Maria irá ajudar você no Banho.

- Andréia eu quero falar com Vera!

- Eu sei Luciana, mas vá e quando estiver mais confortável, Maria nos avisará e aí ela sobe ok?

Luciana subiu com Maria que a amparava. Eu gostaria de ter subido com Luciana e preparado o seu banho e dado o banho nela, mas precisava falar com a tal Vera com certa urgência. Pedi licença ao meu irmão e cunhado e fui falar com ela no meu escritório.

- Vera eu gostaria de falar-lhe sobre a doença de Luciana.

- Eu não entendi direito quando seu irmão me procurou dizendo que Lu estava internada e eu fiquei muito aflita, mas me diga doutora porque Lu teve que ser internada?

- Luciana está com um nódulo no cérebro. Este nódulo está causando-lhe desmaios e convulsões, portanto ele deve ser retirado através de uma cirurgia que acontecerá daqui a três dias. Por isso minha urgência em lhe falar.

- Meu Deus! Isso é grave doutora? Ela corre risco de morte?

- Não, felizmente o nódulo não é tão grande, está situado em uma área do cérebro que será de fácil remoção e ela será operada por uma excelente cirurgiã.

- Ai graças a Deus! Mas em que eu posso ajudar doutora? É o custo da cirurgia porque se for isso, não tem problema, nós podemos fazer eventos, sei lá dar cotas de contribuições e...

- Não é nada disso Vera, não se preocupe com nada a respeito de custos. Eu quero que fique com Luciana após a cirurgia, acho que você é a pessoa mais indicada para isso. Quero também que a mãe de Luciana possa ficar com ela e acompanhá-la no pós-cirúrgico. Eu mandarei buscá-la.

- Não entendi. Você não poderá ficar com Luciana? Achei que vocês estivessem juntas.

- Luciana provavelmente terá uma amnésia depois da cirurgia, já que o seu tumor está justamente localizado em uma área que é responsável pela memória. Ela não poderá ficar comigo, porque provavelmente não me reconhecerá.

- Sinto muito doutora.

- Eu também Vera, mas não posso fazer nada quanto a isso, infelizmente. Quero que você cuide de toda a recuperação dela que terá que voltar algumas vezes a um neurologista, e fazer uma terapia para a recuperação da memória perdida. Essa parte do tratamento é tão importante quanto à parte cirúrgica. Posso contar com você?

- Claro que pode doutora, mas e você, digo, como você ficará diante dessa situação?

- Eu vou ficar esperando Luciana voltar pra mim, é o que eu posso fazer. Entende o porquê é tão importante a recuperação total de Luciana, Vera?

- Entendi. Se me permite a intromissão, o que você sente por Lu é forte não é doutora?

- Eu quero casar com Luciana, Vera.

- Se depender de mim doutora você pode estar certa que Luciana recuperará estas memórias o mais rápido possível, pois eu sei que minha amiga também está muito apaixonada, o que me deixa muito feliz.

- Obrigada Vera. Todo o tratamento, a estadia da mãe de Luciana e tudo que for preciso, por favor, me diga que será providenciado.

- Ela não se esquecerá de mim doutora?

- Acho pouco provável. As memórias mais remotas são mais difíceis de serem perdidas, mas mesmo se acontecer, você mais do que eu terá elementos para ajudar Luciana a recuperar lembranças.

- Certo Doutora eu estarei ao lado da minha amiga o quanto for necessário, e doutora muito obrigada por tudo que você está fazendo pela minha Lu. Ela é mais que uma amiga pra mim, ela é uma filha que eu gostaria de ter tido.

- Vera eu sou muito egoísta. Eu preciso de Luciana curada para que eu possa tê-la por inteiro você me entende Vera? Tudo que for possível fazer eu farei para a melhora total de Luciana.

- Entendi Doutora. Conte comigo.

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Capitulo 29

[13/06/12]

Maria me levou até o quarto de Andréia e me colocou na banheira com uma água morna e perfumada. Tomei meia hora de banho com a vigilância constante dela. Não me importei. Saí do banho e Maria ajudou a vestir-me. Notei que minhas roupas já estavam arrumadas no closet do quarto da minha doutora. Sem a minha permissão ela tinha feito minha mudança. Estava sentada penteando os cabelos, quando Vera bateu na porta, entrou e me abraçou.

- Olá minha amiga querida!

- Olá Vera! Que bom que você veio me ver!

- Como você está?

- Agora bem, mas passei alguns maus bocados.

- Eu sei, o Dr. Carlos me pôs a par de tudo. Mas Lu, você nunca teve nada, como isso pode esta acontecendo minha amiga?

- Sei lá? Às vezes eu tinha umas tonturas, mas sempre depois de plantões agitados ou de momentos de extremo cansaço, mas eu achava isso normal. Nunca iria imaginar que poderia ter algo de errado acontecendo comigo, ainda mais um tumor cerebral.

- Como você está raciocinando sobre tudo isso?

- Estou com muito medo Vera. Medo de morrer na cirurgia, medo de perder definitivamente a memória, medo de perder meu amor, estou apavorada.

Vera me abraçou e eu comecei a chorar.

- Calma minha linda. Você não vai morrer e nada disso que está perturbando sua cabecinha vai acontecer viu?

- Eu vou perder a memória Vera, isso é definitivo, a doutora Adriana me disse. (eu estava soluçando).

- Lu olhe bem. Claro que você vai perder a memória, mas isso é temporário, essas memórias irão voltar isso será breve e depois você retomará sua vida normal e junto com seu novo amor pode ter certeza disso.

- E se ela não me esperar? Se Andréia perder a paciência comigo e me deixar e se quando eu me lembrar de nós ela já estiver interessada em outra pessoa? O que eu vou fazer minha amiga?

- Lu você tem que confiar no amor de vocês. Andréia está fazendo tudo para você se curar, ela está muito preocupada e apreensiva e Lu ela te adora.

- Ela é médica Vera. Ela faria isso por qualquer pessoa.

- Talvez você esteja certa, embora eu não conheça sua doutora, o que eu vi nos olhos dela não era um mero interesse profissional e sim cuidados de quem está amando.

- Ela não disse que me ama Vera.

- Mas dirá, tenha certeza disso. Ela dirá.

- O que eu faço minha amiga?

- O que você tem que fazer é ficar quietinha, fazer tudo o que sua doutora disser que faça não ficar assim como você está agora, nervosa, porque isso não é bom para você e depois pensar que tudo vai dar certo viu minha linda?

- Você acha que ela me ama?

- Tenho certeza que sim. Agora eu tenho que ir, porque você saiba que Simone está me esperando e ela está muito preocupada com você e eu fiquei de voltar com notícias suas.

- Porque ela não veio?

- Ela achou melhor não vir, mesmo porque ela entendeu que eu queria conversar com você primeiro, mas assim que eu chegar em casa e contar tudo pra ela, provavelmente ela te ligará, mas amanhã, porque hoje você irá ficar com sua doutora e descansar certo?

- Quando você virá?

- Amanhã eu te ligo e combinamos uma nova visita ok?

- Tudo bem.

Vera me beijou, me abraçou forte e saiu.

Logo depois que Vera saiu do quarto a doutora Andréia entrou e me encontrou com os olhos marejados.

- Luciana, você está bem?

- Estou Andréia.

- A visita de sua amiga lhe deixou nervosa? Aconteceu alguma coisa? Está sentindo algum sintoma de desmaio?

- Calma Andréia, eu estou bem, apenas um pouco emocionada só isso.

- Luciana, venha para cama eu quero que você descanse até o almoço certo?

- Andréia não quero ficar o tempo todo deitada.

- Agora ficará. Depois do almoço você fica comigo na varanda ou na sala o que lhe for mais conveniente, mas no momento quero que se deite.

- Tudo bem, mas depois temos que conversar.

- Depois Luciana. Eu vou tomar um banho e a senhorita fica bem quietinha aí e qualquer coisa que sinta me diga e eu venho imediatamente.

- Acho que eu estou sentindo...

- O que me fale? Você está com tonturas? Alguma dor?

- Ei, calma doutora eu ia dizer que estou sentindo uma enorme vontade de te beijar posso?

Andréia me olhou com certa repreensão e eu lhe dei o meu melhor sorriso. Então a doutora veio até a cama, sentou ao meu lado, pegou no meu queixo, olhou bem para meus olhos e me beijou. Desta vez com um beijo calmo e delicioso.



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Capitulo 30

[15/06/12]

Entrei no banheiro e o um cansaço me pegou. Eu estava deveras desanimada com tudo que vinha me acontecendo. Luciana estava aflita e eu tinha que pelos menos tentar passar uma tranqüilidade que eu estava longe de sentir. Eu queria que tudo o que estava acontecendo nessas vinte e quatro horas passadas fosse um engano, mas não era e a realidade se estampava de uma forma dura, injusta e árida.

Eu ainda tentava achar uma solução para a amnésia provável de Luciana, mas não encontrava nenhuma saída. Eu me deparei novamente com o espelho e o que vi foi uma mulher completamente apaixonada por uma pessoa que tinha data marcada para me esquecer e depois? Como seria a vida sabendo que minha paixão poderia ter me esquecido para sempre? Luciana poderia ainda desenvolver algum tipo de raiva ou repulsa por mim, já que isso ocorrera antes a pacientes que se submeteram a cirurgias como a que ela se submeteria em tão pouco tempo.

A minha esperança é que nada disso se concretizasse e Luciana saísse da cirurgia como antes e que depois ela olhasse para mim e me pedisse um beijo e aí nós voltaríamos para casa e planejaríamos um futuro calmo e cheio de paixão. Essa esperança era rala, fina quase um fio que eu me agarrava firme, pois não tinha alternativa, mas no momento minha única intenção era de encher Luciana de carinho, de aconchego e de mimos, talvez ela se lembrasse disso, quem sabe?

Saí do banho e encontrei Luciana na cama dormindo, acho que ainda sob os efeitos do sonífero e do cansaço que certamente estava sentindo. Eu tirei meu roupão, fui até o closet e encontrei suas roupas arrumadas junto às minhas e eu achei tudo muito bom. O cheiro de Luciana se espalhava pelo meu closet e neste momento tive vontade de chorar, mas me controlei. Troquei-me e desci para sala onde ainda me esperavam meu irmão e meu amigo Cacá.

- Onde está Vera?

- Mandei João levá-la Andréia.

- Fez bem Pedro.

- E Luciana, ela está bem?

- Sim está Cacá, está dormindo, melhor assim.

- Andréia você está precisando descansar também minha amiga.

- Eu sei Cacá, mas eu tenho que tomar algumas providências ainda a respeito de Luciana.

- Porque você não descansa primeiro e depois toma essas providências minha irmã?

- Só tenho que esperar João chegar para pedir que ele viaje e busque a mãe de Luciana.

- É isso realmente tem que ser providenciado.

- Acho que se ele for hoje, no dia da cirurgia ela já estará aqui.

- Luciana ficará aqui depois da cirurgia Andréia?

- Não Cacá. Luciana ficará na casa de Vera. Ela provavelmente se esquecerá de mim e eu não quero que ela se sinta desconfortável ou constrangida de estar perto de uma pessoa que ela não reconhecerá.

- Talvez não aconteça minha irmã.

- Estou torcendo para isso Pedro, mas a previsão da minha adorável prima é que a tal amnésia seja inevitável.

- Pedro meu amor, posso conversar com a minha amiga a sós meu lindo?

- Claro, eu vou tomar um banho e esperar vocês para o almoço.

Pedro subiu para o quarto e Cacá me pediu que eu lhe servisse uma dose de uísque e preparei duas. Precisava do álcool para relaxar um pouco.

- Desanimada demais doutora Andréia.

- Sabe Cacá, estou me sentindo como uma criança que acaba de descobrir o melhor doce do mundo, mas alguém muito alto e forte está correndo atrás de mim para tomá-lo e eu não irei conseguir impedi-lo.

- Andréia pára com isso, ninguém vai roubar seu amor de você minha amiga! O amor não é feito de lembranças, mas sim do olhar, da emoção, do querer que nos domina e que não podemos evitar. Luciana apesar de te esquecer temporariamente, não deixará de te amar, esteja certa disso.

- Eu não estou certa disso Cacá. Droga!

- Então se tudo que você está imaginando se concretizar, a senhora trate de correr atrás do prejuízo!

- Como assim Cacá?

- Ah doutora, você já foi mais esperta! Se Lu te esquecer, se apresente novamente a ela, passe uma borracha no passado e vá à luta para reconquistar sua mulher, criatura!

- Estou desanimada Carlos Alberto.

- Então trate de se animar. Olha Andréia a vida não é chazinho não minha cara amiga. A vida é um enorme banquete que temos que preparar quase todos os dias e que dá um trabalho louco e quando achamos que tudo terminou tudo recomeça novamente e é assim doutora.

- Filosofia barata não Cacá.

- Pode ser filosofia de camelô, mas você não tem alternativa. Ou vai atrás de Luciana ou fica sentadinha esperando que ela recobre a memória e se lembre de você. E se isso nunca acontecer? Você vai ficar conformada? Vai ficar feliz?

- Será que isso não será melhor mesmo Cacá? Será que se eu forçar a barra e for atrás de Luciana a agonia de vê-la me rejeitando não será prolongar o sofrimento?

- Não será não. Pela primeira vez depois de muitos anos a senhora finalmente se apaixona por alguém e vai logo desistindo de tudo, assim fácil? Inércia nunca foi um problema pra você doutora. Medo da rejeição todos tem, mas não deixe que isso a paralise doutora.

- Eu vou pensar sobre isso doutor, eu te prometo.

- Eu sei que agora está difícil minha linda, mas descanse primeiro, fique junto de Lu, aproveite bem esses dias que antecedem a cirurgia e aí você pensa melhor e com mais calma certo?

- É doutor Carlos o senhor tem toda a razão, Carpe Diem. É só isso por enquanto.

- Talvez seja mesmo minha amiga.



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Capitulo 31

[18/06/12]

Nos dias que se seguiram, Andréia foi carinhosa e atenciosa comigo e recebia minhas amigas para que eu me sentisse em casa. Não falamos mais sobre sentimentos e não fizemos planos para o futuro. Andréia dormia ao meu lado abraçada, mas não transávamos, mesmo porque os remédios prescritos pela doutora Adriana eram fortes e me deixavam sonolenta o tempo todo.

No dia que antecedeu a cirurgia, Andréia estava bastante pensativa e até diria desanimada. Nós teríamos que ir ao hospital à noite para a internação, já que a cirurgia ocorreria pela manhã e a cada hora da partida para o hospital eu ficava mais apreensiva e Andréia cada vez mais pensativa. Ela não me falava o que estava sentindo, se estava cumprindo uma promessa de me ver curada ou se estava triste pela realidade que iríamos enfrentar após a retirada do maldito tumor. Eu tive que desisti dos meus planos e me concentrar em me tratar e com sorte voltar para minha rotina de trabalho e estudos.

Andréia me comprara muitos livros ligados ao mundo dos vinhos, mas minha desanimação em lê-los era evidente, apenas os folheava e a minha atenção era toda para o meu amor, para minha linda Andréia e pela primeira vez eu conseguia enxergar sentimentos por parte dela que eu não havia vislumbrado até então. Eu realmente agora tinha certeza que minha doutora estava apaixonada por mim e isto me afligia mais ainda por saber que em menos de vinte e quatro horas eu a teria esquecido.

Às sete horas e trinta minutos da noite estávamos prontas para descer para a garagem e pegar um dos carros da doutora para a viagem até o hospital, que não ficava longe do apartamento de Andréia.

Entramos no carro em absoluto silêncio e durante o trajeto eu ia olhando as ruas vazias e molhadas pelas chuvas de verão. Neste momento eu imaginei que se eu não tivesse conhecido Andréia, se eu não tivesse descoberto este tumor na minha cabeça, provavelmente estaria a caminho da rodoviária embarcando para o hotel vinícola cheia de sonhos e esperanças de um futuro que eu sempre quis pra mim.

Claro que este tumor já existia em meu cérebro e claro que eu conhecera Andréia e me apaixonara por ela quase que imediatamente quando a vi, mas eu realmente queria que naquele momento minha realidade fosse outra, mas claro que não gostaria que Andréia simplesmente não existisse mais na minha vida como em tão pouco tempo dali onde nós estávamos iria fatalmente acontecer.

Andréia estava preste a desaparecer da minha vida, como num passe de mágica e pelo bisturi elétrico da doutora Adriana que se tornara minha salvadora e meu algoz, tirando de mim parte da minha cabeça e decepando covardemente as lembranças do meu primeiro e único amor, ceifando definitivamente minha vida com Andréia.

Eu estava triste, me sentia dividida, gostaria de dizer para Andréia dar a volta com o carro e me levar para outro lugar, me levar para um lugar em que existisse algum tratamento alternativo aplicado por um guru indiano, que ao colocar a mão na minha cabeça o meu tumor se tornaria líquido, escorreria pelos meus ouvidos e sairia pra sempre das nossas vidas.

Depois eu ficaria de repouso e quando o tal guru me desse alta, eu casaria com Andréia no templo desse guru vestida de branco com colares de flores e incensos acesos em reverência ao deus que me permitira viver pra sempre ao lado do meu amor. Eu ri da minha fantasia, mas até que o divino poderia me dar o ar de sua graça só por um momento e antes que a doutora Adriana tocasse seu bisturi na minha cabeça.

Mas os deuses certamente não iriam me dar esta colher de chá, então quando eu me dei conta, Andréia já estava entrando numa outra garagem que certamente era a do hospital.

- Você está bem Luciana?

- Não Andréia estou com muito medo.

- Eu sei meu bem, mas fique tranqüila eu vou estar ao seu lado todo o tempo eu prometo.

- Tudo bem, vamos subir?

- Vamos sim meu bem. Alguém trará uma cadeira de rodas e...

- Não Andréia! Prefiro ir andando!

- Luciana são normas do hospital, fique calma, por favor.

- Vamos Andréia, eu não vou em cadeira alguma.

- Tudo bem, vamos então.

Chegamos ao nono andar do hospital onde a enfermeira Juliana novamente nos esperava para cumprir todos os trâmites da internação e para me avisar que a doutora Adriana chegaria uma hora antes da cirurgia, mas que eu conversaria ainda aquela noite com o anestesista e com o seu auxiliar.

Como se isso me tranqüilizasse de alguma forma e a cada instante que se passava, eu ia ficando cansada, com raiva, confusa e calada, apesar de saber que eu não poderia perder o equilíbrio, pois teria que aproveitar minha noite ao lado de Andréia e de ter a conversa que tanto adiamos pelos dias que se passaram.

Cheguei ao quarto, novamente me deitaram na cama, mas não me colocaram soro, apenas me avisaram que em algumas horas iriam novamente me dopar, o que me aborreceu mais ainda. Andréia saiu para checar os últimos detalhes da internação e da cirurgia e voltou uma meia hora depois finalmente para ficar comigo. Eu estava sentada na cama, mexendo nos canais da TV, sem nenhum interesse em qualquer um deles.

- Acho que tem um canal só de assuntos de gastronomia, provavelmente fala de vinhos.

- Andréia, me dá um beijo?

- Claro minha linda!

Andréia sentou na cama ao meu lado e já ia me beijar, quando eu a afastei e a olhei dentro dos seus olhos de jabuticaba.

- Me fale agora o que eu desejo ouvir desde o momento que nós nos conhecemos!

- Luciana o que foi eu...

- Não precisa mais me beijar Andréia, me deixa ir ao banheiro.

- Luciana você está nervosa, eu entendo...

- Não doutora você não entende nada, principalmente sobre sentimentos!

- Luciana não vamos brigar, não antes da cirurgia, você não pode nem deve ficar nervosa.

- Cadê aquele calmante então? Vá buscar agora pra mim. Eu só quero acordar um minuto antes desta maldita cirurgia.

- Luciana não faça isso por favor!

Levantei da cama e fui ao banheiro me demorando mais que o necessário para deixar Andréia propositalmente preocupada, tanto que ela foi bater na porta do banheiro que eu fiz questão de trancar.

- Luciana, você está bem?

Não respondi.

- Luciana saia daí se não vou chamar alguém para abrir esta porta.

Não respondi.

- Luciana me responda, eu estou preocupada, não faça isso comigo!

Não respondi.

- Eu te amo Luciana, eu te amo desde o momento que eu te vi. Eu te amo quando você está, quando não, eu fiquei pensando o tempo todo em você depois que a gente se separou naquela noite. Você povoava meus pensamentos e eu lutei bravamente para não precisar te amar, mas foi em vão. Eu sabia que eu teria que te procurar para que você pudesse ser minha novamente, mas uma covardia idiota me fez ficar quieta e torcendo para que não nos víssemos novamente, mas o destino não quis assim e colocou você novamente em meus braços e cada dia com você é melhor que o outro. Cada dia com você ao meu lado se torna especial e completo. Quando você está eu não preciso de mais nada, só de sua pele tocando a minha, do seu cheiro entrando pelas minhas narinas e trazendo junto o seu sabor, que pra mim é especial como a mais rara trufa da mais densa floresta onde só eu e você habitamos. Eu, você e o nosso amor. Por favor, meu amor não me deixe nunca só, nunca, você não tem esse direito!



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Capitulo 32

[20/06/12]

Luciana finalmente abriu a porta do banheiro e me encontrou parada rente à porta. Ela me olhou demoradamente, e foi me abraçando e se aninhado toda em meu corpo. Eu mais do que nunca senti seu cheiro bom e eu não contive mais as lágrimas que eu tanto evitei em dá-las à Luciana.

- Meu amor nunca mais faça isso viu? Eu não posso mais ficar sem você!

- Andréia eu te amo, eu te quero muito, eu quero minha vida toda de agora em diante com você. Eu não sei o que a gente fará agora, mas nós só temos hoje para decidir e não podemos mais adiar. Você evitava falar de sentimentos, então eu não queria te pressionar, mas eu não sei o que fazer Andréia, me ajuda? Por favor?

Luciana também chorava e ela estava muito aflita e eu muito preocupada com seu estado emocional. Eu me afastei um pouco dela, passei minha mão pelo seu rosto, limpando suas lágrimas e fui a levando de volta para cama.

- Luciana, vamos conversar, mas antes você vai me prometer se acalmar, tudo bem?

Luciana fez sinal de positivo com a cabeça e eu a deitei na cama com a cabeça sobre meu colo. Ficamos assim por algum tempo sem nos falar. Passava a mão em seus cabelos e ela me olhava pedindo para que eu lhe dissesse o que fazer então eu comecei a falar-lhe.

- Você já sabe que eu te amo e eu vou fazer de tudo para que você se cure, mas eu vou fazer muito mais para ficar ao seu lado e isso é uma promessa você entende Luciana?

- Eu entendo Andréia, mas acho que temos um obstáculo imenso para superar.

- Luciana, sua memória vai voltar, tenha certeza disso, eu...

- Como você planejou minha recuperação?

- Você ficará na casa da sua amiga Vera junto a sua mãe.

- Você não vai cuidar de mim? Você não me quer ao seu lado depois da cirurgia Andréia?

- Não é isso Luciana, será melhor pra você ficar com pessoas que você conhece há mais tempo que eu.

- Não vou ficar na casa de Vera, vou ficar com você!

- Você provavelmente não se lembrará de mim Luciana. Temo que se você acordar com uma desconhecida, sua recuperação pode demorar ainda mais.

- Se você mandou buscar minha mãe ela poderá ficar comigo em sua casa.

- Meu amor, fique tranqüila eu passarei todos os dias na casa de Vera para te ver e para que você se lembre o mais rápido possível do nosso amor. Eu não posso interferir tão diretamente assim em sua recuperação. Nesses dias que se passaram eu conversei com alguns amigos neurologistas e eles me aconselharam a esperar e me garantiram que essa sua amnésia será passageira. Acho que nós devemos confiar no nosso amor, não acha?

- Não acho, eu não quero ficar longe de você. Você pode me contar como nós nos conhecemos e como nos apaixonamos e pronto eu rapidamente me lembrarei Andréia eu juro!

- Posso pedir novamente para a senhorita confiar em mim só um pouquinho?

- Tudo bem, o que fazer, mas eu juro que eu vou me lembrar de nós logo depois dessa maldita cirurgia você vai ver.

- Será maravilhoso, não acha?

- Acho. Me dá aquele beijo?

- Dou.

Comecei a beijar Luciana com todo carinho que eu pude dar pra ela naquele momento. Ficamos na mesma posição de antes, com ela em meu colo e eu fazendo cafuné em sua cabeça.

A porta do quarto se abriu e era Juliana trazendo a injeção de tranqüilizante. Luciana protestou me olhou aflita, mas eu não pude fazer nada a não ser ver Juliana injetando o líquido em seu músculo e meia hora depois, Luciana estava dormindo em meus braços. Eu ainda fiquei por um tempo com ela daquele modo, mas resolvi deitá-la em uma posição mais confortável, então saí do quarto, fui até o jardim do andar em que estávamos e fiquei olhando a noite nublada e sabendo que a partir daquela hora iniciava a batalha pela cura de Luciana e pela reconquista do seu amor.

- Ei doutora estava te procurando!

- Oi doutor Carlos que bom que você veio meu amigo!

- Como você está minha amiga?

- Estou péssima.

- Não fique assim minha linda. Eu vim pra ficar com você viu?

- Obrigada Cacá, mas eu acho que vou ficar com Luciana hoje, apesar dela já estar sob efeito do tranqüilizante que a minha priminha prescreveu.

- Não senhora. Eu vou ficar aqui e já trouxe minha camisola de seda e meus cremes de beleza.

- Ok, eu vou gostar muito do seu colo meu amigo.

- Venha vamos ver Lu.

Fiquei junto a Luciana numa cadeira reclinável, segurando a sua mão, apesar de saber que ela não estava mais me notando, mas eu precisava deste contato, pois sabia que não o teria durante algum tempo. Mesmo sem querer, o cansaço me pegou e finalmente adormeci de mãos dadas à minha amada.

O dia amanheceu com sol desta vez. Luciana acordara antes de mim e me olhava atentamente quando acordei. Beijamos-nos imediatamente e desta vez era um beijo sofrido, como se fosse de despedida. As minhas lágrimas voltaram desta vez com força total e as de Luciana também.

- Me promete uma coisa minha doutora?

- Prometo o que quiser.

- Mesmo que eu demore me lembrar de você, vai me esperar?

- Eu vou te esperar o tempo que for preciso. Eu vou te esperar por todo o tempo do mundo se preciso for. Se você me esquecer, eu vou te reconquistar pode apostar meu amor, eu vou até onde você estiver e tomo você de volta pra mim eu juro!

- Eu te amo Andréia, eu te amo meu amor, por favor, não desista de mim.

- Nunca meu amor, nunca.



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Capitulo 33

[22/06/12]

Não se conhece verdadeiramente o amor até o encontrá-lo.

Quando os sacerdotes católicos proferem na igreja para os noivos diante do altar à frase “o que Deus uniu que homem nenhum separe”, acho que realmente eles estão se referindo ao amor como coisa indissolúvel, como o único sentimento capaz de nos tornar melhores e mais humanos e mais próximos de uma divindade que eles afirmam existir.

Naquela manhã Luciana foi operada, acordando somente no dia seguinte à cirurgia.

Como planejado, a recuperação de minha amada foi feita nos critérios recomendados pelos neurologistas e terapeutas indicados por eles. Tudo foi feito para que Luciana se curasse e finalmente depois de seis meses de tratamento Luciana recebeu alta.

Como eu prometi fui à casa de Vera durante esses longos seis meses sem falhar um único dia, mas Luciana por nem um momento se lembrara de mim. Para ela eu era apenas mais uma médica que estava cuidando de sua recuperação. Luciana me olhava com estranheza e perguntava a Vera e a sua mãe se não ficava muito dispendioso ter uma médica particular todos os dias na sua casa, segundo ela minha presença era completamente desnecessária.

Nunca desanimei da esperança de um dia ela se lembrar de mim. A promessa que fiz no hospital, com os meus lábios colados ao seu rosto cheio de lágrimas, tenho cumprindo até o momento. E já se passaram dois anos dessa história de paixão, amor e esquecimento.

Minha família mais uma vez me pede para que eu esqueça Luciana, pois ao que parece pelo menos para eles, Luciana jamais se lembrará de mim e segundo minha mãe eu me tornarei uma velha amarga, solitária e triste. A tristeza é um sentimento que me acompanha dia a dia. Solidão não, jamais se é solitária depois que se conhece o amor. As lembranças da minha curta história de amor com Luciana enchem todos os meus dias da sua presença majestosa, bela e renova as minhas esperanças de tê-la novamente ao meu lado.

Tenho sonhado repetidas vezes à hora em que Luciana entrará pela porta do meu apartamento linda e me dirá que me ama e que nunca deixou de me amar e ela perguntará se eu a esperei e eu direi que sim, que todos os momentos da minha vida, cada hora, cada segundo eu a esperei e durante todas essas horas meu amor só aumentou, não cabendo mais somente no peito, mas irradiando por todos os meus poros e células e de tudo que eu sou feita. Eu sou só amor, eu sou o único amor de Luciana, não tenho dúvidas disso, nunca terei, mesmo que Luciana nunca se lembre de mim.

Minha fundação saiu do papel de um modo prático. Subornamos Victor e ele finalmente avalizou a participação governamental de que tanto precisávamos. Minha fundação atende mulheres que precisam de tratamentos e não conseguem na rede pública.

Nosso atendimento é de extrema excelência e qualidade, mas há filas intermináveis e mesmo com o nosso grande esforço não conseguimos atender a enorme demanda que nos chegam todos os dias. Passo meus dias, cerca de doze horas trabalhando na fundação e à noite volto para meu apartamento sempre na esperança que Luciana acorde de sua amnésia e se lembre do nosso amor.

Meu irmão e meu amigo Cacá ficam deveras penalizados com a minha situação, mas já desistiram de me demover da idéia de esperar por Luciana. Vera sempre me liga e me dando notícias frescas da minha amada, que agora é uma somelier e trabalha em uma grande vinícola no sul do país como ela assim planejou durante toda a sua vida. Sei que Luciana namora uma mulher chamada Júlia, mas segundo Vera ela não a ama, está com ela para não ficar solitária. Nem essa informação me faz desistir da idéia de que Luciana voltará.

Resolvi essa semana rever meu grande amor. Irei até o sul para ficar no hotel vinícola de Isabella, que também é dona da vinícola que Luciana trabalha e gerencia. Não tenho a menor esperança que Luciana vá me reconhecer, mas só pelo fato de estar perto dela e vê-la, pra mim já bastará. Parto a semana que vem e recebi mais protestos de meus amigos e familiares, mas mesmo assim eu irei.

- Minha amiga tem certeza que quer mesmo ver Luciana acompanhada e quem sabe feliz ao lado de outra mulher, não será muito doloroso?

- Cacá eu prometi a ela que lutaria pelo nosso amor e sabia desde o início que não seria uma tarefa fácil.

- Eu sei querida, mas já se passou muito tempo e Luciana não deu nenhum sinal que irá se lembrar de você. Outra coisa será que Vera já não lhe falou da história de vocês?

- Eu pedi a Vera que não fizesse isso, mas se ela fez, mas um motivo para eu ir até Luciana e conferir todos esses hiatos.

- Tudo bem então vá, mas se ficar muito difícil volte porque eu estarei sempre aqui pronto pra te consolar.

- Eu volto meu amigo, tenha certeza disso e torça por mim certo?

- Eu sou seu fã você sabe, mas se as coisas não derem certo, ponha um ponto final nessa história Andréia, por favor, eu estou te pedindo mais uma vez.

- Vamos ver Cacá, depois eu vejo o que farei. Me leva até o aeroporto?

- Tudo bem vamos senhora teimosia.



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Capitulo 34

[26/06/12]

Quando cheguei ao aeroporto, fazia muito frio, pois era inverno. Isabella já me esperava, apesar de meus protestos em lhe dar um trabalho desnecessário. Eu e Isabella freqüentamos a mesma universidade e ficamos amigas nas festinhas que fazíamos questão de participar.

Isabella como o seu próprio nome já diz é uma bela mulher e está casada com Hugo há muito tempo. Eles se conheceram na universidade e desde lá se apaixonaram e se casaram logo após a formatura. Isabella é uma mulher forte, decidida e uma ótima administradora dos negócios da família. Conseguiu transformar uma vinícola pequena em uma grande empresa que exporta vinhos para o mundo inteiro. Construiu um hotel cinco estrelas que usa tanto para o turismo quanto para divulgar o nome de sua marca de vinhos hoje respeitada por todo o mundo.

- Doutora Andréia até que enfim você veio visitar sua velha amiga!

Abracei Isabella.

- Acho que não somos tão velhas assim! Que saudades!

- Como é bom te ver novamente minha amiga, deixa ver como você está? Linda como sempre!

- Você está deslumbrante! E Hugo como está?

- Por incrível que pareça ainda bonitão e às vezes ainda consegue me levar à loucura em todos os sentidos! (Ela disse isso sorrindo).

- Que bom te ver feliz.

- Nem tanto, mas acho que sou feliz sim minha amiga. Mas agora vamos que o tempo está cada vez mais fechado e esse nevoeiro parece que vai piorar.

Entramos no carro do hotel guiado por um motorista que segundo Isabella era experiente em dirigir nesse clima de inverno. Fomos conversando sobre nossas vidas, nossos momentos vividos na universidade e em tudo que nos transformamos até então.

- Me diga Andréia você veio pra descansar ou para farrear?

- Acho que para descansar minha amiga, esses dois últimos anos foram de muito trabalho. A estafa bateu e eu achei que seu hotel seria o lugar ideal.

- Pois acertou. Aproveite e relaxe, curta as massagens, o banho de vinho, a gatronomia, conheça toda essa região belíssima e quem sabe um grande amor não te espera aqui?

- Será que tenho tanta sorte assim?

- Claro que tem. Eu só sinto não poder ficar com você, pois tenho uma viagem marcada para um encontro de enólogos no exterior e vou apresentar nosso novo espumante fruto de anos de elaboração. Você deveria ter me avisado com antecedência da sua visita.

- Fique tranqüila. Vá ao seu evento, eu ficarei bem.

- Eu vou te apresentar a minha fiel escudeira Luciana, um amor de pessoa, um achado na minha vida, ela te mostrará tudo por aqui. Há! Ela é linda e é gay!

Meu coração quase saltou do peito. Uma taquicardia me acometeu fortemente, mas mantive a calma e brinquei.

- Não sabia que você tinha talentos de alcoviteira.

- Tenho sim. Sou responsável por muitos enlaces, mas, por favor, se algo acontecer entre vocês, não a roube de mim. Mas como eu sei que a senhora não é dada a casamentos eu vou me arriscar.

- E quando eu irei conhecer essa beldade?

- Daqui a alguns momentos. Veja o hotel está logo ali não é lindo?

Meu coração novamente entrou em taquicardia. Em alguns instantes eu finalmente iria rever meu amor.

Entramos no saguão do hotel, onde preenchi os dados para minha entrada. Eu fazia tudo automaticamente, pois meus pensamentos eram todos voltados ao momento do meu reencontro com Luciana. Finalmente preenchi as fichas.

- Venha Andréia, deixe que Antônio leve suas malas, depois você vai para o seu quarto, antes quero lhe mostrar o hotel.

Fizemos um tour pelo hotel de Isabella que era um primor. Ao final da visita fui com Isabella para o seu escritório, para provar o tal espumante e para que ela me apresentasse Luciana.

- Entre e fique à vontade Andréia.

Isabella pegou o telefone e deu a ordem para a secretária trazer a bebida e chamar Luciana. Finalmente a porta se abriu e a secretária veio com as bebidas e também minha amada.

- Luciana quero lhe apresentar minha amiga a doutora Andréia Camargo.

- Eu me virei, fiquei de pé e estendi a mão para que Luciana a tocasse.

- Muito prazer doutora Andréia. Seja bem vinda ao nosso hotel.

- Obrigada Luciana.

Luciana me olhou com surpresa. Claro que ela se lembrara de mim já que participara muito de perto de toda a sua recuperação. Luciana estava muito diferente. Os cabelos não eram mais curtos. Ela se vestia com a sobriedade que o cargo lhe exigia. Luciana me pareceu mais madura e com um ar triste ou preocupado, talvez pela minha presença ali e o que isso poderia significar. Luciana não revelou que já me conhecia, mesmo porque eu percebi que ela não revelara a Isabella a doença que lhe acometera, talvez por essa razão não disse de pronto que me conhecera no passado.

- Luciana minha amiga Andréia irá passar essa semana aqui no hotel. Eu quero que você dê atenção total a ela. Quero que lhe mostre nossa vinícola, toda a região e que qualquer pedido dela seja prontamente atendido. Posso contar com você?

- Claro Isabella será um prazer mostrar nossa linda região para a doutora Andréia.

- Obrigado Luciana, não sei o que eu faria sem você e sua competência de sempre.

Eu estava embevecida com a presença de Luciana. O mundo parou. A terra parou. Eu olhava Luciana finalmente depois de dois longos anos de afastamento total. Ela me olhava com receio e curiosidade, mas me olhava e isso que importava, nós estávamos novamente nos olhando.

- Vamos Andréia?

- Sim vamos. Luciana não fique preocupada, não vou importuná-la em seu trabalho. Ficarei honrada com sua presença, mas se não puder me acompanhar nessas visitas eu entenderei.

- Não se preocupe Doutora. Hoje teremos um jantar preparado por uma excelente chef e se você quiser participar posso lhe fazer companhia.

- Ótimo Luciana, será um bom começo. O que acha Andréia?

- Acho que vou adorar!

- Então a chamarei no seu quarto às nove horas está bem?

- Está bem. Obrigada Luciana.

- Vamos Andréia, a levarei até o seu quarto e lá você poderá descansar. Venha.



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Capitulo 35

[27/06/12]

Fiquei agitada no quarto. Já eram oito horas da noite quando comecei me arrumar para o encontro com Luciana. Apesar da minha expectativa, pensei que Luciana poderia estar acompanhada de sua namorada o que seria muito normal. Desarrumei minha mala e escolhi um vestido preto e me acentuavam as curvas do corpo. Luciana pontualmente às nove horas me chamou pelo telefone e eu desci.

Luciana estava linda em um vestido de um tom pastel, mas que ascendia-lhe a cor da pele. Eu a olhei com desejo, não pude evitar. Ela ficou um pouco sem graça, mas não disse nada a respeito de meu olhar guloso. Como eu precisava beijar aqueles lábios, mas me controlei.

- Está muito elegante doutora!

- Você está linda Luciana! Será um prazer ter a sua companhia para esse jantar.

- Obrigada doutora. Vamos?

Ela me encaminhou a uma mesa que ficava perto de uma enorme janela que mostrava ao fundo um jardim iluminado.

- Essas plantas não as conheço o que são?

- São troncos de videiras antigas que não frutificam mais. Nosso jardineiro as iluminou e deu-lhes esse efeito interessante.

- Ficou realmente especial.

- Doutora, não sabia que a senhora conhecia Isabella.

- Nos conhecemos quando freqüentávamos a universidade.

- A senhora lhe falou como nos conhecemos doutora?

- Primeiro, meu nome é Andréia, depois, não contei nada, mesmo porque esse assunto para mim é um segredo de profissão.

- Desculpe Andréia. Eu não achei necessário falar sobre minha doença para Isabella já que os médicos me declararam curada.

- Você está curada Luciana e o que você revela sobre sua vida é uma decisão que lhe cabe e mais ninguém. Você está mudada Luciana.

- Você também doutora.

- Em que aspecto Luciana?

- Está mais magra talvez.

- Acho que tenho trabalhado bastante. Estou um pouco cansada, por isso depois de dois anos resolvi descansar por uns dias.

- Eu lhe peço desculpas por nunca ter te agradecido pelo meu tratamento e minha recuperação. Muito obrigada doutora.

- Não há nada que agradecer Luciana.

- A gente já se conhecia não é doutora?

- Sim Luciana, nós nos conhecíamos antes da sua cirurgia, mas você não se lembra não é verdade?

- Eu tento buscar na memória o momento que nos conhecemos, mas não consigo e isso me aflige.

- Porque Luciana isso te incomoda?

- Porque eu sei que foi importante, mas eu não consigo me lembrar entende?

- Por que você acha que nosso encontro foi importante?

- Não sei doutora, eu sinto que foi importante. Toda vez que eu toco no seu nome, Vera fica com um olhar de expectativa, minha mãe a mesma coisa. Fale-me doutora o que aconteceu de verdade antes da minha cirurgia entre nós, eu preciso saber.

- Não fique aflita Luciana essas memórias irão voltar e você irá se lembrar de tudo.

- Nós fomos amantes, não é doutora? Porque se fôssemos apenas boas amigas todos já tinham me falado, mas todas as vezes que pergunto sobre você ninguém tem coragem de me dizer qualquer coisa que seja. Fale-me doutora Andréia fomos ou não amantes?

Eu não tinha como fugir. Luciana esperava ansiosamente por minha resposta e eu não podia mentir-lhe, não era justo nem pra ela e nem pra mim.

- Luciana, nos conhecemos em um site de relacionamentos. Tivemos um encontro em um restaurante, pois eu queria te conhecer pessoalmente. Depois fomos pra minha casa e lá nos amamos pela primeira vez. Depois de dois meses nos reencontramos e novamente nos amamos. Você foi passar o revellion daquele ano em um hotel numa ilha e lá você entrou em crise, teve uma forte convulsão e teve que ser operada. O resto da história acho que você se lembra.

- Eu sabia que tínhamos sido amantes!

- Não estou te cobrando nada Luciana. Pra falar a verdade, sei que você está namorando e fico muito feliz que esteja bem e fazendo o que você sempre sonhou. Fique tranqüila eu sei que era essa a vida que você sempre quis.

- Desculpe doutora, mas eu não posso lhe dar nenhuma esperança quanto a uma possível volta. Você tem a sua vida muito longe da minha e eu realmente não consigo imaginar que nós pudéssemos ter tido um caso algum dia. Somos muito diferentes uma da outra.

- Por incrível que pareça Luciana e embora você não se lembre você já me disse isso antes.

- Você veio aqui por minha causa doutora?

- Não Luciana. Vamos pedir o jantar, pois confesso que estou faminta.

- Claro. Desculpe. Pediremos então.

Depois do jantar pedi a Luciana que me acompanhasse até um terraço que ficava acima do jardim iluminado. Estava muito frio, mas eu disse a ela que queria fumar. Chegamos ao terraço, sentei em um banco e fiquei olhando a paisagem fria e iluminada.

- Se você quiser ir Luciana, fique à vontade, pois já está tarde e eu acho que você deve ter trabalho a fazer amanhã.

- Como era entre nós Andréia?

- Era bom Luciana, muito bom eu diria que era especial.

- Você tem namorada?

- Não Luciana. Na verdade você foi uma das poucas pessoas que eu pretendi namorar, mas não tivemos tempo para que isso acontecesse.

- Você tem saído com alguém? Quero dizer... Você refez suas relações sejam elas como forem?

- Não pretendo discutir isso com você Luciana e se me der licença eu vou para o meu quarto. Acho que estou cansada.

- Desculpe doutora, quer que eu a acompanhe?

- Será um prazer, sua companhia é sempre especial Luciana.

Luciana ficou sem graça, mas não podia mais desistir do seu oferecimento. Subimos no elevador em silêncio, mas eu a olhava diretamente. No andar que eu estava, demorei para achar o cartão que abria a porta na minha bolsa. Confesso que estava um pouco embriagada com o álcool e com Luciana tão próxima a mim. Abri a porta, convidei Luciana para entrar e ela recusou então nos olhamos, a beijei no rosto, entrei no meu quarto e Luciana se foi. Eu estava tirando minha roupa, quando o telefone tocou. Atendi.

- Pois não?

- Sou eu doutora, Luciana.

- Sim Luciana o que quer?

- Amanhã nossa programação será a partir das nove horas da manhã. Se quiser a esperarei no salão para tomarmos café e seguir.

- Certo, estarei lá. Até amanhã e tenha uma ótima noite.

- Obrigada doutora.

De alguma forma, despertei o interesse em Luciana, não saberia dizer se era curiosidade ou atração que Luciana estava sentindo por mim, mas eu pretendia descobrir. Estava realmente muito cansada. Joguei-me na cama e adormeci.



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Capitulo 36

[29/06/12]

Despertei com o telefone tocando e o sol batendo em meu rosto. Olhei o relógio e já eram nove horas. Atendi e era a voz do meu amor. Meu peito se aqueceu na hora.

- Doutora?

- Sim quem é?

- Luciana Doutora, combinamos de nos encontrarmos as nove lembra?

- Sim Luciana, lembro. Desço em meia hora sim?

- Estou te esperando no salão do restaurante.

- Tudo bem.

Luciana estava numa mesa, lendo um jornal e tomando uma xícara de café com leite. Ela estava usando um jeans e um pulôver colorido e botas. Seus cabelos agora longos estavam debaixo de uma touca de lã igualmente colorida como sua blusa. Ela estava linda, muito linda.

- Bom dia Luciana!

- Bom dia doutora dormiu bem?

- Muito bem e você?

- Não muito, mas vamos ao que interessa. Hoje faremos um passeio pela a serra e lhe mostrarei as vindimas. Nesta época do ano, elas perdem todas as folhas, mas mesmo assim ainda são bonitas de se ver. A paisagem se torna uma grande instalação de estacas simetricamente plantadas. Acho que vai gostar.

- Tenho certeza que vou. Deixe-me terminar esse delicioso café da manhã e iremos.

Meu celular tocou. Era Cacá. Levantei-me da mesa, me afastei de Luciana para conversar com meu amigo.

- Oi doutor Carlos Alberto! A que devo a honra?

- Quero saber como está o clima, mas pela voz saquei que deve estar muito bom, acertei?

- Em cheio. Agora e nesse momento estou com Luciana tomando café da manhã, gostou?

- Adorei! Aplausos, assobios e fogos! Você trate de trazer essa mulher nem que seja pelos cabelos ouviu?

- Acho que não chego a tanto, mas ontem eu notei certo ar de romance. Quem sabe, mesmo que ela não se lembre de mim, talvez ela se apaixone novamente por essa humilde médica solitária.

- Não se esquece o amor Andréia. Cirurgia alguma fará Luciana deixar de te amar. Mas vá com calma e não assuste a presa sim?

- Pode deixar e torça por mim doutor. Ah! Dê um beijo no gato do meu irmão por mim viu?

- A toda hora. Beijos.

Desliguei o telefone e olhei discretamente para Luciana e notei que ela me olhava diretamente. Cheguei até a mesa e a olhei nos olhos.

- Vamos Luciana?

- Sim vamos.

Entramos em uma baia e Luciana me ofereceu botas de montaria.

- Você gosta de cavalgar doutora?

- Não. Pra falar a verdade, não sei. – Menti.

- Então venha comigo, vamos em uma sela dupla. Não se preocupe, pois não vamos tão longe. O animal nos ajudará apenas na subida. Se quiser na volta, podemos vir a pé.

- Certo você manda.

Claro que eu sabia montar, mas eu queria ir junto ao corpo de minha amada, por isso menti descaradamente para que isso acontecesse. Luciana subiu no cavalo e me deu a mão para que eu subisse também. Ela me deu permissão para segurar em sua cintura e eu prontamente atendi sua ordem. Ela foi me mostrando à paisagem, me dando aulas sobre os tipos de uvas, o solo e eu confesso que nem estava interessada. O que realmente queria era estar grudada à sua cintura e com a cabeça pousada em suas costas. Eu estava excitada, meu corpo tremia de tanto tesão, mas eu tentava me controlar a todo custo, mas essa tarefa a cada hora se tornava quase impossível.

- Vamos parar aqui e descer um pouco doutora.

- Claro Luciana. Me ajuda a descer?

Ela desceu primeiro e me trouxe com ela depois. Ficamos de frente e com as mãos dela agora em minha cintura. Nos olhamos de frente e eu tive arrepios da cabeça aos pés. Ela ainda me olhando e com as mãos na minha cintura falou:

- Acho que você está com frio doutora.

Eu me afastei dela e sentei em uma pedra.

- Como é o nome desse lugar Luciana?

- Serra dos amantes.

- Jura? Que interessante! Por que esse nome?

- Dizem que um casal de imigrantes plantou as primeiras videiras aqui e aqui ficaram até a que a morte os levasse. Contam aqui na região que eles se amavam muito e dizem que após a morte dos dois, as videiras se espalharam por toda a região e que isso aconteceu por serem as uvas o fruto do amor dos dois, então a serra ficou com esse nome em homenagem a eles. Aqui nessa região recebemos muitos casais em lua de mel, e esse passeio é quase obrigatório, pela história e pela beleza da paisagem.

- Adorei! Você já trouxe sua namorada aqui Luciana?

- Não nunca estivemos juntas aqui.

- Estranho. Deve ser um ótimo passeio para pessoas apaixonadas. O que ela faz? É somelier como você?

- Não ela é médica como você.

Eu sorri.

- Qual é a especialidade dela?

- Ela é endocrinologista e trabalha em um hospital público aqui da cidade.

- Certo. Você a ama? Tem Planos de se casarem e vir em lua de mel para a serra dos amantes?

- Estamos juntas há pouco tempo. Não fizemos planos.

- Tudo bem. Podemos ir?

- Por que quer saber sobre Júlia?

- Apenas curiosidade. Perdoe-me, mas acho que você não a ama.

- Por que você acha isso?

- Se a amasse teria me dito, mas como não disse então acho que não a ama.

- E você está pelo menos interessada na pessoa que te ligou hoje pela manhã?

Luciana ficou com ciúmes do telefonema que recebi? Será que era isso que eu estava ouvindo?

- Por que você acha que alguma mulher me ligou essa manhã?

- Você ficou deveras alegre!

- Vamos Luciana, realmente estou com frio.

- Por que você não quer me responder!

- Por que eu devo?

- Porque é educado responder as pessoas que lhe fazem perguntas.

- Ok. Digamos que eu conheço essa pessoa há muito tempo, então toda vez que ela me liga eu fico muito contente, principalmente em saber que ela gosta e se preocupa comigo.

- Você conhecia essa pessoa, quando nos conhecemos?

- Sim.

- Você está me dizendo que ficava comigo e com ela? É isso?

- Não disse isso. Agora vamos?

- Você realmente não tem nada haver comigo doutora. Somos muito diferentes mesmo.

- Luciana, podemos ir?

- Sim devemos ir.

Luciana estava irritada. Subiu no cavalo sem me perguntar se eu queria ir a pé. Eu não queria. Queria ir grudada em Luciana. O vento estava forte e gelado, então eu segurei novamente em sua cintura e fiquei encolhida em suas costas. Luciana voltou sem dizer uma palavra e eu também não falei nada. Chegamos ao hotel, ela me levou para o lugar onde tínhamos partido onde troquei as botas de montaria pelas minhas.

- Doutora, hoje à tarde não poderei ficar com você. Passo à noite para levá-la para jantar tudo bem?

- Sim Luciana. Eu ficarei te aguardando. Onde vamos jantar?

- Na cidade. Gosta de comida Italiana?

- Muito. Até a noite Luciana.

- Até a noite doutora.



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Capitulo 37

[02/07/12]

Não sei por que, mas aquela mulher estava me irritando demais. Eu não acreditei quando ela quase confessou que ficava com sua amante e comigo ao mesmo tempo. Como eu pude ter tido alguma coisa com esse tipo de pessoa? Eu realmente deveria estar muito louca de paixão por ela para aceitar isso ou então ela não me revelara a tal amante e só o fez hoje. Ainda bem que eu a esqueci completamente. Se eu me lembrasse dela, provavelmente teria seguido com esse falso romance. Detesto pessoas promíscuas. Detesto pessoas ambíguas. E Júlia o que não me liga. Droga! Peguei o telefone e disquei para ela.

- Júlia? Tudo bem?

- Oi linda! Tudo. Como está no papel de guia turística?

- Normal. Júlia essa semana terei me dedicar à maior parte do meu tempo a doutora, eu te disse.

- Tudo bem morena. Eu entendo. Quando sua patroa chegar, na sexta, nos encontramos tudo bem?

- Sim. Eu passo na sua casa e podemos ir jantar o que acha?

- Lu, vamos no barzinho com a turma e depois na boate o que acha?

- Júlia, quero ficar com você!

- Sábado a gente fica e faz o que você quiser ok?

- Tudo bem Júlia. Sexta eu te ligo. Beijos.

Júlia tinha essa mania de querer sempre estar em baladas e com aquele bando de sapatas que eu particularmente detestava. Mas fazer o quê. Eu ia ficar no hotel durante toda a semana sendo babá da doutora então tinha que fazer um mimo para Júlia.

Júlia era uma mulher interessante, mas estava longe de ser um grande amor. Eu não conseguia amá-la assim como decretou a doutora. Eu não conseguia ultimamente nem ter tesão por ela. Talvez devesse dar um ponto final no nosso relacionamento, mas de alguma forma era bom estar com ela e como disse a doutora ainda a pouco, com alguém que gosta e se preocupa comigo, o que no caso de Júlia, não se preocupava lá muito comigo. Mas isso eu resolveria mais tarde. Eu tinha muito trabalho àquela tarde e o faria sem pensar em Júlia ou em Andréia.

A noite chegou e eu me apressei em ir para o meu quarto e me arrumar para o encontro com a minha mais nova ex-amante. Ela me deixava confusa. Às vezes me olhava com paixão, mas logo desistia e mudava o olhar para alguma coisa incompreensível para mim. Eu confesso que ela é uma mulher bonita, inteligente e desejável. Acho que o que se passou entre nós foi apenas sexo, já que nos conhecemos pela internet. Acho que nós ficamos algumas vezes e como ela é médica, resolveu fazer uma boa ação e cuidou de minha recuperação depois da cirurgia. Por isso que eu estou com todo esse cuidado com ela. De alguma forma eu tenho uma dívida enorme com essa intrigante mulher.

Quando cheguei ao saguão, Andréia estava sentada em uma poltrona, com um notebook no colo e me parecia estar muito concentrada. Olhei aquela cena e de alguma forma me pareceu que eu já havia vivido essa mesma situação. Fiquei olhando-a por um tempo, mas ela se levantou e veio até onde eu estava.

- Boa noite Luciana. Como sempre você está linda

- Boa noite doutora, você sempre elegante. Vamos?

- Vamos. Não sei se é o inverno, mas ando sempre faminta.

- Deve ser os ares da serra.

Fui dirigindo até a cidade que ficava a mais ou menos uns vinte minutos do hotel. Dei uma volta na cidade que estava animada por causa das férias. Mostrei os pontos de agito, casas noturnas e restaurantes pitorescos da cidade. Finalmente parei em frente ao restaurante que íamos jantar. Era bem sofisticado, digno da doutora Andréia toda poderosa. Esse pensamento me levou por um instante a um lugar no passado. Eu tinha certeza que já tinha tido essa sensação a respeito de Andréia.

- Algum problema Luciana?

- Ham? Não vamos entrar.

Entramos no restaurante e o metre nos levou até a mesa reservada.

- Lindo lugar Luciana. Você realmente é uma ótima guia para uma turista como eu.

- Por que como você?

- Sinto que você está se esforçando para me agradar, mas acho que preferiria talvez estar com a sua namorada. Então tenho que ficar-lhe agradecida pelo seu esforço em me aturar por esses dias.

- Não é sacrifício algum e estou aqui com você porque quero estar. De algum modo isso é importante para mim Andréia.

- Por que é importante Luciana?

- Eu quero recuperar minhas memórias doutora e você poderia me dizer mais sobre elas do que disse até agora.

- Eu vou dizer Luciana, mas antes peça o vinho para nós sim?

- Você tem alguma preferência?

- Tenho. Que tal um vinho italiano?

- Um Brunello di Montalcino?

Andréia me olhou com estranheza, me pediu licença para ir até o toalete. Eu fiquei sem saber se pedia ou não o vinho. Pedi.

- Não gostou da escolha doutora?

- Um vinho especial para uma ocasião especial como essa Luciana.

Eu a olhei e novamente pensei que já havia vivido aquela ocasião, então por segundos vi Andréia noutro lugar, com outra roupa, levantando uma taça de vinho e sorrindo pra mim. Novamente a imagem se apagou e olhei novamente para Andréia que esperava por minha resposta ou comentário.

- É... O Brunello é um clássico. Mas você parece desanimada doutora.

- Você lembrou não é Luciana?

- Do que você está falando doutora?

- Do vinho que eu te ofereci naquele dia no meu apartamento, você lembrou?

- Tenho tido alguns fleches de memórias perdidas, eu acho que já vivi esta situação com você, mas nessas memórias não há uma história com começo, meio e fim apenas coisas que se acendem e logo vão embora. O que tem esse vinho?

- Nós tomamos esse vinho na primeira noite que nós...

- Transamos?

- Nos amamos.

- Acho bem difícil ter tido tal sentimento por você.

- E por quê?

- Você não é dada a relacionamentos pelo que entendi hoje.

- Não havia ninguém comigo quando te conheci. Não havia nada dúbio, nada escuso, nem um tipo de traição, nenhum outro relacionamento. Quem me ligou hoje pela manhã foi meu amigo Cacá, que você conhecia e que também gostava muito dele. Cacá como eu te falei é uma pessoa que gosta e me protege muito e eu o adoro, é meu cunhado querido que está casado com meu irmão há dez anos. É isso.

- Como era pra você?

- O quê Luciana?

- Seus sentimentos? O que você sentia por mim Andréia?

- Acho que essa resposta não mudará nada entre nós agora Luciana. Você está apenas curiosa sobre o passado. O que te interessa são os fatos que ocorreram antes da cirurgia. Esse tipo de pergunta não é realmente relevante agora.

O garçom se aproximou trazendo o couver e Andréia começou a se servir.

- Vocês farão o pedido agora?

Andréia me olhou diretamente nos olhos e me deixou completamente excitada. Ela desviou o olhar.

- Daqui um pouco. Obrigada.

- Não vai me dizer?

- Eu te amava. Amava-te como nunca amei ninguém, te amava com uma força incrível. Acho que nunca amei uma pessoa tanto quanto você e em tão pouco tempo. Como eu te disse Luciana essa resposta não poderá mudar nada neste momento.

Eu olhava para Andréia com uma admiração, com uma vontade de não ter esquecido aquele sentimento, até que eu me vi em uma cama de hospital com ela ao meu lado e chorando, eu e ela, mas porque nós chorávamos? Por quê? Pedi licença e fui ao banheiro.

Olhei-me no espelho e me vi novamente no hospital olhando nos olhos de Andréia e ela me falando palavras que eu não conseguia ouvir, eu estava perturbada com a presença dela. Minha vida estava calma e ela chegou para bagunçar tudo. Droga! Acalmei-me e votei à mesa.

- Desculpe Andréia.

- Vamos pedir Luciana?

- Sim Vamos.

O garçom trouxe o cardápio, mas as letras dançavam e eu não consegui ler nada. Pensava apenas nas palavras da doutora Andréia e nesta hora eu a vi novamente, mas em meu apartamento. Estávamos sentadas no sofá quando ela começou a me despir devagar e olhando nos meus olhos como ela acabara de fazer.

- Luciana, posso te pedir uma coisa?

- Ham?

- Quero te pedir algo, posso?

- Sim claro.

- Eu sei que você está muito curiosa sobre o passado e eu acho que você tem razão para estar, mas eu gostaria que agora nós esquecêssemos um pouco o passado e que você me contasse um pouco da sua vida, do seu presente. O que Acha?

- Tudo bem doutora o que quer saber?

- Me conte como foi vir para cá, como se tornou gerente dessa incrível vinícola e neste belo lugar. Pode me contar?

- Claro que sim Andréia.

Meu peito estava apertado. Comecei a contar tudo que me acontecera até então e quando me dei conta, já tínhamos terminado o jantar e tomado todo o vinho. Andréia me olhava atenta a todos os detalhes que eu ia lhe falando, então ficou tarde e decidimos voltar para o hotel.

- Chegamos doutora, mas foi uma imprudência minha vir dirigindo depois de beber todo aquele vinho.

- Me acompanha até o quarto?

- Claro doutora.

Subimos até o andar de Andréia. Ela mais uma vez teve dificuldades de encontrar o cartão chave na sua bolsa. Depois que ela o encontrou e abriu à porta eu fiquei com uma sensação de perda enorme e inexplicável.

- Pronto está segura agora.

- Não Luciana, não estou, mas devo ir.

Andréia me olhou diretamente nos olhos como fazia repetidas vezes. Ela foi se aproximando, enlaçou-me pela cintura, me puxou até ela e me beijou.



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Capitulo 38

[04/07/12]

Eu queria aquele beijo, precisava dele, mas sabia que não era prudente beijar Luciana naquele momento. Beijei-a com todo amor que eu guardara durante aqueles dois longos anos. Eu a beijei com carinho, mas que depois foi se transformando em um desejo quase que incontrolável. Minha língua buscava a dela em uma busca frenética. Luciana se entregava totalmente como fizera todas as vezes que eu a beijei. De repente ela se afastou me olhou nos olhos com um olhar perdido e me disse:

- Acho que não é uma boa idéia doutora.

- Luciana, por favor, não vá!

- Tenho que ir Andréia.

Luciana se afastou caminhou até o elevador, tocou várias vezes botão, mas o elevador não chegava. Eu havia desistido, mas de repente uma vontade tomou conta de mim, fui até ela, olhei-a nos olhos, peguei sua mão e sustentei o olhar.

- Vem Luciana, eu preciso de você.

Luciana me olhou, olhou minha mão na sua e o elevador chegou. Ela olhou o elevador, não entrou e ele se foi. Conduzi Luciana pela mão até o meu quarto, fechei a porta e a puxei novamente para meus braços e junto ao meu corpo.

- Você não se lembra de mim, mas não negue, o que você sente por mim não se apagou.

A beijei novamente, agora com um beijo molhado como eu sempre a beijara. Luciana gemeu e eu comecei a beijar-lhe o pescoço, fui descendo pelo colo e a despindo até alcançar os mamilos tesos e prontos para ser sugados, chupados acariciados de tanto tesão que naquele momento eu sentia. Luciana colocou a mão em meu peito tentando se afastar, mas eu a apertei mais ainda e com as mãos em suas costas desci o zíper do vestido que ela usava e a deixei quase nua em meus braços.

- Não Andréia, nós não podemos...

- Luciana o passado não existe agora, só eu e você, deixa eu te amar hoje, somente hoje.

Novamente eu a beijei, finalmente a despi e olhei para o seu corpo nu. Luciana continuava linda e uma enorme vontade de possuí-la tomou conta de todas as minhas entranhas. Fui levando Luciana até a cama. Deitei-a e comecei a beijar-lhe todo o corpo, todas as curvas, as dobras, tudo que eu conseguia tatear com a língua, com beijos, com leves mordidas. Eu me deitei sobre Luciana para finalmente sentir todo o seu corpo junto ao meu. Luciana estava com a respiração alterada. Ela sentou-se na cama para me olhar. Eu comecei a tirar minha roupa lentamente como se me exibindo para ela num striper sensual. Eu me enfiei entre as suas pernas as abrindo e a deixando totalmente exposta para mim. Cheguei novamente junto ao seu rosto e olhando bem pra ela, comecei explorar sua buceta, molhada e quente.

- Como você está molhada pra mim minha linda, como eu gosto de te sentir assim pra mim...

- Ah...Andréia, eu te quero...Eu quero que você me...Ah!

- Diz o que você quer, diz minha linda, quer que eu te coma? Quer?

- Sim quero, vem!

Estava massageando o clitóris de Luciana, mas quando ela falou comecei a introduzir dois dedos na sua vagina completamente molhada. Fui fazendo movimentos de vai e vem hora mais lentos e depois mais rápidos. Eu olhava Luciana que gemia. Eu introduzi mais um dedo, ela gemeu mais alto e eu fui a comendo e adorando ver seu rosto repleto de prazer. Tirei meus dedos dela e fui descendo até sua buceta para chupá-la. Eu sugava seu clitóris, passava minha língua na sua buceta, no anus e ela se contorcia. Eu a virei para penetrá-la por trás.

- Não Andréia, assim não, por favor...

Eu lambia sua bunda, sua vagina e introduzi meus dedos novamente em sua vagina. Deitei nas suas costas, comecei a beijar-lhe o pescoço e falava indecências em seu ouvido.

- Dá pra mim Luciana, eu te quero toda pra mim.

Fui introduzindo o dedo no seu anus. Luciana tentou se afastar, mas eu a puxei mais para mim. Fazia movimentos dentro de sua linda bundinha e penetrei também sua vagina.

- Rebola pra mim, vai Luciana rebola.

Ela rebolava, eu a penetrava e ela gemia.

- Goza pra mim minha linda, goza eu quero te ver gozando gostoso.

Luciana rebolava, gemia, gritava e ela gozou, linda, sensual, pura e perfeita.

Ela caiu na cama de bruços. Eu estava com os dedos ainda dentro dela e me deitara em suas costas.

- Ai Andréia... Eu quero que... Tira, vai?

- Você está tão apertadinha meu amor, me deixa ficar só mais um instante dentro de você, deixa?

Luciana deixou. Depois de algum tempo, tirei meus dedos de dentro dela e beijei-a longamente. Fiquei olhando ela se recuperar do gozo. Ela finalmente olhou pra mim.

- Não devíamos ter feito isso Andréia.

- Por quê Luciana?

- Eu traí minha namorada.

- Você não a ama.

- Você não sabe, eu gosto dela e...

- Gostar não é amar e você também não gosta dela.

- Eu fui fraca, mas eu gosto sim muito dela, eu apenas me deixei levar pelo impulso eu...

Olhei para Luciana que naquele momento tentava representar um papel medíocre de mulher arrependida. Eu fiquei irritada, levantei da cama, peguei um cigarro e fui fumar na varanda. Luciana depois de um tempo veio ao meu encontro e me vestiu com um roupão.

- Você quer ficar doente doutora? Está muito frio aqui.

- É está.

- Vem Andréia, vamos conversar?

- Tudo bem.

Sentei numa poltrona e Luciana em frente a mim na cama.

- Eu não sei o que dizer, eu peço desculpas. Perdoe-me.

- Quero que durma comigo hoje Luciana, amanhã prometo que não vou mais procurá-la. Se você me quiser terá que me procurar, se não, garanto a você que jamais voltarei a importuná-la.

- Andréia eu não posso dormir aqui, eu sou gerente desse hotel não posso dormir com uma hóspede!

- Você pode sim. Seja discreta quando sair, só isso.

Eu a olhei nos olhos e ela cedeu ao meu pedido fazendo um gesto de positivo com a cabeça. Entrei no banheiro, tomei um banho rápido e deitei na cama. Luciana fez o mesmo e deitou ao meu lado, mas distante. Eu a puxei para junto do meu corpo. Abracei Luciana que tentou se afastar, mas eu não permiti. Eu me agarrei a Luciana, porque no fundo eu sabia que talvez fosse à última vez que a teria em meus braços. Pelo tom de seu arrependimento eu sabia que ela iria se afastar de vez. Dormimos grudada uma a outra.



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Capitulo 39

[06/07/12]

O Sol da manhã me despertou. Luciana não estava mais ao meu lado como eu já previa. Fui me levantando com certa dificuldade. Eu não queria ficar mais ali sem Luciana, mas teria que cumprir minha promessa. Eu tentei ficar com ela, mesmo sabendo que ela nunca se lembraria de mim. Eu tentei conquistá-la, mas depois do aconteceu ontem, eu não conseguiria exercer um papel tão medíocre sendo a outra na vida de Luciana. Claro que eu sabia que ela não gostava da tal Júlia, mas eu não a queria assim dividida e confusa.

Luciana estava com medo do meu amor. Ela estava apavorada tendo que encarar uma mulher completamente apaixonada por ela. O peso do meu amor era insustentável pra ela. Eu não poderia jamais pedir isso a ela. Ela não se lembrava de nada, ela não estava apaixonada nem por mim e nem por Júlia. Claro que minha presença bagunçou seu mundo perfeito. Tudo que ela sempre sonhara estava ali naquele lugar. Luciana estava vivendo o seu sonho dourado e eu poderia representar o perigo que ela tivesse que optar entre sua vida profissional ou sentimental e com Júlia ela não teria nunca que optar talvez apenas deixá-la porque ela não a amava.

Levantei, fui ao banheiro, tomei meu banho e fui arrumando minhas malas. Pedi o café da manhã no quarto e depois pedi que fechassem minha conta. Partiria ao meio dia. Sentei diante do meu computador e comecei a escrever uma carta de despedida para Luciana.

“Para você Luciana, meu grande amor!”

Eu te amo e tentei vir te buscar como prometi a você no hospital naquela manhã antes da cirurgia, mas acho que você não lembra por isso vou te contar.

Antes dessa maldita cirurgia que te arrancou tão abruptamente da minha vida eu te fiz uma promessa: - Eu iria sempre te esperar, mesmo que demorasse muito tempo e de que eu viria te buscar onde você estivesse e que iria fazer com que você se apaixonasse novamente por mim.

Eu tentei te esperar e tentei fazer com que você me quisesse, mas a vida está teimando em te levar por caminhos distantes dos meus não é verdade?

Eu não tenho o direito de bagunçar a sua vida. Eu não acho justo te pedir para que você me ame tanto quanto eu te amo, pois o meu amor pode acabar te sufocando. O meu amor é o mar, é imensurável, é o universo, mas é o meu universo e não o seu.

Ontem eu fiquei me vigiando para não pronunciar a palavra amor, porque por mais que você duvide, o que nós fizemos sempre que nos encontramos no passado fora o mais belo e puro amor.

Desde sua cirurgia eu espero ansiosamente o dia que você se lembrará de nós e de como nós gostaríamos de ter tido tempo para fazer nossos planos de construir nossa família, de termos as nossas vidas juntas e felizes.

Não precisa ficar com medo de mim meu grande amor, eu nunca te faria nenhum mal, nunca!

Eu sou apenas uma mulher apaixonada por você que está tentando te levar para um lugar especial. Nesse lugar nós nos amaríamos todos os dias e plantaríamos quantas videiras você quisesse e você faria o melhor vinho do mundo. Nesse lugar nossa paixão não teria limites e nós seríamos imortais assim como os amantes da sua linda serra. Nesse lugar eu nunca te deixaria só e você sempre me daria o seu colo para que eu pudesse descansar. Nesse lugar a felicidade seria corriqueira e o tempo iria parar a todo o momento quando estivéssemos juntas. Nesse lugar meu amor, todos seriam ricos e a doença e a miséria não seriam conhecidas. Nesse lugar eu te daria um filho, dois, três quantos você assim o desejasse. Nesse lugar eu construiria uma catedral, um monumento a você porque você é e será o meu único e grande amor!

Adeus Luciana, meu grande amor!

Seja muito, muito feliz!

Desci até o saguão pronta para deixar o hotel. Já passava um pouco das onze horas e meu vôo sairia às três horas da tarde, então teria que me apressar até o aeroporto. Pedi para que o concierge imprimisse minha carta, ele o fez e me deu um envelope. Eu lacrei a carta, enderecei-a para Luciana e fui para o aeroporto, me afastar definitivamente dela e voltar para minha vida de sempre.

No caminho para o aeroporto fui olhando a paisagem fria, apesar de ensolarada. As videiras formavam uma imensa instalação com os galhos fincados na terra, formando vês e apontados para captar a luz solar. Era realmente uma linda paisagem, como me falara Luciana. Eu estava triste, mas a vida teria que seguir seu curso normal.

Cheguei ao meu apartamento às oito horas da noite, muito mais cansada do que partira. Pedi a Maria que me fizesse um sanduiche comi sem muita fome, tomei um longo banho, sempre me lembrando de Luciana nua em meus braços. Saí do banho, tomei um calmante e finalmente dormi.

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Trabalhei o dia todo, sem ao menos almoçar. Lembrava o tempo todo da noite que tivera com Andréia. Ela era uma bela mulher e uma amante incrível ou eu estava muito carente e achei-a incrível. Eu não poderia ter cedido tão facilmente, o que ela deveria estar pensando de mim agora? Mesmo não se lembrando do nosso romance eu me entreguei facilmente a ela.

Mas isso não era a maior complicação. Eu lhe dei esperanças, traí minha namorada e não sabia o que falaria para ela hoje. Gostaria de não vê-la mais, de apagar àquela deliciosa noite do mundo real, mas eu tinha me comprometido com Isabella em dar-lhe toda atenção. Eu me sentia como uma menina que acabara de fazer uma travessura e que meus pais iriam descobrir e me castigar.

Eu realmente gostaria muito de fugir daquela situação embaraçosa em que eu me encontrava, mas no mundo dos adultos temos que enfrentar a realidade e resolver os problemas. Bem já que eu era uma adulta, teria que conversar com a doutora e afirmar que aquela noite não se repetiria. E quanto à Júlia, a encontraria na sexta e terminaria tudo com ela. Eu não teria mais como negar que nosso breve romance fora um erro, pois o que eu estava querendo pra mim era um lindo e verdadeiro amor, era isso que eu estava buscando.

Saí da vinícola às oito horas, fui andando para o hotel e eu estava muito cansada e triste pelo o fato de não estar apaixonada por Andréia e de ter que terminar tudo com Júlia. Eu estava cansada, pois havia dormido muito pouco a noite passada, mas jantaria com a doutora e conversaria com ela.

- Dona Luciana?

- Sim Roberto o que foi algum problema?

- Não dona Luciana. A doutora Andréia deixou um envelope para senhora.

- Envelope pra mim?

- Acho que é uma carta. Ela fechou a conta hoje e me pediu que entregasse essa carta para senhora e aqui está.

- A doutora Andréia foi embora Roberto?

- Sim senhora.

- A que horas?

- Ao meio dia.

Uma sensação de perda me assolou na hora. Eu não queria que Andréia tivesse partido, eu queria conversar com ela, era importante para mim. Eu fiquei por um momento olhando o envelope que Andréia deixara e tentava raciocinar sobre o que eu faria com a partida dela.

- Roberto, por favor, me dê à ficha de entrada da doutora Andréia sim?

- Pois não, está aqui.

Roberto me deu a ficha preenchida por Andréia, eu a peguei e subi para o meu quarto.

Na ficha de entrada da doutora Andréia estava registrado seu endereço e telefone. Eu pensei em ligar pra ela, mas eu estava muito cansada e com muita fome. Olhei o cardápio do restaurante do hotel, pedi um sanduiche e fui tomar um banho. No banho me lembrei de Andréia e da nossa noite se sexo. Tentei me lembrar dela e do nosso romance, mas não consegui. Estava realmente muito cansada. Lembrei da carta e decidi que iria deixar tudo para o dia seguinte. Primeiro iria ler a carta, depois telefonaria para ela. Saí do banho, a camareira trouxe o sanduiche, eu comi, deitei na cama, liguei a televisão num volume mínimo e dormi.

Andréia abriu a porta do quarto, eu me assustei, pois sabia que ela tinha ido embora. Será que Roberto se confundiu? Será que ele a confundiu com outra hóspede? O fato era que Andréia pegou a minha mão e saiu me puxando para fora do quarto e eu não tentava impedi-la.

Eu estava de camisola e íamos caminhando pelo corredor do hotel. Ela abriu uma porta e me fez entrar. Quando eu entrei, já não era mais o hotel, era um restaurante onde eu estava sentada numa mesa e aguardando ansiosamente, mas por quem eu aguardava?

Andréia entrou, linda, vestida em um terno púrpura e chegou à mesa onde eu a esperava. Eu sorri para ela e ela se sentou. Brindamos o jantar com vinho e depois ela novamente pegou a minha mão e foi me levando até o meu apartamento onde começou a me despir. Eu sentia um prazer imenso cada vez que ela me tocava, quando me beijava, mas ela novamente pegou minha mão e me levou para outro lugar que ela dizia ser o seu apartamento.

O lugar era lindo e nós estávamos novamente brindando com vinho e depois me conduzindo sempre pela mão, ela começou a me despir e me amar. Eu novamente senti um enorme prazer e sentia que queria ficar assim com ela pra sempre.

De repente ela saiu e me deixou só. Eu saí daquele lugar e tentava encontrar-la por todos os lugares, mas não conseguia. Quando eu já havia desistido, ela reapareceu agora numa manhã, novamente pegou a minha mão e me levou a outro lugar cheio de sol e com um mar azul turquesa, com um cheiro de maresia e almíscar. Amamos-nos novamente.

A noite caiu e eu me vi numa cama de hospital onde eu agora me sentia muito tonta e fraca. Andréia segurou a minha mão e falou que ia me esperar e que ia lutar pelo nosso amor.

Eu acordei suada, completamente ensopada na cama do hotel e já era dia. Levantei, fui até o banheiro e tomei um banho. Liguei para o restaurante, pedi o café da manhã e olhei a carta que Andréia escrevera pra mim. Abri o envelope e realmente era uma breve carta que começava assim: “Para você Luciana, meu grande amor!”

Coloquei a carta de Andréia na mesa que eu estava tomando meu café e comecei a lembrar de tudo que acontecera entre nós antes da cirurgia. Eu me lembrei como num passe de mágica de tudo o que tínhamos vivido e de quanto eu amava aquela mulher que acabara de deixar o hotel no dia anterior.

Andréia veio através do meu sonho me lembrar do nosso amor. Ela veio! Ela me esperou todo esse tempo e eu não a reconheci. Uma angústia tomou conta de mim. Uma dor imensa quase me fez cair sobre minhas pernas. Eu não me lembrei de Andréia por dois longos anos, eu não reconheci meu amor, o amor da minha vida, o meu único amor. Ela veio no meu sonho me mostrar o quanto tínhamos sido felizes nesses breves encontros do passado. Eu finalmente me lembrara de todos os que cercavam Andréia, todos. Do seu irmão Pedro, de Cacá sempre tão gentil, de sua mãe dona Helena, de seu pai o Sr. Frederico, da ilha, do restaurante, da noite do revellion, dela acordando no meu apartamento, me lembrei de tudo e de todos!



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Capitulo 40

[09/07/12]

Um mês se passou depois do meu último encontro com Luciana. Coloquei minha vida em ordem, falei à Vera que havia deixado Luciana livre para que ela pudesse seguir sua vida. Comuniquei o fato a todos que estavam preocupados comigo e também resolvi fazer uma longa viagem de pelo menos dois meses. Precisava dar um tempo e me refazer de todas as emoções vividas e acumuladas durante esses longos dois anos. No mês que se seguiu comecei a passar todos os assuntos administrativos da fundação para Cacá e Pedro, que com certeza cuidariam bem de tudo.

Não tive mais notícias de Luciana. Telefonei para Isabella me desculpando pela partida precoce, ela disse entender completamente. Isabella me pareceu um pouco estranha, mas eu não pensei que pudesse tê-la magoado, enfim conduzi minha vida para tentar viver da melhor maneira possível o fim daquela história de amor.

- Ei Doutora, tudo bem?

- Oi Pedro tudo e você?

- Tudo maninha.

- A que devo a honra de sua visita?

- Hoje é o meu aniversário de casamento lembra?

- Nossa Pedro! Que bom que você me lembrou da festa, eu tinha me esquecido completamente.

- Pois é. Cacá está maluco arrumando tudo. Por mim jantaríamos na ilha e tal, mas você sabe que ele é, por isso resolveu armar toda essa festa.

- Ele quer que todos saibam que te amarrou direitinho.

- Acho que é isso mesmo.

- Quantos anos meu irmão?

- Dez anos. Ufa! Como o tempo voa.

- Você é feliz Pedro?

- Muito.

- Então vamos comemorar!

- Te espero querida.

- Eu vou sim, pode deixar.

- Agora vou indo. Não se atrase doutora.

- Pode deixar meu irmão. Beijos pra Cacá.

- Darei.

Pedro se foi e eu senti uma enorme tristeza por não estar comemorando dois anos de casamento com Luciana, mas a vida é cheia de separações e Luciana era a minha mais recente. Achei-me egoísta por tal pensamento, peguei minha bolsa e saí para comprar um presente para os dois.

******************************************************************************************************

Quando Isabella chegou naquela sexta feira, fui com o motorista buscá-la no aeroporto. Quando ela me viu, estranhou minha presença, mas comentou divertida:

- Estava que não se agüentava para saber as novidades não é mesmo dona Luciana?

- Mais ou menos Isabella, na verdade eu vim para conversar um assunto muito importante com você.

- O que é Luciana, aconteceu alguma coisa grave? E Andréia, você não está com ela?

- É justamente sobre ela o meu assunto com você.

- O que houve Luciana? Não me diga que você e ela estão tendo um caso! Agora deixe eu te falar dona Luciana, não faça a louca em tentar seguir a doutora e largar suas responsabilidades, mesmo porque Andréia não leva ninguém a sério.

- Não é nada disso Isabella primeiro me ouça sim?

Contei toda a minha história com Andréia e como eu a esquecera por causa da cirurgia. Contei-lhe tudo desde o começo e contei-lhe também o final com ela vindo para me buscar, da carta, enfim tudo o que acontecera. Isabella ouviu tudo com atenção e me olhou com muita seriedade.

- O que você pretende fazer Luciana?

- Isabella eu não posso ficar sem Andréia, eu não vou conseguir. Ficar aqui trabalhando, sabendo que Andréia está lá sem mim, que nós duas poderíamos estar juntas e felizes, não dá Isabella, eu posso viver assim.

- Eu entendo Lu, eu entendo. Posso te pedir uma coisa?

- Claro que sim.

- Fique pelo menos até você conseguir treinar alguém para te substituir, aí você poderá ir e tenho certeza que vocês serão muito felizes juntas, o que acha?

- Claro Isabella. Eu ficarei por mais um mês, acho que esse tempo será suficiente.

- Espero que sim. Olha, eu vou ser bastante egoísta. Eu deveria ter mandado você nessa viagem, assim te esconderia de Andréia.

- Acho que ela iria me esperar.

- Provavelmente.

Rimos e fomos seguindo para o hotel.

O mês ia se passando lentamente apesar do trabalho intenso para treinar Roberto o escolhido para me substituir. Trabalhávamos até a exaustão. Era bom, pois meus pensamentos em Andréia eram recorrentes. Um minuto de distração e lá estava ela me olhando e sorrindo lindamente pronta para me seduzir completamente. Durante todo o mês decidi não lhe telefonar, mesmo porque quando estivesse com ela, não teria mais nenhuma barreira entre nós, então me organizei para a minha volta definitiva para sua vida ou para nossa vida.

Findo o mês, liguei para Vera e avisei que estava indo para sua casa e se ela poderia me buscar no aeroporto. Vera estranhou, mas concordou em me abrigar.

- Ei Dona Luciana! Quanto tempo minha amiga!

- Olá minha amiga querida, que bom estar de volta!

- Vamos?

Entramos no seu carro e ela estranhou o tamanho da mala que eu levara.

- O que aconteceu? Você foi demitida? Está voltando de vez?

- Não fui demitida, mas estou voltando definitivamente Vera.

- Você não gostou de lá? Mas era o seu sonho Lu, o que houve?

- Eu me lembrei Vera. Eu me lembrei de tudo.

Vera freou o carro abruptamente.

- Você se lembrou da doutora?

- Me lembrei do nosso amor Vera e eu não posso ficar sem o meu amor entende? Esse mês em que passei sem Andréia foi quase insuportável.

- Foram dois anos Lu. Você imagina o que Andréia passou.

- Eu sei Vera e eu sofro muito por isso, mas eu estou aqui e se ela ainda me quiser eu prometo que vou recompensá-la.

- Tenho certeza disso e estou muito feliz com essa tão esperada notícia. Você já falou com ela?

- Eu liguei pra ela, mas o telefone está desligado. Liguei para o apartamento e Maria me disse que ela está na fundação, mas estava pensando em ligar pro Cacá para que ele pudesse me dizer onde ela está agora. Você tem o telefone dele?

- Tenho, pega meu celular e liga.

Peguei o celular de Vera, disquei o número e ele atendeu com a alegria de sempre.

- Vera minha linda há quanto tempo!

- Não é Vera Cacá, é Luciana.

Um silêncio se fez do outro lado da linha.

- Cacá? Você está me ouvindo?

- Luciana? Você ligando para mim? Você... Jesus! Santos! Anjos! Você se lembrou de mim? Você se lembrou, é isso?

- Lembrei Cacá, lembrei de todos. Cacá, preciso falar com Andréia você sabe onde ela está? Ela está aí com você?

- Ai meus deuses! Eu não acredito! Minha linda vem correndo pra cá. A doutora Andréia está aqui na fundação. Jesus Luz! Olha a Vera sabe onde é a fundação. Vem correndo que eu te esperarei em frente à portaria certo?

- Obrigado Cacá eu estou indo agora, pode me esperar.

- Beijos Linda, beijos.

O trânsito estava horrível e eu ansiosa. Eu soava, não conseguia falar direito com Vera, só pensava em Andréia e com ela iria me receber. Pensava que ela pudesse estar magoada comigo, pensava que ela resolvera me esquecer de vez, pensava que demorei muito tempo para vir atrás do meu amor, pensava na nossa última noite de amor, pensava que ela poderia me dizer que não me queria mais, pensava em tudo ao mesmo tempo.

- Calma Lu estamos chegando. É aquele prédio ali à direita.

Vera parou o carro, eu desci e procurei Cacá na portaria do prédio. Ele me viu e veio com um enorme sorriso me deu um abraço aconchegante que me aliviou um pouco a tensão.

- Que bom te ver Lu!

- Ah Cacá! Demorei um pouco não é meu amigo?

- Mais que o esperado, mas você está aqui e é isso que importa. Venha até a sua doutora. Vou te levar, vem?

Ele foi me puxando pela mão, mas eu parei e ele sorrindo me olhou.

- O que foi?

- Estou com medo.

- De quê?

- Dela não me querer mais.

Ele sorriu.

- Isso a senhora vai ter que descobrir, mas eu acho que essa hipótese está longe de acontecer. Venha minha somelier preferida. Vou te apresentar a sua mais nova e antiga paixão!

Entramos no prédio, subimos no elevador até o último andar e entramos em uma ante-sala bastante espaçosa. Nas paredes havia lindas fotografias de mulheres com seus filhos no colo. Eram mulheres do mundo inteiro. Lindas fotos numa linda sala.

- Claudia, bom dia.

- Bom dia doutor Carlos.

- Andréia está?

- Não a doutora Andréia está no auditório dando uma palestra aos internos. Eles estão chegando hoje para o estágio.

- Ah é havia me esquecido. Obrigada Claudia eu vou até o auditório encontrá-la.

Eu estava muda. Cacá novamente pegou minha mão, antes me apresentou para Claudia, a secretária de Andréia e fomos a outro andar onde eu agora ouvia a voz de Andréia quanto mais nos aproximávamos do tal auditório.

Entramos e ela estava lá. Linda! Ela estava vestida com um jaleco e calças brancos. Pude observar que usava saltos e estava levemente maquiada. Ela prendera o cabelo e usava óculos para leitura. Minha Andréia estava a poucos passos de distância de mim. Meu coração parecia que ia sair pulando em direção a ela. Cacá me fez sentar na última fileira do auditório onde havia lugares desocupados.

- Lu, fica aqui. Eu vou ficar ao lado dela e assim que a palestra acabar eu aviso que você está aqui ok?

Eu apenas acenei que sim com a cabeça. Cacá se foi para o palco onde estava Andréia e mais quatro outros médicos.

Eu não entendia o que Andréia dizia, apenas ouvia a entonação de sua voz forte, firme e perfeita. Enfim a palestra acabou os alunos bateram palmas e Andréia sentou ao lado de Cacá. Outro médico se levantou e se encaminhou até o microfone.

- Meus caros alunos. Vocês agora irão se encaminhar até a ante-sala aonde eu os conduzirei para uma visita pela Fundação Camargo. Podem ir.

Todos os alunos foram saindo pela porta de entrada do auditório e eu continuava sentada na última fileira do auditório.

- Você aqui meu caro, pensei que estava em casa preparando as lantejoulas para hoje à noite.

- Andréia tenho um assunto muito importante para lhe falar.

- Diga logo, pois tenho uma reunião agora e já estou atrasada.

- Acho que terá que adiar essa reunião.

- Credo! O assunto é sério mesmo. Diga o que é?

A sala estava vazia e eu sentada olhando Andréia e Cacá conversando.

- O assunto está ali sentada esperando por você, olha.

Cacá apontou pra mim e eu levantei. Andréia me olhou e eu fui lentamente me aproximando do palco onde ela estava. Cacá se foi e eu fiquei finalmente só com meu amor. Subi no palco, ela se levantou da cadeira, ficamos nos olhando bem de perto, uma em frente à outra.

- Oi doutora!

- Luciana? O que faz aqui?

- Você saiu apressada do hotel naquele dia e eu vim saber o porquê.

- Acho que já faz algum tempo, não acha?

- Eu sei doutora, eu sinto muito.

- Luciana, Isabella te mandou vir falar comigo?

- Andréia você me deixou uma carta, não é mesmo?

- Acho que te expliquei tudo na carta Luciana.

- Andréia naquele dia, antes da cirurgia você prometeu que ia me esperar Lembra?

- Claro que... Eu... Me lembro...

- Então porque você está desistindo?

- Você não me ama Luciana, eu não quero te prender, eu...

- Quando você e eu estávamos naquele quarto, você segurava a minha mão e eu só fiz aquela maldita cirurgia porque você prometeu Andréia!

As lágrimas começaram a rolar, Andréia me olhou, me pegou pela cintura como antes, me trouxe para junto dela e me beijou.

- Você se lembrou Luciana? Você se lembrou de nós meu amor?

- Me perdoe meu amor, me perdoa por esses anos longe de você, eu te amo minha linda doutora. Eu quero ficar com você, você ainda me quer?

- Se eu te quero? Você nunca mais vai ficar longe de mim entendeu? Nunca mais meu amor!

Nos beijamos e saímos para o apartamento de Andréia onde passamos a tarde toda nos amando.

Epílogo

O amor toma caminhos estranhos para nos alcançar. Faz três anos que eu e Luciana estamos juntas e felizes. Todas as manhãs eu acordo ao lado do meu amor e agradeço por mais um dia ao lado dela.

Luciana está grávida. Ela está no oitavo mês de uma gravidez de gêmeos. Decidimos que queríamos ter logo os nossos filhos, pois já não somos tão jovens. Cacá realizou a inseminação.

Luciana trabalha em sua empresa de exportação de vinhos, cujos principais vinhos que representa são os da vinícola de Isabella, cuida também da filial do hotel vinícola inaugurado a pouco e muito sofisticado. Casamos na ilha dos desejos e damos uma grande festa para todos os nossos amigos e família. Minha prima Adriana também fora convidada. Nós temos outra relação agora, eu sou-lhe muito grata pela cura total do meu amor. Adriana está casada com sua ex-secretária e feliz eu creio.

Minha mãe está radiante com minha nova vida. Ela adora Luciana e faz sapatinhos de lã ou roupinhas bordadas à mão para o enxoval. Eu ligo para Luciana de hora em hora para saber como ela está. Hoje vou buscá-la no hotel e hoje é o último dia de trabalho dela antes do parto marcado para a primeira semana do nono mês, já que Luciana está muito sofrida com os incômodos da barriga de gêmeos.

É uma menina e um menino. O menino se chamará Fred em homenagem ao meu pai e a menina se chamará Maria Tereza em homenagem à mãe de Luciana que agora mora próxima a nós.

Como falei o amor toma caminhos inusitados que sempre nos levam a destinos nunca imaginados. Eu nunca imaginaria minha vida ao lado de Luciana. Eu nunca imaginaria que um dia formaria uma família com filhos e com todas as responsabilidades que isso implicaria, mas estou aqui, pronta para ir buscar o meu grande amor, mãe dos meus filhos e a única mulher que eu quero ao meu lado pelo resto da minha vida.

Creio que devemos ficar atentos aos sinais que os deuses mandam a todos. Quando notarem algum desses sinais, por mais estranho que possam parecer, tentem escutar, olhar, sentir e pensem que os deuses possam estar lhes mostrando o grande amor das suas vidas. Sigam os sinais do amor e sejam felizes, porque nós somos muito felizes eu, Luciana, Fred e Maria Tereza.

*********** FIM***********

7 comentários:

  1. Realmente nem sempre identificamos e sabemos agir com os sinais. Espero que essa bela história de amor nos oriente nesta hora. Perfeita!

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  2. Que linda e excitante história.....parabéns!!!

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  3. Muito bom!!! É bom viver toda essa loucura

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